Esquerda junta-se na defesa de valências hospitalares

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Num manifesto conjunto, BE, CDU e PS apontam o dedo aos responsáveis locais do PSD e CDS pela incerteza no futuro do hospital

O BE, a CDU e o PS caldenses juntaram-se para exortar a população a lutar pela manutenção das valências prestadas pelo hospital local e para apontar o dedo aos eleitos do PSD e CDS-PP nas mudanças que se prevêem na reorganização hospitalar na região. Em causa está a junção do Centro Hospitalar Oeste Norte (CHON) com o Centro Hospitalar de Torres Vedras, criando-se o Centro Hospitalar do Oeste (CHO), tal como foi avançado pela Gazeta das Caldas há duas semanas. Mas mais uma vez, as discussões decorrem no campo da incerteza, porque ainda nada está formalizado.
Já na semana passada o PS caldense tinha manifestado o seu total desacordo quanto à possibilidade do Hospital das Caldas vir a perder valências no âmbito desta reorganização, na qual o centro de decisão poderá ser transferido para Torres Vedras. Os três partidos de esquerda juntam-se agora e acusam “este desgoverno PSD/CDS que quer retirar às populações abrangidas pelo CHON cuidados de saúde que custaram muito a erguer”. Além disso, dizem que “toda a política desta gente tem sido um desastre para o país e para a região”. E por isso mesmo deixam o recado que “a população dos concelhos da sua área de influência não se calará e não o irá permitir”.Os três partidos não se coíbem também de apontar o dedo aos “responsáveis distritais e concelhios do PSD e do CDS” que, dizem, “têm andado a negociar esta afronta pelo menos há cerca de dois meses em absoluto segredo, nas costas da população a quem devem o poder que ocupam”.
Sem rodeios, os três partidos acusam “Fernando Costa, Manuel Isaac e Maria da Conceição de não defenderem os interesses dos cidadãos que os elegeram”.
Para quarta-feira passada (já depois do fecho desta edição), estava marcado um encontro com a população que BE, CDU e PS querem que “se envolva na defesa dos seus direitos”. Nesta sessão estava previsto o lançamento de uma petição que irá protagonizar “uma luta contra aqueles que em Lisboa pensam que governar é unicamente encaixar números, mas também contra aqueles que, entre nós, transformaram uma cidade pujante e centro de actividade económica numa vila em declínio”. Além da petição, os signatários deste manifesto admitem ainda a possibilidade de voltarem à rua para lutarem pela “sustentabilidade do futuro dos mais novos”.
Além da sessão de quarta-feira, a reorganização hospitalar vai ser debatida na Assembleia Municipal das Caldas da Rainha que se realiza na próxima terça-feira, dia 21, a partir das 21h00. Uma sessão aberta à intervenção do público, que se deverá inscrever até ao início da reunião.
A discussão em torno da perda de valências faz-se também nas redes sociais. Nos últimos dias surgiu no Facebook o grupo “Caldas da Rainha – Juntos pelo Nosso Hospital”, que no dia de fecho desta edição contava já com 290 membros.


Autarcas de Alcobaça e Peniche sem informação

Se na passada semana o presidente da Câmara das Caldas, Fernando Costa, reuniu com a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT), do mesmo não se podem gabar os presidentes das autarquias de Alcobaça e Peniche, abrangidos pelo CHON. Depois de fonte da Câmara de Alcobaça ter garantido ao nosso jornal que o executivo ainda não tinha sido informado sobre qualquer alteração, é agora a vez do autarca de Peniche se queixar do mesmo.
No Facebook, António José Correia diz que há quase quatro meses a Câmara de Peniche solicitou uma audiência ao ministro da Saúde, um pedido que foi renovado há três meses pela comissão municipal de acompanhamento do Hospital de Peniche. Mas ”nem uma palavra”, lamenta o autarca.
Preocupado com as recentes notícias que dão conta de grandes mudanças na organização dos hospitais da região, António José Correia afiança que “o presidente da Câmara de Peniche e o presidente da Câmara de Alcobaça não foram informados de nada”. E diz-se indignado com “o desrespeito pelo poder democrático”.
O autarca penicheiro diz que “em conjunto, populações e autarcas saberão defender um direito alienável: a saúde!” e salienta que os presidentes das câmaras do Oeste já solicitaram uma reunião de urgência.
Em Peniche a incerteza quanto ao futuro do CHON foi debatida em sessão extraordinária do executivo camarário. Já em Alcobaça, este deverá ser um tema a abordar na Assembleia Municipal da próxima sexta-feira, dia 24.

Joana Fialho
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