CDU de Óbidos aposta em independentes para órgãos autárquicos

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Gazeta das Caldas
Os candidatos aos vários órgãos autárquicos foram apresentados num jantar que contou com a presença de Ângelo Alves, do comité central do PCP |Fátima Ferreira

A CDU de Óbidos realizou, no passado dia 25 de Agosto, o seu jantar de apresentação de candidatura às próximas autárquicas. A iniciativa, que juntou perto de 50 pessoas, decorreu no Salão Paroquial da Amoreira, local simbolicamente escolhido por esta força política apresentar pela primeira vez um candidato aquela freguesia – o independente Luizinho Leal.
O candidato à Câmara de Óbidos, José Rui Raposo, acredita que, em resultado do trabalho efectuado neste mandato, conseguirão contar com mais eleitos, não só nas freguesias, como também eleger um vereador na Câmara.

“Não há listas mais independentes que as da CDU”. Quem o diz é José Rui Raposo, especificando que em 109 dos candidatos aos órgãos autárquicos no concelho de Óbidos, 85 são independentes. O exemplo mais elucidativo disso mesmo é a candidatura à Assembleia de Freguesia da Amoreira, em que todos os elementos da lista são independentes.

José Rui Raposo diz mesmo que são “mais independentes que certas listas de cidadãos livres, que têm aparecido a concorrer neste concelho, e cujos eleitos rapidamente se comprometem por um mandato inteiro com quem está no poder, garantindo o seu voto a troco de pequenos favores para a freguesia”.
O candidato comunista considera que o aumento de candidatos nestas autárquicas é resultado do trabalho que têm desenvolvido no concelho, nomeadamente no alerta e tentativa de resolução de problemas ambientais, como é o caso da pedreira de gesso, dos aviários no Casal da Avarela e das pedreiras das Cesaredas.
A CDU também se bateu pela escola pública, pela defesa da Linha do Oeste e do SNS no concelho e também pela defesa da segurança pública e da melhoria dos transportes públicos e rede viária.
José Rui Raposo defende uma gestão autárquica assente na proximidade com as populações e o seu envolvimento nas decisões dos vários órgãos. Entende, por exemplo, que a população deve ser ouvida aquando da discussão do orçamento, de modo a que sejam definidas as prioridades para o ano seguinte.
Considera também que as políticas estratégicas de desenvolvimento do concelho devem ter por base as reais potencialidades do território, que os instrumentos de gestão territorial devem ser respeitados e que deve ser dada prioridade ao investimento em novas infraestruturas básicas e melhoria das já existentes, como a rede de água e esgotos.
O candidato à Câmara defende ainda uma gestão autárquica de “permanente e consequente” exigência do governo, de atribuição de verbas para o município para as suas competências e a recusa de outras que são “única e exclusivamente” do poder central.
Rui Raposo reivindicou, por exemplo, um novo quartel para a GNR de Óbidos, mais médicos e técnicos para a rede de cuidados de saúde primários do SNS, a preservação da Lagoa de Óbidos e a sua classificação como Paisagem Protegida de âmbito Regional e ainda a recuperação do património edificado classificado. Quer também uma maior participação da autarquia na luta contra a destruição da rede hospitalar do SNS e modernização dos hospitais das Caldas e Peniche.
O candidato deixou ainda críticas ao trabalho feito pelo executivo PSD, falando em promessas não cumpridas, aposta em projectos que favorecem alguns em detrimento de toda a população, desrespeito pelo património ambiental, favorecimento de uma política cultural centralizada e elitista e o “esvaziamento das competências” da Câmara pela sua transferência para a empresa municipal. Também o PS foi alvo de críticas dos comunistas, que o acusa de terem uma acção contraditória.

Preconceito com os comunistas

Luizinho Leal apresentou-se no jantar da Amoreira não como candidato, mas como “disponível” para concorrer aquela freguesia apoiado pela CDU. O músico e professor assume-se como uma pessoa frontal e, por vezes polémico na aldeia, porque critica muito o que está mal feito. Reconheceu que o território da Amoreira é difícil pois ainda existe muito preconceito para com os comunistas.
O candidato independente disse que as 11 pessoas que integram a sua lista são “uns heróis” pois não tiveram medo de dar a cara pela coligação e iniciar ali trabalho. Luizinho Leal há vários anos que vem observando o que se passa na freguesia e já tem um programa, que vai assentar na economia, cultura, educação, desporto, saúde e infra-estruturas. “Penso que vamos ser originais e fazer um trabalho interessante, com elevação”, disse.
Além da Amoreira, a CDU concorre às freguesias de A-dos-Negros, Olho Marinho, Gaeiras e à união de freguesias de S. Pedro, Santa Maria e Sobral da Lagoa, apresentando como cabeças de lista, Hélio Martins, Hélio Santos, António Marques e José Leal, respectivamente.
A cabeça de lista à Assembleia Municipal, Sílvia Correia, lembrou o trabalho interventivo levado a cabo pelos deputados comunistas durante este mandato e, Ângelo Alves, do Comité Central do PCP, destacou o trabalho colectivo que está a ser dinamizado pelos comunistas e simpatizantes em Óbidos.
O dirigente comunista informou que a CDU concorre a todos os concelhos do distrito de Leiria e a mais freguesias do que há quatro anos, num total de 78. Por exemplo, em Alcobaça e Leiria esta é a única força política a concorrer à totalidade das freguesias.
“A CDU é importante onde é poder, mas também onde é minoria para exigir que os problemas sejam resolvidos”, disse Ângelo Alves, no final do jantar, que decorreu no centro paroquial da Amoreira e que contou com a animação musical de Emanuel Casimiro.