Simplex mais simplex não há

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Na sua última edição a Gazeta das Caldas dá relevo à entrega de um prémio a uma funcionária da Câmara Municipal de Óbidos sobre um programa inovador de entrega de medicamentos por via electrónica sem se recorrer ao uso das receitas médicas em papel, poupando-se assim custos elevados na compra de resmas de papel e deste modo beneficiar o ambiente.
Esta ideia passa por ser inovadora no nosso país já que desde alguns anos a mesma se encontra em uso na Holanda.
Há quatro anos quando regressei a Portugal depois de viver 40 anos neste país, deparei-me com esta situação, tendo na altura chamado atenção de uma funcionária da Unidade de Saúde Familiar (USF) em Tornada, para a poupança que poderiam fazer se o sistema agora lançado por aquela funcionária fosse aqui implantado. Não me recordo já das palavras que recebi, mas deu para perceber que este era bom, mas ainda estava longe de vir a ter lugar no nosso país.
Sem tirar o mérito da ideia de quem agora veio lançar este programa inovador, não acredito que aquela funcionária tenha acordado de manhã com aquela ideia, e sem mais nem menos lança-a aos quatro ventos.
Decerto que teve conhecimento antecipado de que o mesmo já existia algures e deste modo faz seu o que já era feito noutro país.
Já agora que estamos em matéria de poupanças, porque não se faz tal como naquele país, a renovação das cartas de condução ou a aquisição de passaportes nas Câmaras Municipais? Também aqui pouparíamos tempo e dinheiro aos contribuintes, e estas teriam mais umas receitas que tanto jeito daria.
E acrescento ainda mais outro assunto que se faz ali, que poderia entrar no tal Simplex de que tanto se fala. Tratar da venda de viaturas num posto dos Correios. Parece mentira, não parece? Mas é verdade. Quem quiser vender o seu carro a outra pessoa, pode fazê-lo num posto dos Correios holandeses. Basta para tal que vendedor e comprador se dirijam ali, se identifiquem, e contra a entrega do livrete da viatura, é-lhes entregue um novo documento em nome do novo dono. Simples não é! Até parece mentira.
Mas é assim que funcionam ali os serviços públicos.
Já agora conto-vos como se gasta e mal muito dinheiro do contribuinte. Quando temos de pagar as chamadas taxas moderadoras na USF de Tornada, e possivelmente noutros serviços similares, recebemos como recibo uma folha A4 onde o recibo passado não ultrapassa as medidas de 11,5X6cm. Se nos dermos ao trabalho de verificar o que sobra de papel, podemos constatar quanto papel deitamos para o lixo. Ao fim de um ano quantas resmas de papel não foram deitadas fora, e quanto dinheiro não foi mal gasto.
Ora não seria melhor colocar ali uma máquina registadora e dar um talão do serviço prestado ao utente?
Isto meu caro leitor é um pequeno exemplo do muito que há ainda por fazer nesta nossa santa terrinha.

Joaquim Teixeira

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