Partidos dizem que situação “deplorável” do hospital justifica ajuda de 400 mil euros da Câmara

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Há unanimidade sobre a má resposta do hospital das Caldas aos utentes da região

O PS, PSD e BE vêem com bons olhos a atribuição do subsídio da Câmara das Caldas para investimento no hospital. Já o PCP quer saber quais os critérios para aquele investimento e não noutras obras e o CDS, embora discorde, por princípio, está receptivo a conhecer as justificações da autarquia. Estas são as posições políticas ao anúncio, feito a 15 de Maio pelo presidente da Câmara, Tinta Ferreira, de um apoio de 400 mil euros para a realização de obras na Pediatria e aquisição de equipamento hospitalar.

“Uma medida avulsa”

O CDS discorda “por princípio” que o município atribua este apoio porque “não tem um orçamento com folga para se substituir ao Estado central a quem compete gerir o hospital”, disse o presidente da concelhia, João Gonçalves, à Gazeta das Caldas. E acrescenta, que esse dinheiro vai fazer falta noutras áreas geridas pela Câmara.
Contudo, o responsável centrista reconhece que não podem ser indiferentes ao sofrimento dos utentes, que são obrigados a recorrer a este hospital, mostrando-se receptivo a ouvir os argumentos do presidente da Câmara relativamente a este assunto.
Para João Gonçalves, os 400 mil euros que a autarquia pretende doar ao hospital “farão mossa” no orçamento do município e não vão resolver os problemas desta unidade de saúde, que carece de um investimento largamente superior.
Caso o assunto seja levado à Assembleia Municipal, o CDS ainda não tem uma resposta sobre a intenção de voto. “Teremos que ponderar a virtude desta medida e equacionar se não abre um precedente em que o Estado ainda se desresponsabilize mais pelo nosso Hospital”, diz, acrescentando que esta é uma “medida avulsa” e que não invalida as responsabilidades que a autarquia terá “obrigatoriamente” que assumir a médio prazo, fruto da descentralização de competências na área dos cuidados de saúde primários.

“A Câmara deve contribuir”

Carla Jorge, do BE, diz que “só um investimento sistemático por parte do governo pode dar a resposta adequada” às necessidades de saúde da região. No entanto, “perante a insuficiente resposta do governo, e estando identificadas necessidades urgentes e absolutamente essenciais que prejudicam a população caldense e havendo margem financeira para o realizar, a Câmara deve contribuir para a sua resolução atempada, defendendo a continuidade dos serviços de maternidade”, defende a militante bloquista.
Para se pronunciar relativamente ao sentido de voto, Carla Jorge diz que primeiro tem que conhecer as condições concretas em que as propostas são feitas, devendo estas ser debatidas em Assembleia Municipal.
No que respeita aos cuidados de saúde primários, considera que estes estão garantidos com a construção da Unidade de Saúde Familiar de Santo Onofre e a requalificação do actual centro de saúde.

“O PS nada tem a opor”

Na opinião de José Ribeiro, presidente da concelhia caldense do PS, a Câmara não se está a substituir ao Estado central pois o subsídio referido pelo presidente da Câmara diz respeito à assunção de um compromisso firmado no âmbito de um protocolo entre a autarquia e o hospital relativamente ao estacionamento no Chafariz das 5 Bicas.
José Ribeiro lembra que a utilização daquele parque de estacionamento previa a cedência de património ao hospital e o que aconteceu foi que, em vez disso, a Câmara optou por um valor financeiro. “Trata-se de uma alteração a um protocolo já firmado, no qual a Câmara assumia o compromisso de ceder contrapartidas ao hospital”, diz, acrescentando que esta está apenas a cumprir a sua parte do acordado.
“O PS nada tem a opor” a tudo o que diga respeito a investimentos no hospital, “certos de que o actual conselho de administração saberá quais os serviços e áreas mais necessitadas”, conclui.
“É um pau de dois bicos”

Vitor Fernandes, responsável caldense do PCP, considera que este subsídio da autarquia ao CHO é um “pau de dois bicos”. Reconhece, por um lado, que o hospital está numa situação “deplorável”, com falta de recursos humanos, de instalações e de equipamentos, e que todo o dinheiro é bem vindo para servir as pessoas. Contudo, entende que quem deveria fazer este investimento é o Estado através do Ministério da Saúde.
“Temos que ver em que termos a verba vai ser disponibilizada para o hospital”, disse, acrescentando que a Câmara não tem transferência de competências nessa área e terá que se perceber da sua legalidade. E recorda que há outras obras importantes que não se concretizam por falta de dinheiro como é o caso da EN 360 que liga Caldas a Santa Catarina.

“Acho que a Câmara está a agir bem”

Também o presidente da concelhia social-democrata caldense, Hugo Oliveira, entende que a Câmara não se deve substituir à administração central nas suas obrigações, mas neste caso concorda que a Câmara tome esta opção. “Se um autarca está a sentir a dificuldade porque o não investimento prejudica os caldenses que são utentes do hospital, tem que dizer que está disponível para ajudar”, disse o também vice-presidente da Câmara.
Hugo Oliveira lembrou que a autarquia também já ficou com a concessão do Hospital Termal, possibilitando assim a sua reabertura.
O responsável social-democrata explicou que o protocolo não está terminado, mas que já havia um entendimento relativamente à cedência de um edifício localizado por detrás do Espaço Turismo, e que não o fazendo, entrega a verba compensatória. “Acho que a Câmara está a agir bem”, disse.