PS das Caldas crítica estado de degradação das instalações do Centro da Juventude

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O PS das Caldas critica o estado de degradação do edifício do Centro da Juventude, mas a Câmara diz que o mesmo vai ser alvo de obras | B.R.

Instalações degradadas, falta de modernidade nos equipamentos e um plano de actividades pouco atractivo para os jovens são as principais críticas ao Centro de Juventude apresentadas no comunicado divulgado pela vereação socialista caldense no dia 26 de Agosto. A Câmara das Caldas responde assegurando que a necessidade de intervenção no edifício já estava identificada e que a sua reabilitação está integrada numa candidatura do PEDU a fundos comunitários.
Gazeta das Caldas apurou que as restantes forças políticas da cidade partilham da opinião do PS e consideram que existe má gestão do Centro da Juventude.

“Centro de juventude em degradação: o resultado de uma política de juventude sem rumo” é como se designa o comunicado, publicado no blogue vereadorespscaldas.blogspot.pt/ após a apresentação do relatório de actividades e contas da ADJCR (Centro da Juventude) relativo a 2015. O PS das Caldas afirma-se preocupado com o “avançado estado de degradação das instalações da ADJCR” e acrescenta que este resulta de “ausência inaceitável de quaisquer intervenções de manutenção durante anos”.
A vereação socialista fala mesmo na existência de negligência que originou um equipamento pouco moderno que “em vez de ser atraente para o público jovem revela-se, pelo contrário, totalmente inadequado para os fins meritórios que procura prosseguir”.
Infiltrações, erros “grosseiros” de concepção e de escolha de materiais, assim como equipamento informático insuficiente (existe apenas um computador disponível aos jovens e, por sua vez, “também ele arcaico”) são as principais falhas apontadas pelo PS caldense. Falhas que “tornam actualmente impraticável o usufruto dos diversos espaços do Centro da Juventude”.
Após uma análise ao relatório das actividades da ADJCR, os socialistas concluíram que existe um sector etário (inferior a 18 anos) que não estabelece com o Centro da Juventude qualquer relação, familiaridade ou contacto, o que “põe em causa o próprio objecto e propósitos da associação para a juventude”.
O PS pede uma intervenção imediata nestas instalações, assim como um novo plano de acção para a ADJCR que permita aos seus responsáveis terem as condições básicas para exercerem correctamente o seu mandato.

“JÁ FOI APROVADA REABILITAÇÃO”

Contactado pela Gazeta das Caldas, o Centro da Juventude não respondeu. Mas Hugo Oliveira, vice-presidente da Câmara com o pelouro da juventude, assegurou que “a necessidade de intervir no edifício do Centro da Juventude já estava obviamente identificada, tendo sido o assunto tratado em reunião de executivo de Câmara”. E acrescentou que já foi aprovada a reabilitação do Centro da Juventude e que esta está integrada no PEDU (Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano), cujo projecto se encontra em desenvolvimento para uma candidatura a fundos comunitários.
Sobre o relatório das actividades do Centro da Juventude, Hugo Oliveira disse que “as acções promovidas, assim como a adesão aos respectivos eventos, registam resultados muito positivos. Estamos satisfeitos com o trabalho desenvolvido, sem prejuízo de se procurar sempre melhorar com os meios disponíveis que, como se sabe, são escassos”.

OPOSIÇÃO CONCORDA COM PS

Gazeta das Caldas procurou saber qual a posição dos restantes partidos caldenses sobre esta matéria e todos manifestaram partilhar a mesma opinião que o PS. Mais: a oposição mostrou ainda discordar da forma como o Centro da Juventude tem sido gerido, referindo-se a esta associação como “subsídio-dependente” da autarquia. Este ano o orçamento da ADJCR foi de 132,6 mil euros tendo a Câmara contribuído com 110 mil euros.
Vítor Fernandes, do PCP, disse que “as preocupações do PS têm razão de ser” e que “é tempo de se tomarem medidas relativamente à gestão do Centro da Juventude”. O dirigente defende que os subsídios camarários – “que são dinheiros públicos” – só deveriam ser atribuídos à ADJCR (bem como a outras associações semelhantes) após estas apresentarem um plano de actividades. “Acontece o contrário e nós ficamos na dúvida se o dinheiro é bem aplicado”, acrescentou, relembrando ainda a polémica do ano passado sobre a substituição de Bruno Letra pelo actual director Rogério Rebelo. “É mais um exemplo de falta de transparência e clareza na gestão daquele espaço que está sob controlo do PSD e da JSD”, disse.
Recorde-se que Bruno Letra recebeu 27 mil euros de indemnização pagos pela Câmara.
Em nome do BE, Lino Romão afirmou rever-se no comunicado do PS e criticou a política da autarquia que “investe nas obras, mas depois deixa as instituições a funcionar com os serviços mínimos, sem pessoal nem uma programação capaz de cumprir a sua missão”. O bloquista comparou o caso da Juventude com o Centro de Artes das Caldas, afirmando que também este podia estar ao serviço da população com programas culturais apelativos, mas que não está a ser utilizado para tal.
Lino Romão equiparou a ADJCR a uma “barriga de aluguer, que não é mais do que uma extensão da autarquia”, e propôs a criação de uma empresa municipal que se encarregue da gestão deste tipo de associações, profissionalizando-as e escrutinando os seus orçamentos.
Já Margarida Varela, presidente da concelhia caldense do CDS, afirmou que “é um facto que as instalações do Centro da Juventude se têm vindo a degradar e que a juventude caldense não se revê naquele que, deveria ser, um polo de atracção juvenil”. A dirigente acrescentou que não compreende por que razão a ADJCR não gere as suas receitas mínimas suficientes para se modernizar e autopromover. Em vez disso, “vive como subsídio-dependente quando deveria dar um bom exemplo de gestão aos mais jovens, incentivando-os a não ‘viver à custa dos pais’”, realçou.