Candidatos investem mais de 200 mil euros nas Caldas e Óbidos

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As despesas relacionadas com cartazes constituem uma fatia importante no orçamento de cada campanha

Os cartazes, brindes e comícios são a face mais visível, mas os partidos e movimentos gastam milhares de euros com a campanha. De acordo com os dados apresentados pela Entidade das Contas e Financiamentos Políticos, nas Caldas e Óbidos, o orçamento com a campanha ultrapassa os 200 mil euros

A campanha para as próximas eleições autárquicas apresenta nas Caldas da Rainha um orçamento superior a 123 mil euros, com as sete candidaturas a investir valores entre os 4 mil e os quase 50 mil euros. A propaganda e comunicação, mas também a colocação de estruturas e cartazes assumem a maior fatia dos gastos por vários partidos, mas há também que opte por apostar sobretudo na concepção da campanha e estudos de mercado.
Nas Caldas, o PSD, que recandidata Fernando Tinta Ferreira, é, à semelhança de há quatro anos, quem mais vai investir. O orçamento de 46 mil euros será gasto, sobretudo, em propaganda e comunicação (13 mil euros). Para estruturas, cartazes e telas está previsto o gasto de 11,5 mil euros, mais 500 euros do que os social-democratas contam despender com comícios e espetáculos. Nesta campanha está ainda prevista uma despesa de 5 mil euros para brindes e outras ofertas. Trata-se de um valor um pouco mais alto do que o gasto há quatro anos (43.025 euros), justificado com o aumento do custo dos materiais.
O PS nas Caldas, com Luís Miguel Patacho, irá gastar 23 mil euros com a campanha, dos quais 20,4 mil euros resultam da subvenção, 2 mil de angariação de fundos e 600 euros de donativos em espécie. Também a propaganda e comunicação assume a maior fatia dos gastos: cerca de 8,3 mil euros. Os custos com estruturas, cartazes e telas andam pelos 5.600 euros e está previsto gastar mais 3750 com comícios e espetáculos. Para brindes e ofertas, os socialistas definiram mil euros. Trata-se de um valor muito semelhante ao gasto nas últimas autárquicas, orçado em 22.764 euros.
A campanha do Bloco de Esquerda, encabeçada por Carlos Ubaldo, tem um orçamento de 5.751 euros, obtido na sua grande parte por subvenção estatal, mas também com alguma angariação de fundos e donativos (pouco mais de 27 euros). O BE divide as contas em despesa local, cujo maior montante (1.700 euros) é usado para custos administrativos e operacionais, e despesas centrais imputadas, cujo montante mais relevante destina-se à propaganda e comunicação. Trata-se de um investimento menor do feito há quatro anos, em que o Bloco gastou 8.556 euros na sua campanha.
Com Edmundo Carvalho, o Chega apresenta-se pela primeira vez na corrida às autárquicas e tem um orçamento de 4 mil euros, dos quais 3 mil resultam da contribuição dos partidos políticos, 500 euros de angariação de fundos e outros 500 euros de donativos. O partido prevê gastar mil euros em estruturas e cartazes, pouco mais do que o montante despendido na conceção da campanha e na propaganda e comunicação. Serão gastos 600 euros em comícios e espetáculos e um pouco menos em brindes e outras ofertas.
A coligação Caldas Mais Rainha, que junta o CDS-PP, Partido da Terra, Partido Popular Monárquico e Nós, Cidadãos! e candidata Paulo Pessoa de Carvalho apresenta um orçamento de 8 mil euros. A propaganda e comunicação e a colocação de estruturas, cartazes e telas representam, cada rúbrica, uma despesa de 2 mil euros, enquanto os comícios e espetáculos, e os brindes, têm cabimentado 1.200 euros, cada. Em 2017, o CDS-PP concorrera sozinho às autárquicas e apresentara um orçamento de 9.900 euros.
O movimento de independentes Vamos Mudar, encabeçado por Vítor Marques, apresenta um orçamento de 25 mil euros para a campanha. Para este montante contribui uma subvenção estatal de 10.687 euros, 10 mil euros de donativos, 3.312 euros resultantes da angariação de fundos e ainda mil euros em donativos em espécie. A maior fatia do orçamento (8.700 euros) é gasta na conceção da campanha e estudos de mercado, seguida da despesa com estruturas, cartazes e telas (7 mil euros). Para propaganda e comunicação, o MVM prevê gastar 4 mil euros e metade desse valor para brindes e ofertas.
O orçamento da CDU, que candidata António Barros, é de 11.900 euros, verba que resulta da subvenção estatal (10.600 euros), mais contribuição dos partidos políticos (500 euros) e angariação de fundos (800 euros). A despesa vai, sobretudo, para propaganda e comunicação, estruturas, cartazes e telas e também para saldar custos administrativos e operacionais. Apenas perto de 9% da despesa se destina a comícios e espetáculos, um pouco menos do valor gasto em brindes. Em 2017 a CDU gastou 14 mil euros com a campanha.

