Fernando Costa confirma conflito motivado pelo abastecimento indevido de combustível camarário

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O vereador da Câmara das Caldas, Hugo Oliveira, já fez uma participação no Ministério Público, contra terceiros, por entender que houve uma “intenção clara” de o atingirem na sua honra e dignidade, nas acusações que o ligam ao pagamento de serviços da campanha eleitoral de 2009 com gasóleo da autarquia. O autarca afirma que está em causa o seu bom nome e quer saber quem está por detrás do que diz ser uma cabala politica, que surge na altura em que mostra a sua disponibilidade para ser candidato à Câmara pelo PSD.
Também o presidente da autarquia, Fernando Costa, quer propor que a Câmara envie para o Ministério Público o caso do abastecimento de gasóleo por parte da empresa Mais Produções em troca de serviços à autarquia.
O autarca vai levar o assunto à sessão de Câmara para que o restante executivo decida qual a posição a tomar. Ainda assim, Fernando Costa defende que o assunto seja analisado pelas autoridades judiciais porque presume que o empresário “levantou gasóleo a mais e há lesão dos serviços da Câmara” e porque também considera que foi alvo de “chantagem” pois ao deixar de contratar os serviços da empresa Mais Produções, o responsável disse querer cobrar a factura dos serviços prestados ao PSD durante a campanha eleitoral de 2009.
Fernando Costa afirma que teve conhecimento deste assunto em Abril do ano passado, pelo funcionário da bomba de combustível da autarquia e, pouco tempo depois mandou instaurar um inquérito preliminar no sentido de averiguar a quantidade de combustível utilizada pelo empresário e os locais para onde este era utilizado.
“Estamos a ver se abusou ou não”, disse o autarca à Gazeta das Caldas, acrescentando que os mais de oito mil litros de gasóleo gastos entre 2008 e 2011 lhe parecem um pouco excessivos. Ainda assim, e ainda de acordo com Fernando Costa, o empresário alegou que tem mais gasóleo a receber dos espectáculos realizados na Foz do Arelho.
Questionado sobre se os vereadores do PSD tinham conhecimento do que estava a acontecer, Fernando Costa disse que os informou quando soube da situação e mandou averiguar as quantidades envolvidas. Para além disso, o autarca refere que se tratava de “um processo normal, com mais de 10 ou 15 anos, os empresários, depois de um espectáculo, irem abastecer o gerador”.
Foi também em Abril do ano passado que Fernando Costa soube que Alberto Pinheiro não tinha facturado as despesas realizadas na campanha autárquica do PSD de 2009, durante uma conversa em que o empresário lhe veio pedir explicações por já não fazer mais trabalhos para a Câmara.
“Disse-lhe que se não apresentou as contas ao PSD, devia de as apresentar, a Câmara é alheia a isso”, contou, acrescentando que tinha conhecimento que Alberto Pinheiro tinha prestados serviços à campanha do seu partido, mas desconhecia que não os tinha facturado.
Nas explicações que deu em sede do PSD, o mesmo empresário terá dito que não facturou os serviços da campanha eleitoral do PSD – partido do qual é militante – porque “desejava oferecê-los, mas como a Câmara se recusou dar-lhe mais trabalho nos eventos municipais, terá que os facturar”, explicou o autarca. E a factura pelos serviços praticados durante a campanha, e que compreendem o aluguer do camião e som, é de cerca de 9 mil euros, um valor que Fernando Costa também considera exagerado.
Contactado pela Gazeta das Caldas, o empresário Alberto Pinheiro disse que estava a preparar um comunicado sobre este assunto que iria tornar público ainda esta semana.

Fátima Ferreira

fferreira@gazetadascaldas.pt