Armando Silva Carvalho (n.1938, Olho Marinho) revisita o tempo e a vida de Antero de Quental a partir dum seu poema publicado na Revista Colóquio-Letras nº 173 e da leitura das Cartas de Antero na edição de Ana Maria Almeida Martins.
[shc_shortcode class=”shc_mybox”]Para além de João de Deus, Herculano, Bulhão Pato, Cesário Verde ou Raul Brandão, para além de Proudhon, Hegel, Tolstoi ou George Sand, que povoam o tempo de Antero, há nesta homenagem poética uma aproximação feliz. Toda a literatura é uma homenagem à literatura e, por isso, Armando Silva Carvalho escreve no registo de Antero: «Secretário da alma, o coração / Não descansa na laje da morada em que sossega. / Estremece nos seus sonhos / E volve em seu redor o olhar desmesurado: / É dia de além sol, além lua, além distância / Rasgadas as palavras de abandono / E luta. Mas a Terra é a escrita / E o livro o Universo».
Num certo sentido é o século XXI que responde ao século XIX: «Há coisas que normalmente não vemos: os obituários. / Cheira a fim de regime e só os loucos ou extremistas / Acham que tal coisa é uma boa perspectiva / Escreve hoje na gazeta um jornalista famoso. / Ninguém recorre aos mortos que acabam de morrer / Para uma visão do mundo e do futuro». Apetece responder: só a Poesia sabe fazer esse intervalo entre dois mundos separados: «Cento e dezoito anos não são tempo / Que faça arrefecer um corpo / Escrito. / Podem ser apenas uma noite, um sonho alucinante / Ou um dia inteiro, de natureza desperta / Um fruto, uma folha, uma raiz».
(Editora: Assírio & Alvim, Capa: Mário Cesariny)[/shc_shortcode]







