A Semana do Zé Povinho

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Zé Povinho não poderia sentir-se mais feliz com o facto do jovem cineasta João Salaviza, docente na ESAD, ter alcançado o Urso de Ouro na 62ª Edição da Berlinale – Festival de Cinema de Berlim. Trata-se de um dos mais conceituados festivais mundiais dedicados à Sétima Arte e que costuma realizar-se antes da entrega dos óscares em Hollywood.
É obra para um realizador de 27 anos, que já mostrou que vai longe. Outros dos seus trabalhos já foram igualmente distinguidos em festivais portugueses e internacionais. O seu filme “Arena” proporcionou-lhe em 2009 a Palma de Ouro no Festival de Cannes.
O professor João Salaviza merece, pois, continuar a realizar muitos filmes e a somar muitos êxitos. E, já agora, a obter mais prémios. Até porque não lhe faltou uma bem conjugada ironia quando, no momento de receber o galardão em Berlim, o ter dedicado ao governo português, mas só na condição deste “nos ajudar nos próximos anos porque não sabemos o que vai acontecer com o nosso cinema”.
Eis um realizador-docente preocupado com os apoios à Sétima Arte. Boa sorte.

Para a maioria dos portugueses que recebem os subsídios de férias e de Natal a passada terça-feira foi, literalmente, um dia feriado. A maioria das empresas, incluindo as públicas, deu tolerância de ponto, ou já têm este dia incorporado como feriado nos acordos colectivos de trabalho. A CP e a Rede de Expressos puseram em vigor a oferta dos dias feriados. A maioria dos comerciantes não abriu as portas. Os CTT estiveram fechados. Os bancos também. Quem passeasse pelas ruas das localidades (sobretudo daquelas onde não houve desfiles) sentia o ambiente de um domingo ou de um feriado.
O Dr. Passos Coelho falhou. Quis, de forma subserviente, mostrar serviço à troika e cometeu o mesmo erro do Prof. Cavaco Silva quando também era primeiro-ministro e retirou o dia de Carnaval aos portugueses.
Fez mal.
Fez mal porque ignorou o capital (humano, financeiro e até afectivo) investido nas organizações carnavalescas em todo o país.
Fez mal porque perturbou o sector turístico e hoteleiro, sobretudo em algumas regiões do país, que contam com este pico de procura para atenuar as magras receitas da época de Inverno.
E fez mal porque não é cortando um dia de trabalho que aumenta a produtividade e a competitividade do país.
Zé Povinho reitera, por isso, a sua reprovação a esta medida prepotente, tomada por quem parece não ter a noção do país em que vive, embora, pelo menos nela reconheça alguma coerência, uma vez que este governo decidiu também cortar outros feriados aos portugueses.
Pior, contudo, esteve o Dr. Fernando Costa, que há uma semana, armado em grande defensor do Carnaval, prometia dar tolerância de ponto aos funcionários camarários, qual herói capaz de contrariar as decisões do seu supremo líder, Dr. Passos Coelho.
Só que das declarações para o jornais até à prática vai uma grande distância. O presidente da Câmara não informou oficialmente os serviços camarários dessa intenção, não foi assertivo na hora de convencer os seus pares do executivo da “bondade” da sua intenção e – pasme-se! – na terça-feira só pôs os pés nos Paços do Concelho às 16h00. Quem pediu tolerância, ficou com o requerimento por assinar.
Zé Povinho nunca simpatizou com atitudes piegas e mal assumidas e reprova quem mostra firmeza por um lado e pratica a subserviência por outro. Mas não quer deixar de fazer aqui um mea culpa por ter acreditado nas promessas do autarca-mor caldense. Afinal não foi ele que disse várias vezes na televisão que “se não fosse mentiroso não era presidente da Câmara?”