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Dias depois de ser eleito personalidade do ano para a Gazeta das Caldas, o secretário de Estado Adjunto da Saúde valoriza, em entrevista, o processo de vacinação em curso, o que lhe permite deixar uma “mensagem de esperança” à população e aos profissionais de saúde do Oeste.

A vacinação contra o novo coronavírus arrancou esta semana, pelos profissionais do SNS e população de risco. No caso do Oeste, para quando começará o processo na região?
A vacinação é um dos processos com que temos maior cuidado, por forma a obter uma equidade ao nível territorial. Nesse sentido, para nós é extremamente importante que a população do Oeste tenha o mesmo tratamento da população das restantes regiões do país. Como é público, dividimos, em termos genéricos, o processo em três fases: a fase 1 é destinada aos profissionais do Serviço Nacional de Saúde, forças de segurança e às pessoas com 50 ou mais anos com insuficiência cardíaca, doença coronária, insuficiência renal e doença respiratória crónica com suporte ventilatória; na fase 2, damos atenção aos pacientes com mais de 65 anos sem patologias e um segundo grupo, entre os 50 e os 64 anos, com diabetes, hipertensão e outras patologias crónicas; e, depois, uma terceira fase para o resto da população. Consideramos muito importante esta justiça social que existe no processo de vacinação, que tem três objetivos: minimizar a pressão sobre o SNS, proteger as populações mais vulneráveis e, por fim, a revitalização do tecido económico e social. A população do Oeste será vacinada em função desta equidade.

Mas a situação no Oeste está a agravar-se…
Tenho muito orgulho de ser do Oeste e, por isso, quero aproveitar para deixar uma mensagem de confiança e de esperança, relacionada, precisamente, com a vacinação. Atravessámos um período do Natal e Ano Novo e ainda não temos noção do impacto que teve a nível nacional nos números de infeções e as avaliações ainda não podem ser feitas na plenitude. Mas tenho esperança na vacinação. Além disso, quero também deixar um agradecimento aos profissionais de saúde da região, dos diferentes agrupamentos de Centros de Saúde e dos Centros Hospitalares de Leiria/Pombal e do Oeste, e a todos os médicos de saúde pública, porque têm-se revelado inexcedíveis na sinalização dos casos e na prestação dos cuidados de saúde.

Onde encontrou forças para enfrentar a pandemia?
Encontramos sempre força nos outros. Quem é do terreno e um profissional de saúde tem de encontrar forças naquilo que é a ajuda ao próximo. Só assim faz sentido estar nesta profissão. Quem vai para estas profissões encontra forças nos outros. Nada faz sentido sem os outros. Tem sido um processo muito difícil, mas vou buscar forças a esta luta que temos mantido todos os dias. O importante é nunca desistirmos, sabendo que teremos momentos melhores e piores, mas nunca baixando os braços.

Não temeu ser mal interpretado quando se emocionou naquela conferência de imprensa?
As emoções não se premeditam. Somos seres com inteligência emocional, inteligência cognitiva, mas não podemos premeditar as emoções. Com toda a sinceridade, aquele dia foi muito bom para muitos nós. Mas também vivemos dias muito maus, quando tivemos o recorde de óbitos. Já passámos pelo melhor e pelo pior nesta pandemia, mas o importante é nunca desistir. Tenho pena que não tenha voltado a acontecer um dia daqueles, sem mortes. Quanto às emoções, ninguém as premedita. Umas vezes são mais bem interpretadas outras vezes são mal interpretadas. O que estava ali em causa era, apenas, os 0 óbitos.

O facto de ser médico e um conhecedor da realidade deixou-o em melhor posição para desempenhar as funções nesta crise?
Sempre exerci a minha profissão com muito gosto e orgulho e, nesse trajeto, pude obter um conhecimento do terreno e da sensibilidade dos profissionais de saúde e das condições de trabalho que me terão habilitado de outra forma. Penso que sei quando os profissionais se sentem alegres e também consigo perceber quando sucede o inverso. Isso constitui, sem dúvidas, uma vantagem mas tenho de ser capaz de traduzir esse privilégio nas ações que executo enquanto decisor político.

Mas foi devido a essa ação que acabou por ser promovido no interior do Governo?
Não se tratou de uma promoção. Existiu uma reorganização no Ministério da Saúde e, em função disso, passei a ser secretário de Estado Adjunto. Politicamente encaro isso com grande normalidade, porque entendo que a política não é uma profissão, é uma missão. Devemos desempenhar os diversos cargos políticos com sentido de missão pública. É assim que encaro este ou outro cargo público. Sempre com a noção de cumprir uma missão.

