“Apoiar a agricultura para que seja sustentável e traga valor aos agricultores”

0
270
O cabeça de lista do PAN, Rodrigo Andrade, defende que o novo Hospital do Oeste deve ser construído no Bombarral

As causas animal e ambiental são pilares do PAN, mas neste círculo eleitoral as priorida-des passam também pela fixação de médicos, aposta na ferrovia e melhoria da rede de transportes, defende Rodrigo Andrade

Avançamos, pelas causas” é o mote da campanha do partido PAN. Quais são as vossas causas no distrito de Leiria?

O PAN é, maioritariamente, um partido de causas, tendo como pilares base da sua atuação as causas animal e ambiental. Na causa animal apoiamos as populações e as organizações de proteção animal que existem no distrito. Em termos ambientais defendemos a proteção da floresta e, tendo em conta a ruralidade do distrito, há um enfoque muito grande na agricultura e no melhor que ela tem para oferecer. Também devido às alterações climáticas vai ser preciso fazer uma adaptação e queremos ajudar os agricultores a fazer essa transição.

Os agricultores que também estão em luta por melhores condições. O que o partido defende para o setor?

A agricultura é financiada pela PAC [Política Agrícola Comum] e até 2029 Portugal vai receber seis mil milhões de euros para investir no setor. Queremos pegar nesse valor e redesenhar o seu objetivo, ou seja, a ajudar os agricultores a estudarem os solos que têm, para conseguir potenciar a sua atividade agrícola e, com os fundos, ajudar a financiar essa transição. Por exemplo, o Bombarral é a terra da pera Rocha e da vinha mas, nos últimos anos, muitos agricultores têm feito um maior investimento nos pomares porque, com as alterações climáticas, há cada vez mais frutos que não chegam à época da apanha.

Temos que dar este apoio para que a atividade agrícola seja sustentável para o ambiente e também que traga valor aos agricultores.

E para a saúde, quais são as vossas propostas?

A saúde preocupa-nos bastante porque é difícil fixar médicos nas unidades de saúde. O facto dos incentivos aos profissionais de saúde terem por base o número de consultas realizadas e frequência das consultas está a prejudicar o distrito, que tem concelhos com pouca população. Queremos mudar o foco desta vertente e, em vez de termos benefícios para os profissionais de saúde com base na frequência, defendemos que assentem na qualidade dos cuidados de saúde prestados. Para além disso, temos uma proposta, que já apresentámos na Assembleia da República, e que passa por dar incentivos à fixação de profissionais por via de ajudas na deslocação e na permanência.

Além da falta de profissionais de saúde temos também a necessidade de um novo hospital no Oeste. Qual é a vossa posição sobre o assunto?

A posição é muito clara, achamos que deve ser construído e localizado no Bombarral. Não porque sou bombarralense, mas porque foi encomendado um estudo pela OesteCIM que dá essa localização como a melhor e foi o local avançado pelo ministro da Saúde antes da dissolução da Assembleia da República. Isso não significa que não queiramos ouvir a posição dos caldenses, que se têm manifestado para que o hospital seja nas Caldas. Temos uma proposta para solucionar esse problema e que passa por manter os atuais hospitais do CHO abertos, funcionando como centros de saúde, de proximidade com a população e com meios de diagnóstico necessários para que as pessoas não tenham de ir todas ao novo hospital do Oeste.

Ao nível da mobilidade, o que deve ser feito?

Defendemos uma aposta forte na ferrovia. Apesar de estar a ser intervencionada, a obra de modernização na Linha do Oeste está extremamente atrasada e isso é um problema. A ferrovia é muito importante se queremos descarbonizar o setor dos transportes e tirar mais carros da rua e também numa lógica de competição com a rodovia, que agora não existe.

A nível local sentimos que precisamos de apostar mais nos transportes entre as vilas e aldeias, porque a única maneira da população, sobretudo a mais idosa, se deslocar é através do carro e, se queremos proteger o planeta, temos que apostar no transporte público e nas ciclovias.

