As road trip são muito comuns nos Estados Unidos da América, mas ganham adeptos por todo o mundo. São viagens calmas de automóvel, entre família ou amigos, que permitem apreciar tudo o que se encontra pelo caminho e, sobretudo, descobrir. E o Oeste tem muito para descobrir

Com uma diversidade de territórios tão grande, o Oeste é o cenário ideal para uma road trip de vários dias, que permita aproveitar o melhor de cada concelho, com a vantagem de circular muito menos quilómetros do que numa road trip mais convencional. É esse o desafio que propomos.

Etapa 1: Da Nazaré a Alcobaça

A nossa viagem começa a norte da região e nada melhor do que fazê-lo… a pé. Estamos na Nazaré, ou melhor, no Sítio da Nazaré, porque, lá bem no alto, podemos ter um primeiro vislumbre daquilo que estamos prestes a conhecer, com a vista deslumbrante sobre o oceano, a praia, a vila e uma enorme mancha verde que se ergue em pano de fundo.
É também aqui que se encontra o primeiro local a visitar: o Santuário de Nossa Senhora da Nazaré, que guarda a imagem de uma Virgem Negra esculpida em madeira e trazida de Mérida em 711.
Começar a visita pelo Sítio permite ver a Onda Gigante que sai do Canhão, o Forte de S. Miguel Arcanjo e descer ao centro da Nazaré pelo ascensor. Um passeio pela marginal é obrigatório. Além de colocar o pé na areia da praia, é indispensável conhecer a tradição do Peixe Seco.
De volta ao automóvel, é altura de seguir viagem mas o destino é próximo, cerca de 12 quilómetros até Alcobaça pela N8-5. Sugerimos um pequeno desvio para visitar o Mosteiro de Santa Maria de Cós, onde as monjas de Cister viviam em clausura no apoio ao Mosteiro de Alcobaça, o próximo destino a cerca de 8 quilómetros, no centro de Alcobaça. Património da Unesco, este é um local a não perder. É aqui que se celebra o amor eterno de D. Pedro e D. Inês de Castro, cujos túmulos são visitáveis na Igreja do Mosteiro.
Um passeio pelas ruas envolventes é um convite para degustar a doçaria conventual, muito típica de uma cidade influenciada pela comunidade cisteriense.

Etapa 2: De Alcobaça a Óbidos

O próximo destino leva-nos para a N8 por cerca de 40 quilómetros, até Óbidos, sem esquecer uma passagem pelas Caldas da Rainha. Pelo meio, vai querer fazer um desvio até São Martinho do Porto para ver a baía e caminhar na marginal. No caminho até às Caldas da Rainha privilegie a Estrada Atlântica, tendo o oceano como parceiro de viagem até à Foz do Arelho.
Nas Caldas, a Rota Bordaliana é um dos símbolos da tradição cerâmica da cidade, assente na obra de Rafael Bordalo Pinheiro. A Praça da Fruta e as ruas circundantes são um centro comercial a céu aberto que se tornam também visita obrigatória, assim como os diversos museus que contam uma história intimamente ligada às artes.
De regresso à N8, o caminho segue até Óbidos, cujas muralhas ao fundo vão ganhando proeminência à medida que os quilómetros passam. Cidade Literária da Unesco, Óbidos é um convite à leitura. Mas é também uma viagem no tempo. Passear nas ruas é passear por várias correntes artísticas, com testemunhos do gótico, do renascimento e do barroco. As diversas igrejas fazem deste um retiro espiritual e de introspecção.

Etapa 3: De Óbidos a Peniche

Seguimos viagem pela N8 para Sul e depois pela N114 até Peniche, durante 25 quilómetros. A península, que antes foi uma ilha, é marcante pelas praias com extensão de perder de vista, pelas memórias e pelas paisagens. Destaque para a Fortaleza de Peniche em forma de estrela, que serviu para defender o reino e depois de prisão política durante o Estado Novo. O Núcleo evocativo da Resistência à Ditadura é um dos locais a visitar, assim como o Museu das Rendas de Bilros, tradição local que nasceu do contacto com os marinheiros da Flandres. A ponta do Cabo Carvoeiro é património paisagístico a não perder e é um importante ponto de observação de aves migratórias.
Já que estamos em Peniche, que tal uma viagem de barco até às Berlengas?

Etapa 4: De Peniche à Serra do Montejunto

A N247 leva-nos à Lourinhã, onde o Dino Parque é uma lembrança do passado longínquo da região, quando era dominada pelos dinossauros. Esta é terra da única aguardente DOC nacional, mas se vai conduzir compre a garrafinha, mas não beba, porque o caminho agora é pela serra.
O Planalto das Cesaredas, pela N247-1 é o destino que se segue, um verdadeiro tesouro do património natural do Oeste neste maciço calcário que guarda historia com 140 milhões de anos, que testemunhou até uma das mais importantes batalhas das invasões francesas, a Batalha da Roliça.O Planalto das Cesaredas, pela N247-1 é o destino que se segue, um verdadeiro tesouro do património natural do Oeste neste maciço calcário que guarda historia com 140 milhões de anos, que testemunhou até uma das mais importantes batalhas das invasões francesas, a Batalha da Roliça.
Em direcção ao Bombarral, terra de vinho e Pêra Rocha, há nova paragem no Buddha Eden, um oásis oriental onde os budas e os soldados de terracota impressionam.
Daqui, a N115-1 conduz-nos até ao topo da Serra do Montejunto, no Cadaval, onde terminamos a nossa viagem. A sua Área de Paisagem Protegida é cenário fantástico para uma caminhada em comunhão com a natureza. Para os mais corajosos, o parapente é também uma boa aposta. É também aqui que se encontra a Real Fábrica do Gelo, que permitia à Corte oferecer gelados nos banquetes reais.