“A Molde é a prova de que há portugueses empreendedores e criativos”, diz Fernando Nobre

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Fernando Nobre
O candidato à presidência da República destacou a aposta desta empresa caldense na exportação

O candidato à presidência da, Fernando Nobre, esteve em Peniche e nas Caldas no passado dia 21 de Outubro. Na visita que fez à fábrica de cerâmica Molde, destacou a aposta que está a ser feita na exportação, como o caminho a seguir pelo tecido empresarial. “No orçamento do ano que vem o governo aponta para um aumento das exportações de 7,2%, mas tal só será exequível se tivermos muitas empresas como esta”, disse.

Depois de tomar contacto com a produção e ter conversado com alguns dos trabalhadores, o candidato realçou que aquela fábrica é a prova de que há “portugueses empreendedores e criativos”, evidenciando o destino que é dado à produção e a qualidade do material produzido. Por outro lado, Fernando Nobre mostrou-se solidário com as preocupações do administrador da empresa, Joaquim Beato, sobre as dificuldades que este tem de acesso ao crédito bancário.
“Temos que estar particularmente atentos para mostrar disponibilidade de investimento junto de pessoas que são inovadoras, que apostam no risco e na exportação”, defendeu.
Para Fernando Nobre o sector das exportações é vital para o reequilíbrio das contas públicas e “só há uma maneira de competir – é apostando na extrema qualidade e inovação”, disse.
Depois da Molde, Fernando Nobre foi recebido pelo executivo na Câmara das Caldas e à noite proferiu uma palestra no auditório caldense, onde defendeu que o país está no fim de um ciclo e que é necessário implementar uma mudança nas relações entre governantes e governados e na participação da sociedade civil na governação da nação.
“Só podemos melhorar se tivermos uma administração pública particularmente atenta e aberta ao público em geral, coragem de reestruturar o Estado, melhorar o funcionamento da Justiça, ter um nível de exigência na educação, sermos criativos e se soubermos arriscar abrindo-nos para o mundo”, sintetizou.
Joaquim Beato, responsável da Molde, diz que é com satisfação que esta empresa recebe todos quantos a querem visitar e que este interesse é sinónimo que as Caldas ainda tem uma “ligeira conotação com a cerâmica e os que vão sobrevivendo arriscam-se a ser visitados”, ironizou. O responsável da empresa que exporta toda a sua produção, maioritariamente para os Estados Unidos, norte da Europa e França reconhece que é impossível crescer sem crédito bancário.
Joaquim Beato disse ainda que é preciso repensar a estratégia do país, devendo-se apostar na indústria, que é quem fixa as pessoas.

HÁ MUNICÍPIOS A MAIS

Antes das Caldas, Fernando Nobre esteve em Peniche, onde foi recebido pelo presidente da Câmara, António José Correia – que classificou de “autarca dinâmico” -, onde se inteirou da realidade local.
Um dos assuntos em destaque foi a diminuição das transferências do Orçamento de Estado para as autarquias, com o candidato a mostrar a sua preocupação pelo facto de muitas autarquias já não terem possibilidade de se endividar mais e não poderem concretizar os projectos.
Fernando Nobre chamou ainda a atenção para a necessidade de se ter que abordar, a breve prazo, a reforma administrativa do país. “Temos 308 municípios, em que cerca de uma centena tem menos de 10 mil habitantes”, disse, defendendo que o país deve ser repensado como um todo e não como múltiplas capelinhas isoladas. O objectivo é fazer uma reflexão sobre como os novos tempos, as acessibilidades e as tecnologias podem fazer um Estado mais moderno, eficaz, operacional e menos dispendioso.
O candidato já anda em pré-campanha pelo país há algum tempo e faz um balanço positivo deste périplo. Tem visto uma face positiva, de gente dinâmica e empreendedora, mas também o lado mais negro, que é uma profunda desigualdade e exclusão social, sobretudo relativamente aos idosos e falta de esperança para os jovens.
A directora de campanha de Fernando Nobre para o sul do distrito de Leiria, Teresa Serrenho, foi a responsável pelas escolhas dos locais a visitar e referiu que escolheu esta fábrica de cerâmica caldense pelo bom exemplo que representa.
O dia 21 foi escolhido porque Fernando Nobre tinha estado nas Caldas há precisamente seis meses, na qualidade de representante da AMI, e prometeu voltar mais tarde com o “chapéu” de candidato presidencial.
A visita pelo distrito de Leiria englobou visitas ainda a Leiria, Pombal e Nazaré.