Localização do novo Hospital debatida na Assembleia da República

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A comitiva das Caldas e de Óbidos assistiu à discussão das petições na Assembleia da República

Cabe ao atual governo decidir sobre a localização do equipamento. Na Assembleia da República os partidos defenderam a “urgência” na sua construção, mas diferiram quanto à decisão do anterior ministro da Saúde

As duas petições, uma pela construção de um novo hospital central do Oeste nas Caldas da Rainha e outra por um hospital para todo o Oeste (que divergem na localização da obra) foram debatidas na Assembleia da República, na tarde de 16 de maio. Esta discussão pôs fim a um trajeto de dois anos que, nas Caldas, mobilizou os partidos, movimento de cidadãos e a comunidade.
A deputada eleita pelo PAN, Inês Sousa Real, foi a primeira a intervir para propor que seja “mantida a decisão” tomada no anterior governo e que haja garantias de um plano de reformulação dos hospitais que integram o CHO. “Estes hospitais devem ser reconvertidos e aproveitados numa aposta de saúde preventiva, que possa também prestar cuidados de saúde primários”, defendeu. Já para Rodrigo Saraiva, da Iniciativa Liberal, cabe ao novo governo tomar a decisão, desde que “decida rápido e avance”. O deputado falou ainda da necessidade de se avaliar a possibilidade de avançar com parcerias público-privadas (PPP) para a construção e ou a gestão clínica do novo equipamento.
Posição contrária tem o PCP, para quem as PPP “não são solução” e quer ver a construção de um “hospital público no Oeste no decorrer da atual legislatura”, acompanhada pela intervenção nas instalações do CHO. Também o LIVRE não se comprometeu com a defesa de uma localização, decisão que entende caber ao governo. É, no entanto “essencial que sejam asseguradas as acessibilidades para as populações aceder ao novo equipamento”, disse Paulo Muacho.
Gabriel Mithá Ribeiro, do Chega, entende que a ministra da Saúde e o primeiro ministro “têm o dever” de clarificar se a localização é para manter no Bombarral ou se será transferida para a área territorial entre Caldas e Óbidos. “Importa saber se o PSD se vai submeter à decisão do PS”, disse o deputado, acrescentando que o ex-ministro não chegou a decidir sobre o modelo de gestão para o equipamento e que o problema se arrasta há duas décadas, com o CHO a perder capacidade de resposta.
O deputado socialista, André Rijo, salientou que a solução defendida consta da pasta de transição entre governos e que para o PS este tema é claro, “nem um passo atrás, agora é continuar a caminhada que nos leva à construção do novo hospital do Oeste no Bombarral”. O ex-autarca de Arruda dos Vinhos defendeu também o investimento nas instalações do CHO até ao funcionamento do novo hospital, e que seja desenhado, com a OesteCIM, um modelo de mobilidade.
O deputado Miguel Guimarães, do PSD, deixou críticas ao governo anterior por não terem resolvido o problema. Lembrou o tempo em que Ana Jorge foi ministra da Saúde e os anúncios feitos, primeiro para a construção do novo hospital nas Caldas e depois a ampliação do existente, sem que “nada” acontecesse. O vice-presidente da bancada, com a área da saúde, defendeu que é preciso “avaliar e esclarecer” se a metodologia que serviu de base à anterior indicação incluiu a rede de referenciação hospitalar e se o anúncio da eventual localização está alinhado com os instrumentos de ordenamento do território em vigor.
Também João Almeida, do CDS, considera que a “decisão tomada tem de ser legal e respeitar os instrumentos de ordenamento do território que se apliquem à situação em concreto”.

“Uma nova esperança”
Paulo Espírito Santo, primeiro proponente da petição, saiu do plenário com a “garantia de abertura, de uma nova esperança”. Diz que os peticionários sentem-se concretizados, pois “ainda há a possibilidade da localização desta infraestrutura ser no nosso concelho, na confluência das Caldas e Óbidos”. Salienta que cabe agora aos decisores políticos, nomeadamente à Câmara municipal, “agarrar a oportunidade e tudo fazer para que a esperança que se abriu novamente possa concretizar-se nessa decisão”.
Presentes no hemiciclo estiveram representantes das várias forças políticas caldenses, da comissão cívica, e também os presidentes da Câmara das Caldas e de Óbidos. O autarca de Rio Maior não esteve presente por se encontrar em trabalho autárquico em Faro.
Paulo Espírito Santo destacou ainda o papel dos dois deputados caldenses na Assembleia da República, a socialista Sara Velez (na anterior legislatura) e o social-democrata Hugo Oliveira (também na anterior e atual legislatura) na defesa da construção do novo Hospital nas Caldas. ■