Poucas férias para os candidatos às autárquicas

0
1473
Poucas férias para os candidatos às autárquicas

Os candidatos têm tempo para férias quando as eleições estão à porta? Que destino escolhem e durante quanto tempo? Desligam da vida política durante esse período?
Quisemos saber como é, em tempo de férias, a vida de um candidato a dois meses das eleições e por isso fizemos o seguinte questionário aos que concorrem às câmaras das Caldas da Rainha e de Óbidos

 

1. Para onde vai de férias este ano e porquê esse destino?

2. O que mais gosta de fazer durante esse período de descanso?

3. Também dará descanso ao telemóvel e/ou ao tablet, ou estarão ligados?

4. Que livro ou livros leva na bagagem?

 

CALDAS DA RAINHA

Lino Romão (BE)

1. Este ano as férias serão divididas em dois períodos mais curtos: cinco dias no Algarve em meados de Agosto, na zona de Aljezur e Odeceixe, essencialmente para “secar o esqueleto” ao sol algarvio. Depois um segundo período de quatro dias em Outubro, nas termas de Longroiva, zona de Foz Côa, onde a minha companheira tem algumas raízes familiares. Até lá aproveitar algumas tardes ou fins de tarde na Foz do Arelho, para sintetizar vitamina D e o iodo proporcionado pela riqueza do ambiente lagunar.

2. Fazer muito pouco. Ficar numa atitude mais contemplativa e além de ler e dormir, confeccionar e experimentar algumas refeições mais elaboradas para as quais não há muito vagar no dia a dia.

3. Continuo ligado ao mundo, mas apenas disponível para assuntos muito urgentes.

4. Entre os que já comecei e estou para começar a lista andará próxima de: 1.”Questões Permanentes, ensaios escolhidos sobre cultura contemporânea”, António Pinto Ribeiro, 2. “A Sociologia das Organizações”, Philippe Bernoux, 3. “A Memória e a Revitalização da Cidade Termal”, Mariana Esteves Vala (dissertação de Mestrado de uma jovem arquitecta caldense, ainda não editada), 4. “O Livro Negro dos Offshores, como os paraísos fiscais estão a destruir a nossa sociedade e o que fazer para os controlar”, Richard Murphy,

5. “Poemas Quotidianos”, António Reis.

 

José Carlos Faria (CDU)

1. As férias serão nas Caldas da Rainha, com incursões pontuais ao sabor da inspiração do momento. Isso deve-se sobretudo a obras em casa e também a um regime de «descanso activo» para a preparação dos projectos e temporadas futuras no Teatro da Rainha.

2. Todavia, em período de descanso, o que realmente mais me agrada é dar corpo àquilo que Paul Lafargue, genro de Karl Marx, chamava o inalienável Direito à Preguiça!

3. Tablet, não tenho (o que mais se poderia aproximar é na versão chocolate). O telemóvel continuará ligado, claro.

4. Por mim, estou entregue às 879 páginas do “O Bom Soldado Svejk”, de Jaroslav Hasek e ao “Euro, Dívida, Banca – Romper com os constrangimentos, desenvolver o País”, que, se me é permitida a sugestão, recomendo vivamente. Para além disso, por razões de trabalho, releituras, com cotejo do original para português, de “Henrique IV, partes 1 e 2”, “Henrique V” e “As Alegres Comadres de Windsor”, de William Shakespeare; “O Barbeiro de Sevilha”, “As Bodas de Fígaro”, “Parades” e “La Mère Coupable” (não há edição portuguesa, e se sobrar tempo lá calhará a tradução) de Beaumarchais; mais todo o Luiz Pacheco, todo o Álvaro de Campos e Alberto Caeiro, a que se juntam obras dispersas e avulsas de Fernando Pessoa.

 

Luís Patacho (PS)

1. Fiz uma semana de férias, no final de Julho, para um destino de praia, que é o preferido pela família nesta época do ano.

2. No Verão dou prioridade à praia e aproveito sobretudo para ler, viajar e relaxar uns dias da intensidade da vida quotidiana.

3. Não é fácil desligar o telefone, sobretudo este ano, mas a bateria durou mais tempo, sim.

4. Este ano levei A Guerra do Fim do Mundo, de Vargas Llosa, Guerra e Paz, de Tolstói, e diversa documentação autárquica.

 

Rui Gonçalves (CDS/PP)

1. Terei férias só em Outubro. Quando me envolvo em algo, dedico-me por inteiro e uma candidatura à Câmara Municipal é algo muito sério e como tal, para encarar com total responsabilidade e concentração. Nesse sentido, só após esse período terei alguns dias de férias, muito necessitadas, aliás.