Estamos a viver uma terceira vaga da pandemia? Muitos especialistas garantem que é o que está a acontecer…
Ainda não sabemos e só mais para o fim da semana é que poderemos ter uma posição mais definida sobre se esta é, ou não, a terceira vaga. Estamos à espera dos números para perceber o que se passou no Natal e Ano Novo e, nesse sentido, creio que os próximos 15 dias serão um bom período de avaliação, para perceber se estamos perante essa terceira vaga.

Muito se tem falado de um futuro hospital no Oeste ou até de dois hospitais. Para o Governo, em que ponto está o processo e qual a sensibilidade do secretário de Estado da Saúde para as necessidades das populações desta região?
A informação que tenho é que estava a ser executado trabalho técnico, na sequência de uma parceria entre a Comunidade Intermunicipal do Oeste, o Centro Hospitalar do Oeste, a Administração-Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, tendo sido entregue à Universidade Nova de Lisboa a realização de um estudo técnico. Entretanto, sei que houve uma impugnação da Assembleia Municipal das Caldas da Rainha e que, em função disso, foi lançado um concurso público. Portanto, o que posso dizer é que, neste momento, ainda estamos num tempo técnico e não político para se decidir sobre as prioridades da saúde na região.

Este é um ano de eleições autárquicas. O PS pode manter ou reforçar a posição que tem em termos autárquicos na região?
Temos muito bons autarcas e muito bons quadros nas autarquias. Os autarcas do PS têm feito um excelente trabalho, aliás, direi que quase todos os autarcas do Oeste têm feito um bom trabalho em prol do país e da região. Nestas eleições, acredito que o PS pode reforçar a posição nas Câmaras do Oeste, pois nenhum dos autarcas em funções está impedido de se recandidatar e os novos candidatos têm condições para disputar a vitória.

A passagem pela liderança da Federação Distrital de Leiria do PS foi marcante?
Foi muito importante, porque me permitiu conhecer o terreno do ponto de vista político e confirmar a noção que tinha de que o Oeste é uma região com grandes potencialidades ao nível económico, social e cultural. A minha passagem pela Federação foi também um privilégio, até porque ganhámos praticamente tudo o que havia para ganhar. Vencemos as autárquicas, vencemos as europeias e ficámos a 2 pontos percentuais do PSD nas legislativas, o que foi o melhor resultado de sempre do PS no distrito. É evidente que isso também resultou do bom período de governação do PS. Quando a governação é boa e se tomam as medidas certas nos momentos certos é evidente que as coisas se repercutem nas diversas eleições. ■

 

“É no Bombarral que tenho os meus pais e é para lá que pretendo voltar”

Médico não rejeita vir a desempenhar cargos públicos na região | D.R.

António Lacerda Sales nasceu nas Caldas e viveu a infância no Bombarral, pelo que guarda memórias de uma infância “muito feliz” na região e que, sustenta, o ajudaram a tornar-se na pessoa que é.

Que memórias guarda do Bombarral?
Muito boas. Tive uma infância muito feliz e isso constitui um fator fundamental para, hoje, estar de bem com a vida. Nasci nas Caldas, a minha mãe era professora no Bombarral e o meu pai trabalhava nas Finanças nas Caldas. Só tenho boas recordações. É no Bombarral que tenho os meus pais e é para lá que pretendo voltar.

Foi campeão distrital de futebol pelo Bombarralense, mas há quem diga que era sarrafeiro. Confirma?
Era medíocre… Jogava futebol, porque, dizia a minha mãe, era bom para tratar da bronquite. Sentia-me sempre melhor nos invernos quando jogava futebol e, por isso, ela levava-me ao Bombarralense. Joguei nas camadas todas do clube, só não joguei em seniores, mas não pratiquei apenas futebol. Sempre fiz muito desporto, fiz várias modalidades, e isso constituiu um processo que me permitiu ser o que sou hoje. Todos nós somos uma construção de momentos. Esses momentos ficam para sempre.

Mantém ligação ao Oeste. Admite vir a desempenhar cargos públicos na região, depois de deixar o Governo?
Neste momento estou muito concentrado naquilo que estou a fazer e nas tarefas que tenho pela frente. Nunca recusarei nenhum pedido que o país me venha a apresentar. Aconteça o que acontecer, estarei sempre disponível para a causa pública.

Já conseguiu ir de férias desde que a pandemia se instalou nas nossas vidas, em março do ano passado?
Confesso que ainda não. Tive oito dias de férias, mas tive de voltar a Lisboa e deslocar-me a Évora, num momento particularmente difícil. Acredito que, este ano, serei capaz de tirar alguns dias de férias.

E o Oeste é a região indicada para o fazer e desligar-se de um dia a dia tão exigente como o que tem vindo a viver?
Sim, sem dúvida. O Oeste é um espaço ideal para passar umas férias retemperadoras. Conheço muito bem Caldas, Óbidos, Nazaré ou Torres Vedras e gosto muito de fazer praia na região e de aproveitar outras potencialidades turísticas da nossa região. Pode ser uma boa opção. ■