A OesteCIM aprovou a aquisição de 51% da Rodoviária do Oeste. Terá essa obrigação de dar a resposta social às pessoas dos locais mais isolados?

É algo que ainda tem que ser estudado, mas entendemos que este tipo de investimentos e de necessidade, pela sua importância, deve ser garantido pelo Estado e pelo serviço público. Num contexto em que temos um distrito disperso, muito rural e envelhecido, é muito importante garantir que tenham acesso ao transporte e que também haja divulgação da oferta existente.

Relativamente à habitação, que políticas têm para resolver este problema?

Esse é um problema que tem-se vindo a agravar. A primeira proposta seria aumentar os valores e o alargamento do número de beneficiários do programa Porta 65, que em alguns casos paga até metade da renda das pessoas. Temos que apostar na Habitação Jovem, voltando a aprovar o crédito bonificado para jovens, e queremos que toda a habitação pública construída tenha uma percentagem que esteja destinada aos jovens menores de 35 anos. Este será também um incentivo para fixar os jovens na região.

Que expetativas tem o PAN para estas eleições?

Sabemos que a eleição de um deputado do PAN não é fácil neste distrito, mas não é por isso que deixamos de ir à luta. Talvez as pessoas que cá vivem não conheçam tão bem as ideias do PAN ou têm-lhe alguma aversão porque, ao longo dos anos, também foi um pouco construída a opinião, exterior, de que o PAN é um partido contra o mundo rural e os agricultores, o que é uma falácia. Queremos dar uma alternativa às pessoas que vivem no distrito para não terem que votar no PS ou PSD. Se todas as pessoas que dizem que não votam no PAN, porque não tem hipótese de eleger um deputado, o fizessem, se calhar haveria um deputado eleito por Leiria.

A criação de círculos uninominais seria uma alternativa?

Traria efetivamente mais representatividade, mas a nossa proposta para o sistema eleitoral é diferente. Queremos reduzir o número de círculos eleitorais para que haja um maior aproveitamento dos votos. Temos também a proposta de criação de um círculo de compensação, à semelhança do que acontece já nos Açores, que recolheria os votos de todos os distritos que não chegam para eleger um deputado, o que traria também mais representatividade aos partidos mais pequenos.

– É favorável ao princípio constitucional da regionalização?

Acreditamos que, neste tema, deve ser feito um debate alargado com a sociedade civil, as organizações, para perceber qual o melhor caminho a seguir. Não acreditamos que uma regionalização, feita de um dia para o outro e, muitas das vezes, sem a aceitação dos municípios, seja o melhor caminho.

Achamos que é uma vantagem trazer mais competências para os municípios, desde que eles as acolham e que façam sentido, nomeadamente no âmbito da saúde, para conseguirem contratar mais médicos.

Entrevista conjunta REGIÃO DE LEIRIA/GAZETA DAS CALDAS

Perfil do candidato

Rodrigo Andrade, 24 anos, natural e residente no Bombarral, lidera a lista candidata pelo partido PAN – Pessoas-Animais-Natureza pelo círculo eleitoral de Leiria. Mestrando em Ciência Política, o candidato foi assessor parlamentar do PAN até à dissolução da Assembleia da República e preside à Associação Jovem do Oeste.

Tendo o combate às alterações climáticas como uma das batalhas a travar, o jovem bombarralense encontrou no programa eleitoral do PAN o que mais ia de encontro às suas preocupações. Teve oportunidade de ingressar no grupo parlamentar em finais de 2021 e começou a trabalhar com os três deputados na altura. Depois, “surgiu com naturalidade a militância e, agora, a candidatura”, concretiza.

Lista de candidatos do PAN pelo círculo eleitoral de Leiria

1 – Rodrigo Andrade

2 – Liliana Vieira

3 – Patrícia Santos

4 – Norberto Ribeiro

5 – Patrícia Oliveira

6 – Margarida Araújo

7 – Orlando Antunes

8 – Liliana Abreu

9 – Sofia Carvalho

10 – Filipe Pires