Vaxzevria, por favor pode repetir?

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Catarina Tacanho
farmacêutica

O nome Vaxzevria pode não soar familiar, mas se vos falar da vacina da AstraZeneca contra a COVID19 aí já sabem do que estou a falar. Recentemente foi noticiado um estudo que revela que a confiança dos Europeus neste laboratório está em forte queda, segundo dados da plataforma YouGov, líder internacional de pesquisa de mercado baseada na internet…
A vacina em causa, foi suspensa dia 15 de Março em Portugal por um período de uma semana, pelo principio da prevenção em saúde publica. Já havia relatos de formação de coágulos noutros países da Europa, países esses que também suspenderam a vacina. Numa semana, a AstraZenca, farmacêutica sueca até aqui desconhecida do grande público, perdeu a credibilidade e passou a andar nas conversas de café, digo redes sociais e postigos.
“Estejam tranquilos, mas verifiquem a existência de hematomas” assegurou Graça Freitas, após a suspensão da vacina. Pode repetir, Senhora Diretora Geral de Saúde? Metade da população não sabe o que são hematomas, e os casos de tromboses são extremamente reduzidos face ao número de vacinas administradas.
A AstraZeneca, agora amaldiçoada, tem na sua missão através da ciência melhorar a vida de pessoas em todo o mundo. Tem medicamentos na área da Oncologia, Metabolismo Cardiovascular e Renal e Função Respiratória. Produziu uma vacina contra a COVID19, à semelhança de outras companhias, recomendada para autorização ainda que condicional, na União Europeia pela EMA, Agência Europeia do Medicamento – que considera que os benefícios superam os riscos. Os ensaios clínicos de fase III nos Estados Unidos, revelam uma eficácia de 100% na redução da hospitalização e sintomas severos, 76% de eficácia na prevenção, e 80% de eficácia em pessoas com mais de 65 anos. Os efeitos indesejáveis mais frequentes como a dor de cabeça, cansaço, calafrios ou febre, estão descritos. E não determinam a eficácia da vacina.
Não estou a defender a vacina da AstraZeneca porque sim. Até porque acredito há muita informação que nem sequer nos chega, nem sabemos por exemplo a que se devem os atrasos na entrega destas vacinas na Europa. Estou apenas a basear-me em evidência clínica e nas recomendações de entidades que considero idóneas e com essa responsabilidade.
Qual é o laboratório que produziu a vacina para o sarampo? E a eficácia da vacina para a meningite, está no facebook?
O que esta pandemia veio provar é que factos são factos, e que a ciência é realmente importante. Precisamos de certezas, neste mundo incerto.
E isso, caro leitor, não está nas redes sociais. E arrisco-me a dizer que também não está na maioria dos meios de comunicação social.
Por isso a próxima vez, antes de comentar a eficácia da vacina ou outra questão semelhante, pare, e pense se está habilitado a tal. ■