A concha azul que embala uma freguesia muito desejada

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Túnel escavado na rocha junto ao cais é um dos inúmeros pontos de atração

Foi sede de concelho durante três séculos, mas perdeu a “independência” para Alcobaça. Pertenceu ao concelho das Caldas da Rainha e, mais tarde, voltou a Alcobaça. São Martinho do Porto é uma pérola. E, felizmente, ainda com muito por explorar

A conjugação entre o casario e a baía, aliada à imponência visual de um areal com cerca de três quilómetros de extensão, tornam São Martinho do Porto numa verdadeira pérola do Atlântico. E embalam uma freguesia muito desejada ao longo dos tempos.
As características únicas desta baía, que se destaca no horizonte como uma verdadeira baía azul, não deixam ninguém indiferente. E, vista de cima, torna-se ainda mais cativante, sobretudo na simbiose perfeita que faz a caminho de Salir do Porto.
Do outro lado da baía, o túnel escavado na rocha permite, a quem o deseje, atravessar o morro de Santo António. Foi aberto em 1948. Outro tesouro precioso (e ainda) tão bem conservada é a Praia da Gralha, enquadrada na Serra dos Mangues.
Na foz do Tornada vislumbra-se uma área de sapal, onde é possível identificar, entre muitas outras espécies, as cegonhas. É a natureza no seu esplendor, num ecossistema único e num território muito antigo.
O território que hoje conhecemos como a freguesia de São Martinho do Porto apresenta registos do Paleolítico Superior e foi parte da Lagoa de Alfeizerão.
São Martinho recebeu foral em 1257, concedido pelo abade do Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça, Frei Estêvão Martins. Seguiram-se mais três forais, o último dos quais assinado pelo punho de D. João III, em 1527.
Foi um importante porto para escoar os produtos dos Coutos de Alcobaça e também teve um estaleiro naval e, depois de mais três séculos, perdeu a “independência” em 1855, sendo integrada no concelho de Alcobaça. Mas esta é uma freguesia disputada, dado que, depois, passou para o concelho das Caldas da Rainha e voltaria, de novo, para Alcobaça. Ainda assim, há cerca de uma década, surgiu um movimento de cidadãos que pretendia a mudança de São Martinho para as Caldas…
Além da pesca, a construção naval teve grande preponderância na freguesia. Não só no período das Descobertas, dado que dali saíram naus, mas ainda no início do século XX, já que foi em São Martinho do Porto que se fez o lançamento, em 1919, do primeiro navio de carga a vapor feito em Portugal, o Apolo.

Pontos de interesse
A igreja matriz, a capela dos condes de Avelar ou o edifício do Colégio José Bento da Silva são apenas alguns dos pontos de visita obrigatórios numa vila que tem uma das mais belas praias do nosso país.
Conhecida pela calmaria das águas, a baía é a verdadeira praia das famílias, tornando-se num destino único de férias. O turismo, aliás, é a grande imagem de marca de uma freguesia que, ainda assim, como tantas outras estâncias balneares, sofre com a sazonalidade e ganha vida nos meses de verão.

O turismo é a imagem de marca da freguesia, devido à baía. Esta é a praia das famílias

Candidatura a património imaterial da Unesco pode dar visibilidade

Depois de décadas de luta pela despoluição, que envolveram a população e entidades através do célebre “Abraço”, a baía ganhou, literalmente, nova vida e, ano após ano, atrai cada vez mais turistas, muitos deles estrangeiros, que optam por ali viver durante todo o ano.
A recente candidatura a património Património Natural e Mundial da Humanidade, que será apresentada à Unesco, pode ajudar a dar visibilidade a esta pérola, com tanto ainda por descobrir.