Sobre o Parque D. Carlos I

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Mercês Silva e Sousa
professora

Trata-se de um espaço com cerca de 11 hectares, quase todo ajardinado, situado em frente ao Hospital Termal de Caldas da Rainha.
A sua origem remonta a 1799, em terras da antiga Quinta do Hospital, tendo sido remodelado em 1889 e, posteriormente, em 1948.
Além da sua importância histórica, este Parque situa-se no interior de uma cidade, é um local onde ocorre “Old-growth”, um termo utilizado internacionalmente para caracterizar espaços ecologicamente significativos, com árvores centenárias. É considerado um dos parques com maior diversidade arbustiva em Portugal.
No levantamento botânico realizado em 2010 por elementos da Associação Nostrum, a título pessoal e gratuitamente, nomeadamente, o Professor Dr. António Pereira Coutinho, da Universidade de Coimbra, Dr. César Garcia, investigador na altura do Jardim Botânico da Universidade de Lisboa, Daniel Rabiais, fotógrafo e a autora da presente crónica, coordenadora do grupo, contabilizaram-se 157 espécies de árvores e arbustos. Destacaram-se igualmente as comunidades terrícolas, saxícolas e epifíticas com representantes da flora vascular, da flora criptogâmica (algas, fetos, musgos, hepáticas e Antocerotas), fungos e associações entre algas e fungos (líquenes). Procurou-se realizar a publicação do livro “Estudo botânico do Parque D. Carlos I de Caldas da Rainha”, mas tal não foi concretizado, até à presente data, por falta de patrocínios. Seria uma mais-valia como referência para proteção e manutenção deste património vegetal riquíssimo.
No parque encontra-se ainda um sub-bosque mediterrânico, anexo ao eucaliptal onde estava inserido o antigo parque de campismo Orbitur, extinto a 30 de setembro de 1997.Nesse bosque, que deverá ser devidamente preservado, encontramos um berçário de carvalhos portugueses e outras espécies da flora mediterrânica original.
Podemos prever como seria a região antes de existir o Hospital Termal, partilhar histórias verídicas que as plantas e o património construído nos podem transmitir (como os Pavilhões e o Céu de Vidro), visitar o Museu José Malhoa, apreciar o Exomuseu, com esculturas de renomados autores distribuídas pelo jardim, apreciar o ar fresco, as sombras, os aromas, animais diversos como pavões, cisnes, patos e outras aves, peixes, anfíbios, morcegos, insetos…
As crianças têm local para se divertirem, pode-se jogar ténis e passear de barco no lago, frequentar o restaurante bar Cais do Parque onde, no século XVIII, existia um moinho de água…
O parque deve ser respeitado, protegido e não invadido descuidadamente. ■