Bloco de Esquerda bloqueado nas contas de 2013

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Bloco de Esquerda caldense
Uma acção do Bloco de Esquerda caldense (Foto de arquivo)

Dúvidas nas contas da campanha eleitoral de 2013 e divergências entre o BE caldense e a estrutura de Leiria têm bloqueado a actividade deste partido nas Caldas da Rainha.

As contas da campanha eleitoral autárquica do BE em Peniche, em 2013, são a principal razão de um mal estar que tem vindo a bloquear a actividade daquele partido nas Caldas da Rainha. O assunto causou inicialmente acesas discussões internas e esteve também na origem de uma agressão a Fernando Rocha (já falecido) na sede do partido.
Em causa estavam contas não pagas pelo candidato pelo BE à Câmara de Peniche, Paulo Freitas, que suscitou um grande incómodo na estrutura caldense do Bloco.
Contactado pela Gazeta das Caldas, Paulo Freitas começou por dizer que actualmente é apenas um militante de base do BE e que o assunto das contas “foi encerrado há três anos pela Comissão Política Nacional do BE”, não havendo presentemente qualquer inquérito em curso. “Houve uma situação que foi debatida e resolvida há três anos”, concluiu.
Em sintonia com Paulo Freitas está o deputado do BE, Heitor de Sousa, eleito por Leiria, que disse à Gazeta das Caldas que “a situação já está regularizada” e que as contas da discórdia já “foram feitas e foram aprovadas”.
Essa não é, contudo, a opinião da maioria dos militantes mais activos do BE caldense que dizem que o partido está quase paralisado a nível local em consequência da má fama resultante das más contas da campanha eleitoral.
A clivagem entre a estrutura local e o controlo exercido desde Leiria por Heitor de Sousa já vinha, porém, desde antes das eleições, quando o então ex-deputado do BE (viria a ser novamente deputado na Assembleia da República nesta legislatura) impôs o nome de Paulo Freitas como candidato à Câmara de Peniche. Uma escolha que não mereceu o consenso do BE caldense.
As dúvidas nas contas após a campanha eleitoral ditaram o afastamento de alguns simpatizantes do Bloco ao nível local. Desde então o partido funciona sem uma estrutura local definida, de forma “assemblária”, isto é, em autogestão, com as reuniões e iniciativas marcadas informalmente por correio electrónico e sem representantes locais eleitos.
Heitor de Sousa nega essa situação. “A prova da vitalidade do Bloco de Esquerda nas Caldas da Rainha é que ainda na quinta-feira houve uma iniciativa nossa nas Caldas, de apoio aos precários do CHO e a sala estava cheia”, disse (ver artigo a baixo). O deputado não quis, porém, comentar um processo que está em discussão na Comissão de Direitos do BE que terá tido origem numa queixa de Fernando Rocha em Maio de 2014 que punha em causa a continuidade de Paulo Freitas no partido e se insurgia contra a protecção que lhe era dada a nível distrital por Heitor de Sousa.
Para alguns militantes caldenses deste partido, só uma resolução rápida deste processo na Comissão de Direitos poderá desbloquear a situação pouco funcional do Bloco a fim de que este se possa preparar para as eleições autárquicas.