Um centro interpretativo para a arqueologia nas Caldas da Rainha

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Escrevo este artigo com base no meu Projeto de Mestrado em Técnicas de Arqueologia, do Instituto Politécnico de Tomar, com o tema “Valorização e Salvaguarda do Património das Caldas da Rainha – o Centro de Interpretação”, que defendi no passado dia 12 de Dezembro, obtendo a classificação de 18 valores.
O projeto apresentado pretendeu colmatar uma certa ausência de investigação, salvaguarda e divulgação do património cultural, nomeadamente o arqueológico, no concelho das Caldas da Rainha.
Foi para colmatar a falta de investigação, salvaguarda e divulgação do património arqueológico nas Caldas que sugeri a criação do Centro de Interpretação das Caldas da Rainha, que permitirá investigar, interpretar, sistematizar, inventariar e divulgar as várias tipologias do património cultural local e regional do concelho, aumentando a visibilidade e notoriedade da cidade e do concelho.
Esta entidade fará a gestão do património cultural e uma respetiva divulgação aos turistas e à comunidade, alicerçada numa estratégia de comunicação e marketing forte voltadas para a modernidade.
O Centro de Interpretação terá de ser visto como um espaço convergente entre as várias entidades e atores da cultura, apostando em metodologias e estratégias comuns que permitam educar, formar e sensibilizar as várias faixas etárias para a importância da salvaguarda e conservação do património cultural das Caldas da Rainha.
A ideia foi a criação de um projeto que tivesse como objetivo uma real implementação.
Para justificar a premência da criação de uma instituição que pudesse investigar, interpretar, gerir e divulgar os patrimónios das Caldas da Rainha, foi efetuada uma primeira análise acerca da envolvência do concelho, a nível geográfico, geológico e ocupacional, fazendo uma breve abordagem à sua evolução histórica.
Deste modo, foi possível entender que a área geográfica de estudo compreende um valor cultural importante, nomeadamente no que diz respeito às várias tipologias patrimoniais, carecendo estas, principalmente a arqueológica, de um estudo aprofundado e de uma ferramenta que capaz de a gerir.
A escolha por um centro de interpretação prendeu-se, igualmente, com a necessidade da criação de um espaço, que pudesse fornecer ao público uma experiência diferente da perspetiva clássica de visitação. Optando por estratégias expositivas, educativas e comunicacionais interativas, o CICR (sigla do projeto) poderá contribuir para uma fruição simples e intuitiva do público.
Para a implementação do CICR foi estabelecida uma visão e uma missão, ambas baseadas na criação de um organismo que pudesse ser inovador, nomeadamente na investigação do património arqueológico do concelho, inventariando-o e oferecendo-o à comunidade local e ao turista, por intermédio de variadas plataformas, como exposições, visitas guiadas, roteiros patrimoniais, workshops.
A estratégia para a prossecução destes objetivos deve estar baseada num plano de marketing próprio, voltado para a captação de públicos e para a venda do produto: o património cultural das Caldas da Rainha.
O objetivo do projeto foi atingido: assumir a criação do CICR como uma necessidade objetiva no contexto cultural das Caldas da Rainha, sensibilizando a comunidade e os poderes locais para a importância da sua implementação, definindo estratégias e metodologias base para auxiliar à sua efetivação e funcionamento.
Existe uma esperança de que o CICR seja, de facto, implementado, sendo este projeto apenas um primeiro passo para que este organismo se possa definir como um polo de convergência cultural na panorâmica caldense.

Ricardo Nuno Ferreira Grunho Antunes Lopes