“O espaço do centro de direita moderado é muito relevante no distrito de Leiria”

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Os eleitores do distrito voltaram a dar a maioria à direita nas últimas legislativas

Deputados eleitos pelo círculo eleitoral de Leiria comentam resultados e apontam prioridades que levam para a Assembleia da República

O distrito de Leiria voltou a ficar pintado de laranja, com a vitória da AD, que elegeu cinco deputados e obteve mais de 34 mil votos em relação ao PS, o segundo partido mais votado. O agora deputado, Telmo Faria, destaca o resultado eleitoral “histórico”, que “afasta o PS do poder”. Relativamente ao distrito regista a qualidade da lista de candidatos (com o caldense Hugo Oliveira em segundo lugar), que conseguiu “destronar o PS, que tinha ganho há dois anos, e subir a votação em quase15 mil votos”, refere à Gazeta das Caldas. Telmo Faria realça ainda que se juntarem a votação da Iniciativa Liberal (IL), que obteve 15.440 votos, “vemos que o espaço do centro de direita moderado é muito relevante no distrito”.
A vitória da AD permite desenvolver, no país, um “projeto político de mudança mas conduzido pela direita moderada”, acredita o eleito. Olhando para o crescimento do Chega, Telmo Faria pediu responsabilidade. “Seria muito importante que essa direita fosse responsável e permitisse que o partido mais votado possa governar o país, assegurando a estabilidade”, vincou. “Já temos uma maioria de deputados em relação ao PS, temos um parceiro pré-indicado que é a IL e essa será a base do governo, não concebemos outra possibilidade”, acrescenta.
Ainda sem governo criado, e sem se conhecerem os novos rostos que estarão nos cargos de decisão, Telmo Faria conta exercer funções de deputado na Assembleia da República. Entre as prioridades estão a urgência de medidas na área da saúde, com respostas à população que não tem médico de família. Quer conhecer a fundo o processo de construção do novo hospital do Oeste, dialogar com as autarquias e com a tutela para a concretização do equipamento. Já no final da campanha criticou a retirada do serviço da neoplasia da mama, a partir de abril, do hospital das Caldas, que considera ser um exemplo de como a gestão da saúde comandada pelo PS está a prejudicar o Oeste”. O deputado da AD defende ainda o avanço da requalificação de vias, a modernização da Linha do Oeste e o incentivo à capacidade exportadora e empresarial do distrito. Inclusivamente, já lançou um desafio aos empresários para a realização de uma grande convenção distrital, anual, “organizando uma voz comum entre todas as forças”, partilhou, destacando a vontade de trabalhar em conjunto, por parte de muitos autarcas da região.

Votação “expressiva” no Chega
O Chega duplicou o número de deputados no distrito e subiu a sua votação em 11 pontos percentuais. Ainda assim, Gabriel Mithá Ribeiro, reeleito deputado, não esconde que gostaria que tivessem crescido mais, de modo a triplicar o número de mandatos, de um para três. De qualquer modo, o “crescimento do Chega é de tal modo sustentável ao nível do distrito de Leiria e a nível nacional, que é seguro que a tendência ir-se-á manter nos próximos meses e anos”, afirma.
Para o deputado, a votação “expressiva” que o partido alcançou dá-lhe o “dever” de fazer parte da solução governativa, mas entende que essa integração só fará sentido se se traduzir na melhoria efetiva das condições de vida das populações. Realça o estado de “crise profunda” deixado por oito anos de governação socialista e que “estão em causa desafios incontornáveis da governação como o combate efetivo à corrupção e à falência das mais variadas instituições, serviços estratégicos ou condições de vida como baixos salários, carga fiscal elevada, disfuncionalidades na saúde, ensino, habitação, justiça, descontrolo da imigração ilegal, segurança, entre outros”. Para Gabriel Mithá Ribeiro, uma solução governativa “incapaz de reverter de forma efetiva essas áreas não serve os portugueses e, a haver bloqueios, eles não serão da responsabilidade do Chega”.
Entre as prioridades para o distrito estão a saúde, onde realça a necessidade de avançar de forma efetiva com a construção do Novo Hospital do Oeste, assim como a aposta estratégica no dinamismo socioeconómico, que deve ser impulsionada pela descida de impostos a quem investe e trabalha, mas também por investimentos do poder central em infraestruturas. A aposta na ferrovia e na rodovia, a necessidade de associar o ensino profissional do secundário ao mundo das empresas da região, a resolução dos problemas de poluição do rio Lis, numa estratégia que associe o ordenamento florestal e prevenção eficaz dos incêndios no distrito, são outras das prioridades para o deputado do Chega.

Projeto do PS “não perdeu validade”
Para Eurico Brilhante Dias, cabeça de lista do PS pelo distrito, os resultados em Leiria foram em linha com os do país. Os socialistas elegeram três deputados, menos dois do que nas legislativas anteriores, mas a preocupação do deputado prende-se com o “grande crescimento do partido de extrema direita”, que foi o segundo mais votado em muitos dos concelhos do distrito. Dá nota que o aumento mais expressivo do Chega regista-se nas freguesias menos urbanas e que em distritos vizinhos, como Santarém, venceu em alguns concelhos. Para Eurico Brilhante Dias o país precisa de estabilidade e o “pior que podia acontecer era deixarmos o Chega de mãos livres”, diz, lembrando que foi pedido ao PSD para estabelecer uma linha vermelha com o Chega, mas que “essa linha vermelha foi sempre sendo ténue”. Lamenta que o governo do PS não tivesse chegado ao fim da legislatura e lembra que, na semana em que se assinalam os 50 anos do 16 de março, “um marco importante para as Caldas e o país, é uma pena que se esteja a celebrar a coragem desses homens com este “caldo” político”.
O deputado eleito garante que vai continuar a defender os interesses de Leiria e realça que, de norte a sul, o distrito está um autêntico “estaleiro”, dando nota das várias obras que estão a acontecer. As empresas estão a “exportar mais do que nunca”, assim como o sector agro-alimentar, acrescenta, realçando que vai trabalhar, agora na oposição, para que se venham a concretizar os investimentos em curso, nomeadamente na Linha do Oeste, Linha da alta velocidade em Leiria, requalificação do IC2 e IC8, estudo sobre o IC11, há muitos anos em papel. “Há um projeto político que não perdeu validade e que continua junto das pessoas”, conclui. ■