“Somos um partido de causas e não de interesses económicos”

0
117

O ambiente e a emergência climática são as prioridades do PAN para o distrito, onde procura eleger pela primeira vez um deputado

O Partido das Pessoas, dos Animais e da Natureza (PAN) nunca elegeu deputados por Leiria, mas a cabeça de lista, Liliana Vieira, mostra-se confiante e revela as prioridades do partido para estas legislativas.

O que a fez aceitar liderar a lista do PAN nas legislativas?
Sou uma pessoa de causas e revejo-me nas causas do PAN. Filiei-me em 2012, segui o partido desde a fundação e acredito na sua mensagem. Acredito que conseguimos um futuro melhor para as próximas gerações vivendo em harmonia pessoas, animais e natureza. Aceitei o desafio com forte responsabilidade.

Há dois anos o PAN cresceu relativamente a 2015 mas ficou distante (cerca de 14 mil votos) de eleger um deputado. Qual a expetativa para estas eleições?
O nosso objetivo é sempre eleger. Essencialmente, queremos passar a nossa mensagem, mostrar que somos um partido de causas e não de interesses económicos. Estamos diretamente ligados aos cidadãos e aos seus problemas. Queremos, através do poder central, trazer soluções para os problemas do distrito de Leiria. Na rua, as pessoas reconhecem o nosso trabalho e a importância do PAN no panorama político nacional. Estamos confiantes.

Quais as prioridades do PAN para o distrito?
Começam pela questão ambiental e a emergência climática. Temos em Leiria vários problemas ambientais, nomeadamente as suiniculturas e as descargas de efluentes suinícolas. Destroem os ecossistemas, são imensamente prejudiciais para o meio ambiente mas também para a saúde pública. Têm de terminar. Ao longo dos anos, tantas soluções têm sido postas em cima da mesa e, no fundo, continua praticamente tudo na mesma.

Que solução apresenta o PAN?
Aumentar a fiscalização; capacitar melhor os profissionais do SEPNA [Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente]; recuperar a figura do guarda-rios; incentivar os industriais a ajudar no processo de tratamento dos efluentes – não pode ser o contribuinte ou o Estado sozinho a pagar pela poluição feita pelos industriais ao longo de décadas. E temos de pensar já na recuperação dos rios e solos envolventes, porque as descargas destroem a flora e fauna e levam ao aparecimento de espécies invasoras que evitam a regeneração natural.

É suficiente o que está a ser feito para mitigar os efeitos das alterações climáticas?
Qualquer passo que é tomado, é positivo. Agora, é claramente insuficiente. Estamos a sete, oito anos do ponto de não retorno e temos de fazer alguma coisa já. Temos de mudar a nossa forma de viver, quer a nível pessoal, quer em sociedade. Cada um pode fazer pequenas mudanças, mas claro que os governos dos estados no mundo inteiro têm de tomar medidas mais drásticas.

Qual a posição do PAN relativamente a Monte Real e à Linha do Oeste?
O PAN defende a mobilidade suave, no sentido de incentivar as pessoas a andar a pé e de bicicleta. As redes de transportes públicas têm de ser melhoradas, para serem compatíveis com a vida das pessoas e compense deixar o carro em casa e ir de transporte. O PAN aposta no plano ferroviário 2035, que pretende uma rede ferroviária que ligue todas as capitais de distrito, no sentido de evitar voos de curta distância. Quanto ao aeroporto, entendemos que se deve utilizar os recursos que existem, nomeadamente o aeroporto de Beja. Ele existe, está lá, não há necessidade de construir outro, nem preparar outros para isso.

Na saúde, são recorrentes os problemas no hospital de Leiria e também nos do Oeste. O que propõem para os resolver?
Vemos os hospitais completamente entupidos, nomeadamente as urgências, e uma das principais causas é a diminuição da capacidade de resposta dos cuidados de saúde primários. As pessoas são obrigadas a ir ou ao privado ou ao hospital. Temos também profissionais de saúde exaustos. Precisamos de mais profissionais em determinados setores mas precisamos, ainda assim, de lhes dar melhores condições de trabalho, com equipamentos e material adequados, remuneração adequada, revisão apropriada das carreiras. Não é só contratar, é fixar os que lá estão e motivá-los a trabalhar. Além disso, é necessário implementar nos cuidados de saúde primários a nutrição e a psicologia. Nas últimas décadas só apostámos no combate à doença e temos de apostar na prevenção.

O partido tem crescido, mas 2021 foi difícil, com o caso de Inês Sousa Real. Até que ponto prejudicou a imagem do PAN?
Não acredito que tenha ficado prejudicada. O PAN está a incomodar alguns sectores e foi uma forma de tentar travar [o crescimento] e procurar dar uma má imagem. As pessoas conseguem perceber perfeitamente que era essa a intenção. ■

Manuel Leiria
*Entrevista conjunta REGIÃO DE LEIRIA/GAZETA DAS CALDAS