Comissão de Utentes Juntos pelo Nosso Hospital tem novos elementos

0
549

Notícias das Caldas A Comissão de Utentes “Juntos pelo Nosso Hospital” editou um fascículo com o relatório final do congresso que realizou em Janeiro sobre a saúde na região Oeste, em que são apresentadas as suas conclusões e algumas das intervenções realizadas.
O relatório, do qual foram impressos 300 exemplares, foi apresentado pela primeira vez a 5 de Abril na assembleia que a comissão realizou no auditório municipal, altura em que houve também uma renovação dos seus elementos. O arquitecto Jaime Neto, que já fazia parte da composição anterior, substituiu o médico António Curado enquanto coordenador e porta-voz do movimento.
Coube ainda a António Curado fazer o balanço do primeiro ano de actividades da comissão, mostrando-se convicto de que o actual cenário da reorganização hospitalar no Oeste só não é pior devido à luta entretanto encetada.
“Conseguimos dar um contributo de forma a que as coisas não fossem mais gravosas ainda”, referiu o médico.

Com a saída e entrada de cinco elementos, a comissão passou a ser constituída Ana Martins, Paulo Vaz, António Curado, Teresa Mendes, Filomena Cabeça, Manuela Silveira, João Frade, Jaime Neto, Nicola Henriques, Joaquim Urbano, Lopes Botelho e Ana Rebelo.

Caldas com Maternidade e Torres Vedras com Ortopedia

Segundo António Curado, que teve o cuidado de salientar que é também médico no Centro Hospitalar do Oeste mas que falava apenas como membro da comissão, está prevista a saída do serviço de Ortopedia do Hospital das Caldas para Torres Vedras. “Alguém que parta uma perna nas Caldas, vai ser atendido aqui, mas no dia seguinte vai ter que ser transportado para Torres Vedras para ser operado”, exemplificou.
Por outro lado, o serviço de Obstetrícia e Ginecologia (maternidade) e a Pediatria passam a existir apenas no Hospital das Caldas.
O internamento do Hospital de Peniche passa de 20 para 12 camas. A Urgência será transformada num Serviço de Atendimento Permanente, entregue aos Cuidados Primários.
“A diminuição de número de camas na região pode trazer consequências muito graves para os cuidados hospitalares no Oeste”, alertou António Curado, comentando que os dois hospitais, de Caldas e Torres Vedras, distam 50 quilómetros entre si.
Na sua opinião, o que deveria ter sido pensado seria a construção de um hospital novo que servisse toda a região. “O que tem faltado nesta cidade nos últimos anos é pôr os olhos no futuro. Só se pensa no imediato, no 15 de Maio”, afirmou, numa alusão ao imediatismo das inaugurações no Dia da Cidade.
António Curado perguntou também “onde estiveram as forças políticas locais para que tivéssemos um novo hospital no Oeste, como aconteceu noutros hospitais da região?”
A médica Ana Paula Branco também salientou que o Hospital das Caldas foi mal construído “e em cima das águas termais”, fazendo todo o sentido que se construa uma nova unidade e não investir no seu alargamento. “Qualquer dia não vai haver dinheiro para termos duas urgências para funcionar, nas Caldas e em Torres”, disse. Se se tiver que tomar uma decisão de fechar uma delas, Caldas da Rainha poderá ficar a perder porque vai deixar de ter serviços estruturantes.
O antigo administrador do Centro Hospitalar das Caldas, Jorge Varanda, diz que teria sido mais lógico que Torres Vedras se tivesse juntado ao Hospital de Santa Maria, em Lisboa, e que o hospital caldense assumisse a sua centralidade na região, em conjunto com Alcobaça. “Caldas da Rainha está a servir de muleta para a sobrevivência do Hospital de Torres”, disse, considerando que os caldenses não estão conscientes do que está a acontecer. “Até já fui contactado pelo lado de Torres Vedras para que reduzisse a minha intervenção neste processo”, denunciou.
PS quer demissão de Carlos Sá

Depois de uma crítica do deputado municipal do PCP, Vítor Fernandes, ao presidente do CHO, Carlos Sá, em relação ao facto de ter explicações diferentes de reunião para reunião, a presidente do PS das Caldas, Catarina Paramos, defendeu a demissão do Conselho de Administração desta instituição recentemente criada. “O interlocutor com o Ministério da Saúde é este Conselho de Administração que defende posições num sentido completamente inverso ao que nós defendemos. Assim não vamos a lugar nenhum”, afirmou.
Paulo Freitas, coordenador do BE das Caldas revelou ter tido informações de que tem faltado material no Hospital das Caldas. “Há também equipamentos que avariam e demoram a ser repostos. O elevador do Hospital Termal também está avariado há 15 dias”, indicou. Na sua opinião, “estamos perante uma bomba-relógio” perante a agravação da má situação das condições dos recursos materiais e humanos. “A comissão e a população das Caldas tem que exigir a demissão imediata deste conselho de administração”, concluiu.
Em relação ao Hospital Termal houve menos tempo de discussão, tendo em conta o impasse que actualmente se vive em relação ao seu futuro. O vereador Tinta Ferreira anunciou nessa altura, em primeira mão, a visita de responsáveis da Fundação Inatel, que viria a acontecer na segunda-feira seguinte.
O autarca disse estar muito preocupado actual estado do Hospital Termal e o seu património, salientando que é “decisivo que este reabra” o mais rápido possível.
Vítor Dinis anunciou que os proponentes do abaixo-assinado contra a privatização do Hospital Termal vão realizar, no início de Maio, um debate sobre este tema, para o qual contam com a presença do ministro da Saúde e outros responsáveis.