Catarina Martins defende um hospital novo para o Oeste

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Gazeta das Caldas
Em Óbidos ouviu as queixas do candidato, João Paulo Cardoso, sobre a utilização da cerca |Fátima Ferreira

A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, visitou o hospital das Caldas durante a manhã de 18 de Setembro e falou da necessidade de investir neste equipamento, bem como da construção de um hospital novo no Oeste. Já em Óbidos, a coordenadora do bloco percorreu as ruas da vila e ouviu queixas sobre a falta de pessoas a viver dentro das muralhas e da falta de preservação do património.

A necessidade de investimento no hospital das Caldas, a falta de condições dos profissionais de saúde e a construção de um novo hospital no Oeste, foram reivindicados pela coordenadora do BE, Catarina Martins, na sua visita à região.
“Já foram feitos muitos estudos e não se conseguem aumentar as valências sem um novo hospital”, defende a dirigente bloquista, adiantando que há muitos doentes do Oeste que têm que ir para Lisboa receber tratamento. O novo equipamento deve ser acompanhado por um reforço nos cuidados primários e continuados, permitindo assim a todos “terem cuidados médicos de proximidade”.
A curto prazo, a dirigente do BE defende o investimento nas urgências do hospital, de modo a melhorar a resposta no imediato.
Por outro lado, Catarina Martins, não quis deixar de partilhar com os jornalistas a boa notícia que tinha recebido durante a reunião com o conselho de administração, de que os 180 trabalhadores precários do CHO serão admitidos nos quadros.
“Foi uma luta muito grande destes trabalhadores para a sua situação de falso outsourcing ser reconhecida”, disse, lembrando que alguns estão nesta situação há cerca de 20 anos.
Também presente na comitiva, Carla Jorge, porta-voz dos Precários do CHO e candidata à Assembleia Municipal pelo BE, explicou que a regularização começa em Janeiro e espera que até “finais de Março” estejam todos integrados no quadro do hospital.
“Um ano depois de termos começado a nossa luta, temos uma boa notícia”, disse à Gazeta das Caldas.

Os bloquistas fizeram ainda uma visita muito rápida pelas urgências do CHO, acompanhados por elementos do conselho de administração, antes de partirem para Óbidos.

Óbidos está a tornar-se num centro comercial

Com ponto de encontro marcado para a Porta da Vila, Catarina Martins era esperada por mais de uma dezena de apoiantes locais. Seguiu-se uma caminhada, a passo rápido, até à cerca do castelo, onde o candidato João Paulo Rodrigues quis mostrar o “estaleiro” de casas em madeira que continua montado após terminarem os eventos. Já na Rua Direita, a paragem fez-se no Bar Ibn Erik Rex, onde a dirigente não bebeu uma ginginha, mas tomou contacto com alguns dos problemas de Óbidos.
“O que as pessoas se queixam agora em Lisboa e no Porto, nós já nos queixamos há 50 anos”, disse o empresário Bruno Nobre, referindo-se ao excesso de turistas na vila.
Catarina Martins apresentou-se como “advogada do diabo” e perguntou-se se tantos turistas não é bom para o negócio? A resposta foi rápida: “sou comerciante, mas em primeiro lugar sou morador”, disse Bruno Nobre, denunciando as rupturas que existem nas condutas da água, o mau estado da calçada e a ocupação do espaço público por parte dos comerciantes.
À pergunta da coordenadora do BE sobre se há casas vazias dedicadas ao turismo, o empresário falou das habitações que foram compradas e recuperadas pela Câmara e que estão a ser usadas “pelas pessoas que vêm fazer as animações dos eventos e estão a maior parte do ano vazias”.
Bruno Nobre destacou ainda que Óbidos é um destino turístico por causa da sua história e “não por causa dos eventos”, defendendo que a vila precisa de um Centro de Interpretação Histórica e não de um “parque temático”.
Alguns metros abaixo o comerciante José Fonseca queixou-se da ocupação do espaço público e de que a vila está a tornar-se num “centro comercial”.
Também as rupturas da água mereceram o reparo do comerciante que, inclusivamente, já perdeu arrendatários de uma casa que tinha na vila por causa destas dificuldades.
Catarina Martins falou ainda da preocupação do BE com a precariedade e salientou que Óbidos, que vive dos eventos, tem uma empresa municipal que “contrata as pessoas a falsos recibos verdes, o que é uma fraude”. Considera que têm que ser as autarquias a dar o exemplo e lamenta que tenham ainda sido feitas tão poucas inspecções a estes órgãos.