Campanha com… 500 euros
Em Óbidos, a campanha vai custar 79.680 euros. Com Paulo Gonçalves, o PS vai gastar 36.079 euros na campanha. Cerca de 14 mil euros foi investido na conceção da campanha, agências de comunicação e estudos de mercado, seguindo-se 9 mil euros em estruturas, cartazes e telas. Em brindes e outras ofertas os socialistas obidenses contam gastar mais de 5 mil euros, mais do que em comícios e espectáculos, para os quais prevê 4 mil euros.
Em 2017, a campanha socialista apresentou um orçamento ligeiramente superior, de 36.575 euros, cuja maior fatia foi despendida em comícios e espetáculos (mais de 11.500 euros) enquanto que para a concepção de campanha e estudos de mercado, que este ano se traduz na maior despesa, há quatro anos foram gastos 2500 euros.
Já a coligação “O nosso partido é Óbidos”, (Partido da Terra) encabeçada pelo candidato à Câmara, Carlos Pinto Machado, apresenta um orçamento de… 500 euros. Deste montante, cerca de 200 euros serão utilizados na aquisição de brindes e 100 euros em propaganda e comunicação. Não há valores investidos na concepção da campanha, nem no aluguer de estruturas e colocação de cartazes e telas. Há quatro anos Carlos Pinto Machado foi candidato à Câmara, pelo CDS-PP, numa campanha que teve um orçamento de 2 mil euros.
O PSD conta gastar 20 mil euros, em que mais de metade do montante é destinado à propaganda e comunicação Foram gastos 5 mil euros em estruturas, cartazes e telas, pouco mais de 1800 euros na concepção da campanha. Em brindes, a campanha de Filipe Daniel conta apenas gastar mil euros, mais 200 euros do que o montante previsto gastar em comícios e espectáculos. O orçamento desta campanha quase duplica a de há quatro anos, em que a candidatura liderada por Humberto Marques apresentou um total de despesas de 10.658 euros.
O orçamento da campanha do BE em Óbidos é de 4101 euros. A maior fatia da despesa local será com os custos administrativos e operacionais, seguido da propaganda e comunicação. Já no que se refere às despesas nacionais imputadas, a propaganda e comunicação absorvem quase metade do montante, seguido da despesa com as estruturas, cartazes e telas. Um valor menor do gasto há quatro anos com a campanha, do também candidato independente à Câmara, João Paulo Cardoso, que teve um orçamento de 5.916 euros.
O orçamento do Chega, que candidata Sabino Félix, é igual ao das Caldas, de 4 mil euros. e com o mesmo montante atribuído às mesmas rúbricas.
A CDU em Óbidos apresenta um orçamento de 15 mil euros. A receita da subvenção estatal é de 14.200 euros, mais 500 euros da contribuição dos partidos e 300 euros da angariação de fundos. Mais de 27% do valor com a campanha de Luizinho Leal é gasto em propaganda e comunicação e 26% com custos administrativos e operacionais. A instalação de estruturas, cartazes e telas representa quase 19% da despesa, que prevê valores inferiores para brindes e também comícios e espetáculos. Há quatro anos o orçamento da CDU neste concelho foi de 17 mil euros.

E na região…
A campanha do Nós, Cidadãos! de Alcobaça possui um orçamento de 58.443 euros, o mais elevado na região. O curioso desta candidatura é que o maior volume de receitas provêm de donativos em espécie (20 mil euros) e da cedência de bens a título de empréstimo (36.500 euros). Em Peniche, o Grupo de Cidadãos Eleitores, encabeçado por Henrique Bertino, prevê gastar 45 mil euros para manter a autarquia. ■