Deputados do PSD viajaram de comboio na linha do Oeste para que a sua modernização seja uma prioridade política

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A modernização da Linha do Oeste deve passar a ser uma prioridade política, defendeu o líder do grupo parlamentar do PSD, Miguel Macedo, que viajou de comboio entre Lisboa e Caldas, juntamente com outros deputados do seu partido, na manhã da passada segunda-feira.
O politico considera que se forem feitas as alterações que tornem este meio de transporte atractivo a nível de tempo, custo e conforto, o comboio poderá ser uma alternativa real ao carro, como acontece noutras zonas do pais.

Com a chegada às Caldas prevista para as 09h39, o comboio chegou cinco minutos depois. Entre as três dezenas de passageiros que saíram na estação estavam seis deputados do PSD na Assembleia da República, que tinham entrado no Rossio às 7h01.
A viagem que a CP proporciona desde a baixa lisboeta até às Caldas obriga a dois transbordos, o que significa que se tem de apanhar três composições.
“Duas horas e meia para fazer uma viagem destas é demais”, dizia o líder do grupo parlamentar do PSD, Miguel Macedo, que andou pela primeira vez na Linha do Oeste.
“É preciso fazer a modernização desta linha, tivemos que fazer duas mudanças de comboio e, de facto, não é uma alternativa ao transporte rodoviário”, admitiu o responsável aos jornalistas à saída da estação caldense.
À sua espera estavam também os deputados à Assembleia da República, Maria da Conceição Pereira, Paulo Santos, Pedro Marques e Pedro Moreira, assim como o presidente da Câmara das Caldas, Fernando Costa.
Miguel Macedo garantiu que o PSD irá chamar a atenção para que esta situação passe a ser prioridade de agenda política. Considera que são necessárias explicações para este adiamento sucessivo da intervenção a fazer, sobretudo quando “aparentemente o governo está muito lesto em fazer obras do TGV”. O líder do grupo parlamentar social-democrata disse mesmo que este é um país a duas velocidades – “a dos investimentos megalómanos do TGV, sobre os quais há muitas dúvidas se são ou não rentáveis, e esta situação que pudemos constatar”.
Em relação ao facto de terem chumbado as propostas do PCP para incluir verbas destinadas à requalificação da linha no Orçamento do Estado, o deputado justificou que tinham um acordo político com o PS para viabilizar o documento, tendo em conta a situação de emergência que o país vive.
“É preciso encontrar força política, orçamento e dinheiro para fazer o que é preciso”, disse agora Miguel Macedo, reconhecendo que, da forma como está, a linha não é viável. “Se forem feitas as alterações que tornem este meio de transporte atractivo do ponto de vista do tempo, do custo e conforto, não tenho dúvidas que passa a ser uma alternativa real ao carro, como acontece noutras zonas”, referiu.
O mesmo responsável chamou ainda a atenção para o facto dos estudos, que já foram feitos há bastante tempo, já deverem estar desactualizados.
Na comitiva vinha o deputado torriense Duarte Pacheco que desde há dois anos não utilizava este transporte. “Fiz muitas vezes o percurso de comboio para estudar e depois para trabalhar, mas nunca foi uma coisa que apaixonasse o utente”, disse, referindo-se ao tempo que demora a viagem. “Custa a acreditar que quando estamos na Malveira, e a 10 minutos da Calçada de Carriche, de repente vira-se para Sintra e passa a ser uma viagem turística…”, adiantou, referindo-se ao traçado sinuoso da linha do Oeste, que data do séc. XIX, e dá uma volta pelo Cacém antes de chegar a Lisboa.
Duarte Pacheco lembrou ainda que o ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações do governo de Cavaco Silva, Ferreira do Amaral, tinha um projecto para esta linha que previa um corredor a sair da Malveira e directo a Loures.
“Agora não é alternativa ao transporte rodoviário, mas poderia ser”, admite o deputado social-democrata.

Fátima Ferreira
fferreira@gazetadascaldas.pt

Na estação do Rossio não se vendem bilhetes para as Caldas

Se o leitor for à estação do Rossio comprar um bilhete para as Caldas da Rainha, ouvirá, surpreso, que ali só lhe podem vender um bilhete para o Cacém ou para Meleças, devendo depois nessas estações comprar o bilhete para o resto da viagem.
Esta aberração escapou aos políticos que na terça-feira viajaram do Rossio para as Caldas porque os deputados não pagam bilhete (basta-lhes mostrar o cartão para viajarem à borla). Senão, os sociais-democratas teriam sido confrontados com mais esta peculiaridade da CP que insiste em maltratar os seus clientes.
Na época da globalização, em que as empresas, as pessoas e os mais variados organismos trabalham em rede, tirando partido das novas tecnologias, a CP faz exactamente o contrário e divide a sua actividade em “compartimentos estanques” que trabalham de costas voltadas entre si e de costas voltadas para o cliente.
O aventureiro que queira ir de comboio do Rossio para as Caldas viaja na CP Lisboa até Meleças (em dois comboios, com mudança no Cacém) e na CP Regional no resto do percurso. Por isso, é obrigado a comprar dois bilhetes.
Mas durante 140 anos, quando nas estações se trabalhava com candeeiros a petróleo e os bilhetes eram de cartão, podia-se naturalmente comprar um bilhete de qualquer origem para qualquer destino. Na época dos computadores, na CP tal não é possível.
O ex-presidente da empresa, Cardoso dos Reis, chegou a afiançar à Gazeta das Caldas que o Rossio teria bilheteiras universais (com venda para toda a rede), mas tal não aconteceu. O actual presidente, José Benoliel, deverá certamente ignorar o assunto, mas considera as unidades de negócio uma “forma avançada de gestão”.
C.C