CDU apresenta candidatura no Céu de Vidro e alerta para risco de privatização

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Gazeta das Caldas
Os candidatos da CDU à Câmara e Assembleia Municipal ladeados por militantes e simpatizantes |DR

A CDU escolheu simbolicamente o Céu de Vidro para fazer a apresentação do seu programa às próximas autárquicas. Preocupados com o futuro daquele edifício do século XIX, que integra a concessão à Visabeira para construção de um hotel de cinco estrelas, os candidatos à Câmara e Assembleia Municipal, José Carlos Faria e Vitor Fernandes, respectivamente, denunciam o que dizem ser um “assalto do uso público para fins privados”.

Há quatro anos a CDU tinha como lema de candidatura “Afirmar as Caldas” e intencionalmente agora quer “(Re) Afirmar as Caldas” porque os problemas mantêm-se. De acordo com o candidato à Câmara, José Carlos Faria, entre as questões mais prementes estão a salvaguarda do Céu de Vidro, ameaçado de ser “engolido”, com a construção de um hotel de cinco estrelas pela Visabeira. Os comunistas discordam da solução apresentada no ante-projecto, que prevê a construção naquele edifício emblemático do século XIX inclusivamente a colocação de um lanternim na cobertura.
“Um assalto do uso público para fins privados”, diz José Carlos Faria, que também denuncia que a construção prevista viola o PDM e coloca em risco de contaminação as águas termais.

O candidato comunista diz que não está contra a participação de privados desde que “fiquem num papel supletivo, que o papel estruturante caiba à dimensão pública e que o acesso à água termal seja paga”.
José Carlos Faria critica também a falta de capacidade reivindicativa do executivo camarário perante a administração central, que levou a que o Hospital Termal fechasse e que fossem retirados os tratamentos termais do Serviço Nacional de saúde (SNS). Recordou que recentemente a Associação Portuguesa de Termas lançou uma petição pela reposição das comparticipações (a que a Câmara das Caldas também se associou), mas considera que já é tarde demais.
Já Vítor Fernandes falou sobre o CHO para denunciar a sua “inoperância e falta de várias valências”. Preocupa-o também a falta de capacidade da maioria PSD para procurar resolver o problema, sobretudo, do hospital caldense.
O candidato à Assembleia Municipal criticou o atraso na remodelação das urgências e reconheceu que o actual conselho de administração que, à partida, “parecia ser uma boa solução, revelou-se, se calhar, ainda pior que o anterior”.
Vítor Fernandes mostrou ainda o seu descontentamento com o facto do actual executivo, quando reúne com o governo, não levar representantes de todos os partidos com assento na Assembleia Municipal, tal como fazia o anterior presidente, Fernando Costa. “Nós sabemos as coisas pela comunicação social”, disse.
José Carlos Faria alertou para outros problemas como a farmácia hospitalar funcionar provisoriamente há mais de duas décadas, e o facto de não se começar, sequer, a pensar no projecto para a construção de um novo hospital, que levará anos a concretizar.

“Inércia e submissão” da Câmara

Os comunistas falaram ainda da “inércia e submissão” da Câmara social-democrata relativamente a várias situações determinantes na vida do concelho, como a linha do Oeste e Lagoa de Óbidos. Relativamente a esta última, alertam para a quantidade de estudos feitos e o dinheiro que se gastou, sem que estes tenham sido aproveitados.
De acordo com José Carlos Faria, uma boa parte dos dragados retirados na primeira fase de dragagens já regressaram à água porque “estavam mal colocados” nas margens. Por outro lado, há poluição na lagoa, denuncia, referindo que as análises feitas indiciam vestígios de metais pesados, como o crómio.
As questões do urbanismo nas Caldas estão “completamente desprezadas”, disse o deputado, que não vislumbra uma medida de acção concreta nesse sentido.
Para o candidato comunista a desculpa que tem sido dada pela Câmara para não fazer é a de que não há dinheiro, mas depois, “gaba-se da boa saúde financeira do município”. Uma contradição que só tem uma resposta: “não se trata de uma questão financeira, mas de vontade política”.
Os candidatos mostraram-se também confiantes no reforço na votação nas próximas autárquicas.