Vivam as festas populares! Vivaam os festeiros, mordomos e comunidades!

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Celeste Afonso
diretora cultural executiva

O mês de Agosto é, desde há muito, o mês das festas populares, dos arraiais, das procissões e dos reencontros.
Na nossa região, como em todo o país, as festas populares são o culminar de um ano de intenso trabalho por parte dos festeiros, dos mordomos e das comunidades.
Como manifestações culturais, estas festas estão no coração das dinâmicas culturais e identitárias das comunidades, pontuam os tempos sociais e individuais e acrescentam significado à vida colectiva,contribuindo, assim, para a afirmação da identidade cultural das comunidades locais e reforçando a diversidade cultural.
Nas sociedades contemporâneas, marcadas pela fragmentação, pelo individualismo, as festas populares constituem-se como espaços sociais privilegiados de construção de identidades colectivas e revelam-se esferas de convívio importantes para a sedimentação de outros valores, de outra cultura.
Do rico e vasto calendário das festas e romarias da nossa região, destaco as Festas de Peniche, com a Procissão dos Barcos em Homenagem à Nª Srª da Boa Viagem, padroeira dos Pescadores, no dia 5 de Agosto; as Festas de Ferrel, em honra de Nossa Senhora da Guia, com as tradicionais corridas de burros; a festa de Nossa Senhora do Bom Sucesso, no Vau, a 20 de Agosto, com o Círio, as Loas e a Marcha dos Balões. Já em Setembro, de 1 a 10, as Festas do Sítio da Nazaré, em Honra de Nossa Senhora da Nazaré, a única manifestação da nossa região inscrita no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.
As festas populares são, no fim de contas, a celebração da tolerância, onde o sagrado e o profano convidam ao encontro e à partilha. São o espaço de fé, de solidariedade, dos afectos, onde se reafirmam e se vivenciam em plenitude os valores sociais e humanistas e se tenta escapar ao destino de reificação (coisificação social) que ameaça as sociedades contemporâneas. São o barómetro dos laços comunitários que mantêm a memória viva e se mostram ao Outro através da apropriação e ressignificação do espaço público.
O património cultural , material e imaterial, associado às festas e romarias é uma dimensão estrutural das nossas paisagens culturais e reflecte uma rede de marcadores territoriais na sua dupla dimensão: referentes de identidades e organizadores do território.■