A importância da Praça da Fruta também se espelha nos negócios que potencia ao seu redor

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Ao redor do tabuleiro tudo gira em torno do mercado diário

Ao redor da Praça da Fruta há diferentes negócios que dela beneficiam. Há, também, vários vendedores que abriram os seus estabelecimentos

A importância da Praça da Fruta não se vê apenas em cima do tabuleiro. Ao redor do mesmo é possível perceber que o mercado potencia uma série de outras negócios. Cafés, padarias, restaurantes, lojas, quiosques… Todos beneficiam da Praça da Fruta e é provável que a maioria fechasse se o mercado diário deixasse de existir.
Por exemplo, um café que tem um conceito de comida saudável podia estar melhor localizado do que em frente à Praça da Fruta? É o caso do Citrus. O proprietário, Hugo Almeida, frisa que a Praça foi fundamental na escolha da localização para a abertura do estabelecimento, em 2017. “Faz todo o sentido, é o nosso principal fornecedor, é a nossa ‘despensa’”, disse, realçando que “a Praça é o que dinamiza a cidade” e que “nos dias mais fracos da Praça isso sente-se no comércio”. Além do estacionamento para ligeiros considera fundamental ter solução para os autocarros de excursões. “Há que ouvir os comerciantes e tentar manter a Praça”, alerta.
Mas ao redor do tabuleiro também há quem não tenha relação nenhuma com a Praça, a não ser a localização. A loja do mestre Rogério há mais de 100 anos vende tecidos, roupa interior e artigos de retrosaria. “Os problemas persistem ao longo das décadas”, frisa Rogério Ribeiro. O estacionamento e a falta de condições são os principais. “Cada vez menos a Praça é um motor para o comércio, não tem comparação com o que era há 20 anos”. No seu caso, o movimento na loja é sempre incerto. “Há dias de Praça cheia que não vendo nada e dias em que a Praça está fraca e eu vendo bem”, afirma. Ainda assim, “havendo mais gente, ajuda”, mas “a Praça hoje é o sábado, o resto dos dias é uma tristeza”.
Em torno do tabuleiro existem também lojas com produtos… da Praça! Ou seja, são vendedores que decidiram abrir os seus estabelecimentos. Lucete e Pedro Bernardo, dos Aperitivos do Oeste, vendem na Praça desde 1995 e em 2020, na sequência da pandemia e da mudança do mercado para a Expoeste, abriram a sua loja, onde vendem azeitonas, frutos secos, entre outros. A loja, que permite um serviço diferente da banca, já tem uma dinâmica própria, mas o mercado é o motor daquela zona. “A Praça movimenta o comércio ao redor, é uma mais-valia, nós tivemos a requalificação do tabuleiro, não havia a Praça e o comércio, os bancos, farmácia, cafés, lojas, começavam a sentir que as pessoas não apareciam, porque tudo aqui gira em torno da Praça”. No mercado “o dia mais forte é o sábado, porque de resto está deserto e não é convidativo no inverno”, nota. “É triste”, afirma, apontando ao excesso de supermercados na cidade, com estacionamento, algo que em torno da Praça “é um caos”. Defende também uma melhoria das condições em que uma cobertura poderia ser solução e nota que os toldos atuais são uma dificuldade e que “deveria haver mais dinamismo da Praça durante a tarde”.
O também vendedor Júlio Baridó, que vê a sogra vender na Praça há mais de 30 anos, há cerca de 15 anos decidiu abrir a loja, D. Quitéria, primeiro até mais vocacionada a servir de “apoio para a banca do mercado, que era fortíssimo, todos os dias”. A loja já tem os seus clientes e, admitindo que o período em que a praça funciona é o de maior movimento, frisa “que “temos sempre gente a entrar e a sair”. Na Praça sente, por exemplo, que “a segunda-feira era o dia mais forte e agora é o mais fraco”. É preciso, frisa, “que os caldenses dêem valor à Praça”. Também ele defende soluções de estacionamento, como parquímetros, a existência de esplanadas no tabuleiro e uma cobertura, que poderia ser amovível.
No Sítio do Costume encontramos Eduardo Pereira, que veio dos Açores e há um ano abriu em frente à Praça a sua loja a vender não só, mas especialmente os produtos da sua terra. “A Praça traz negócio”, afirma. “O sábado é o dia mais forte, cheia de vendedores e de clientes, mas durante a semana há poucos e já nem a sexta-feira é forte como era”. A procura de estrangeiros, especialmente no verão é benéfica, mas no inverno está a sentir dificuldades em faturar para pagar as despesas. “Sente-se a Praça a definhar e talvez seja obrigado a mudar de sítio”. ■