A Semana do Zé Povinho

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Zé Povinho, como qualquer bom português de cepa, é amante do futebol e tem a selecção portuguesa no coração. Apesar dela ainda não lhe ter dado a alegria maior que esperava – a conquista de um título mundial ou europeu – mesmo assim Zé Povinho acompanha todas as suas deslocações e sofre fortemente com o seu pequeno coração as emoções a algumas tristezas que ela lhe dá.
Por isso foi com muita alegria que soube que a Câmara de Óbidos tenha conseguido trazer os jogadores e toda a comitiva portuguesa para a região, na fase da preparação para o Europeu de 2012 na Polónia e na Ucrânia.
A vinda dos jogadores portugueses, que na maioria dos casos jogam permanentemente em clubes estrangeiros e são atracções internacionais de grande peso – demonstrando assim que nem só os portugueses se alienam de forma tão marcada com o desporto rei – vai colocar durante três semanas Óbidos e a região na abertura dos noticiários ou na primeira página dos jornais.
Sabe-se que a vinda da selecção não é coisa fácil, até porque se movimentam muitos interesses, mas a autarquia obidense jogou forte e bem. Já em 2004, quando a selecção estagiou na região, as coisas até lhe correram bem, tendo ido até à final.
Os obidenses, tal como os restantes oestinos, terão boas oportunidades para assistirem à actuação de algumas das estrelas de futebol mundial nos treinos que irão realizar, sendo motivo de atracção e de satisfação para muita gente, especialmente para as camadas mais jovens.
Por tudo isto Zé Povinho saúda e felicita o Presidente da Câmara Municipal de Óbidos, Dr. Telmo Faria, que mais uma vez demonstra como bem se consegue movimentar nos meios do futebol nacional.

As manobras em curso e iniciadas há algum tempo sobre a organização hospitalar em Portugal em consequência do agravamento da crise económica e financeira, mostram tanto de improviso como de necessidade em baixar o mais rapidamente os custos na saúde.
O governo do Eng. José Sócrates já havia tentado de variadas formas e nos mais diferentes níveis de assistência hospitalar e nos restantes segmentos da saúde, tomar medidas que minimizassem gastos e optimizassem a oferta de cuidados. O carácter mais pragmático do ministro Dr. Correia de Campos em encerrar serviços e alterar rotinas tinham-no levado à demissão para calar protestos.
Mas mal os portugueses sabiam o que os esperava, apesar de entretanto a pasta da Saúde ter passado para a Dra. Ana Jorge, uma ministra mais conciliatória. A verdade é que as contas do orçamento ir-se-iam impor drasticamente.
O Oeste, que parecia estar poupado às lutas de outras partes do país em defesa das maternidades, dos centros de saúde, dos  SAMS, etc., até porque a certa altura até se anunciou a construção de novos hospitais, veio a descobrir com este governo do Dr. Passos Coelho e do Dr. Paulo Macedo que a razia se iria também fazer na região.
E tanta é a vontade de reduzir custos e “aliviar lastro” que algumas destas medidas até parecem passar pela entrega “imediata” do Hospital Termal, Mata e Parque à autarquia local e pela reestruturação radical do ex-Hospital Distrital.
Não admira assim que o actual administrador, Dr. Carlos Sá, se queira ver livre de zonas problema que lhe aumentam os custos à gestão do conjunto dos hospitais de Caldas, Peniche e Alcobaça e queira antecipar a transferência dos custos para outras entidades como o município.
A autarquia que há vinte anos se recusou a cumprir o compromisso de pagar ao Centro Hospitalar uns milhares de euros pela cedência do Hospital Santo Isidoro ao Ministério do Ensino Superior, agora, ávida de ficar com todo o património, aceita à primeira um novo encargo que lhe é proposto.
Por muito que o Dr. Carlos Sá diga que não tem a mínima culpa da herança que recebeu, mostra que está a ir pelo caminho mais fácil e a ser um dócil executante das decisões tomadas em Lisboa de abandono das responsabilidades, por mais que tenham o peso da História de Portugal e que resultem de compromissos assumidos por todos os governos ao longo dos últimos cinco séculos.
Zé Povinho compreende-o, mas acha que está a seguir a solução mais fácil.