Candidatos dizem-se preparados para pôr as contas em ordem

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Sucedem-se as auditorias às contas da Junta | Carlos Cipriano

Fernando Horta, que foi presidente da Junta da Foz no mandato anterior ao de Fernando Sousa, diz que o buraco de quase 200 mil euros nas contas da freguesia revela “um conjunto de irregularidades e procedimentos mal feitos que foram sendo cometidos ao longo do tempo, a par de falta de controlo e supervisão”. Ou, por outras palavras, “uma anarquia total”. O candidato do PSD diz ter noção que há muito trabalho a fazer para repor a normalidade, mas considera-se preparado para enfrentar as más contas da Junta se for eleito.
“Se não me sentisse preparado, não me candidatava. Domino bem a gestão autárquica, conheço bem a freguesia e estou a par dos problemas que a auditoria levantou”, diz Fernando Horta, acrescentando que “este problema é perfeitamente ultrapassável”.

Sobre a postura que a população da Foz do Arelho assumiu ao longo do processo de auditoria, o antigo presidente afirma que os cidadãos não se demitiram. “Muita gente veio ter comigo a manifestar-me a sua preocupação, não se alienaram, mas há que entender que muitas pessoas têm reserva em falar publicamente sobre isto”, acrescenta Fernando Horta, revelando que o ambiente que se respira actualmente na freguesia não é saudável.
Relativamente à recandidatura de Fernando Sousa à Junta da Foz, o candidato do PSD diz apenas que “se a auditoria tivesse revelado aquele tipo de irregularidades durante a minha gestão autárquica, eu não era candidato de certeza”.

POPULAÇÃO CONFIOU E DESCANSOU

Já José Quaresma, candidato independente que integra as listas do CDS, afirma que “faltaria à verdade se não dissesse que estou muito preocupado com a situação em que a Junta se encontra”. Mas também se vê capaz de solucioná-la. “Com a leitura que fiz do relatório da auditoria, sinto-me preparado para colmatar os erros e as falhas encontradas e para reorganizar o serviço e o planeamento dos trabalhos”, diz, acrescentando que provavelmente os erros cometeram-se por facilitismo e desconhecimento das regras elementares das autarquias locais.
Ao contrário do seu adversário Fernando Horta, José Quarema é da opinião que a população da Foz “confiou e descansou” em vez de participar activamente na resolução do problema. “Só com a participação de todos os habitantes da Foz do Arelho se consegue fazer mais e melhor”, refere o candidato, realçando que a envolvência da população que existe na vila ao nível do associativismo – o Centro Social e Recreativo, a Associação de Solidariedade Social e a Paróquia são bons exemplos – também deve aplicar-se à política local.
Embora reconheça a legitimidade da recandidatura de Fernando Sousa, “uma vez que a auditoria não tem qualquer valor jurídico e o Ministério Público não se pronunciou sobre o processo judicial”, José Quaresma afirma que apenas princípios éticos poderiam impedir o actual presidente de candidatar-se.
Gazeta das Caldas também quis ouvir Fernando Correia, candidato do BE, mas não obteve resposta.