Alcobaca acolhe estreia de espetáculo sobre novos migrantes

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A plateia está povoada de microfones e o público vai estar no palco a ouvir

“Concerto” é o espetáculo de Tiago Cadete que estreará em Alcobaça nos dias 5 e 6 de maio

O espetáculo de Tiago Cadete, que vai estrear a 5 de maio, 21h30, em Alcobaça, inverte a relação tradicional numa sala de teatro e que se dedica a dar a conhecer a voz de migrantes latino-americanos que vivem em Portugal e em Espanha. Os seus depoimentos formam uma partitura que revela processos migratórios contemporâneos em justaposição com a história colonial. “Quem são esses novos migrantes? E que desejos eles têm quando migram para o país que os colonizou?”, questionase no próprio espetáculo.
“Concerto” coloca o público em palco. Sentados, os espectadores vão ouvir as histórias de migração pela voz dos próprios migrantes, projetadas por vinte colunas negras que povoam a plateia do Cine-Teatro. A plateia torna-se um palco e vice-versa para dar voz aos invisíveis, aqueles que normalmente ninguém escuta.
“Concerto” é um espetáculo de Tiago Cadete que resultou de quatro residências artísticas, em Portugal e na Catalunha, onde trabalhou com dezenas de participantes.
Este espetáculo multidisciplinar contou com a cumplicidade de 20 migrantes latino-americanos residentes em Alcobaça, Pombal e em Granollers (Catalunha), cujos testemunhos compõem o texto da performance. Depois da estreia em Alcobaça, nos dias 5 e 6 de maio, “Concerto será apresentado a 12 e 13 de Maio no TAG – Llevant Teatre que fica em Granollers, na Catalunha (Espanha).
O criador conheceu e recolheu as suas histórias de migração, num processo ao abrigo do projeto Stronger Peripheries: a Southern Coalition, um desafio lançado em Portugal pela Artemrede (coprodutor do espetáculo). Esta nova criação de Tiago Cadete revela pois a voz e os percursos de vários migrantes latino-americanos que escolheram os países da Península Ibérica para viver as suas vidas.
O criador é um artista transdisciplinar que tem trabalhado com os conceitos de história, memória e de identidade. Os seus trabalhos já foram vistos em vários países não só europeus, mas também sul-americanos e asiáticos. ■