2. Não tenho um destino ainda definido, mas será em Portugal, não numa praia, porque essa temos a Foz do Arelho, das melhores do país, na minha opinião, aqui à nossa porta, mas em local e ambiente o mais calmo possível, irão ser certamente.

3. Não darei descanso ao telemóvel, nem ao “tablet”, porque mesmo que politicamente seja possível, porque uma equipa funciona sempre, em termos profissionais é difícil e por outro lado, não resisto a manter-me informado. No mundo de hoje, em apenas um dia tudo pode mudar.

4. Não tenho ainda decidido que livro ou livros vou levar. Até lá ainda muito se lê e coisas novas aparecem.

 

Tinta Ferreira (PSD)

1. Este ano faço apenas alguns dias de férias na nossa região (não é possível afastar-me muito por força dos processos de candidatura e da preparação da campanha eleitoral).

2. Ler e conviver com a família.

3. Estão ligados, mas em silêncio nos períodos de lazer (regularmente devolvo as chamadas).

4. Este ano tenho que confinar-me aos jornais e revistas da actualidade. Não tenho dias suficientes para uma leitura tranquila.

 

ÓBIDOS

 

Carlos Pinto Machado (CDS/PP)

1. Este ano não vou tirar férias por dois motivos: o primeiro, por motivos profissionais, pois estou a desenvolver um projeto na área turística em Óbidos e que exige muita dedicação da minha parte. O segundo porque estou cuidadosamente a preparar a minha candidatura autárquica para as eleições do próximo dia 1 de Outubro de 2017.

2. Quando posso descanso e leio, mas como adoro praia, dou uma escapadela sempre que possível.

3. Infelizmente não pelas razões já referi.

4. Estou presentemente a ler a biografia do Paiva Couceiro, uma figura ímpar da nossa História do qual sou admirador e que foi o protagonista da “Monarquia do Norte”

 

Humberto Marques (PSD)

1. Este ano vou de férias, com a família, para o Algarve. Será apenas uma parte das férias, uma vez que os restantes dias, vou passá-los no meu concelho de Óbidos, aproveitando aquilo que a Natureza nos oferece.

2. Para além de poder estar muito mais tempo com a minha família, aproveito para ir à praia, ouvir música e, acima de tudo, ler.

3. Pelo facto de ser presidente da Câmara e pelo facto de considerar este cargo uma missão, nunca desligo o telefone. Estou sempre contactável.

4. Levo um livro que comecei a ler um pouco antes de ir de férias que fala sobre inteligência multifocal. Levo um outro muito interessante sobre “Pais brilhantes, professores fascinantes”.

 

João Paulo Cardoso (BE)

1. Este ano vamos em Agosto, rumo ao Sul, para um destino que ainda não conhecemos bem. Procuramos sempre um lugar adequado para crianças, com experiências diferentes e enriquecedoras.

2. Alguma praia, mas sobretudo conhecer e dar a conhecer aspetos da história e da cultura local e, claro, fazer turismo gastronómico.

3. Dar-me-ei o descanso possível dos gadgets eletrónicos.

4. Prefiro manter-me informado através da leitura de jornais diários e de algum periódico que traga artigos interessantes.

 

Vítor Rodrigues (PS)

1. Este ano devido aos compromissos da minha candidatura não será possível usufruir dos dias que habitualmente fazemos de férias em família no final de Agosto.

2. Durante o período de descanso gosto de me dedicar inteiramente à minha família, ir à praia, piscina, fazermos visitas de carácter cultural, histórico, conhecermos novas praias fluviais. Se oportuno, gosto imenso de sair sem destino predefinido.

3. Normalmente durante esses períodos tenho o telemóvel ligado, contudo só acedo ao final do dia.

4. Gosto de aproveitar esses momentos para me dedicar aos periódicos. No entanto, levo alguma literatura comigo, como, por exemplo, “O Método de Steve Jobs” de Jay Elliot, “Ferramentas de Coaching Educativo” de Juan Fernando Bou Pérez…. Literatura que me ajude na minha forma de ser, pensar, agir e trabalhar.

 

Rui Raposo (CDU)

1. Embora esteja de férias em termos profissionais, não estarei no plano da actividade política. Estamos muito em cima das eleições autárquicas e tarefas para executar não faltam. Muitos contactos e visitas no concelho de Óbidos. Deste modo, este período de férias, curto, terá por centro a residência.
2. Em período normal de férias – que não este – os gostos inclinam-se para descansar, ler e passear cá dentro.
3. O telemóvel e o computador (não tenho tablet) não irão estar de férias, atendendo às circunstâncias.
4. Na mesinha de cabeceira e a entrar pelas férias dentro, releio “Gabriela Cravo e Canela” de Jorge Amado e leio “A Crise do Capitalismo: Capitalismo, Neoliberalismo e Globalização”, de António Avelãs Nunes.