Algarve e Madeira num almoço mediterrânico do menu Raízes

0
547
Gazeta das Caldas

IMG_6947 copyA laranja e os frutos secos do Algarve uniram-se ao vinho da Madeira para dar gosto ao almoço do menu Raízes. A ementa prestou culto à dieta mediterrânica que, conforme foi lembrado no final do repasto, mais do que uma dieta é um estilo de vida.
Crê-se que a laranja foi criada na antiguidade através do cruzamento do pomelo (laranja-natal) e a tangerina, tendo sido trazida pelos portugueses, da China para a Europa, durante os descobrimentos. O Algarve é uma região com história na produção deste fruto, havendo registos históricos do século XVIII que referem esta região como exportadora de citrinos.
O facto de ser uma zona mais solarenga permite que os frutos concentrem valores de vitamina C mais elevados. E fique a saber que uma laranja por dia garante a dose diária recomendada desta vitamina.
Para além de serem boas para prevenir gripes e infecções, as laranjas têm benefícios no combate ao colesterol alto, no controlo da pressão sanguínea, na diminuição do risco de derrame, no estímulo do sistema circulatório e das funções intestinais e na correcção da acidez excessiva do organismo.
No menu Raízes apareceu em forma de sumo natural, mas também no chutney do amuse-bouche e na sobremesa (bolo-rei, com gelado de chá e mousse de laranja com redução de vinho da Madeira), que foi servida com raspas de citrinos (lima e, claro está, laranja).
Os frutos secos também estiveram em evidência, como aperitivo, no crumble de amendoim que, com o chutney de laranja, acompanhou o pato no amuse-bouche e também no digestivo criado pelos alunos, com raspas de amêndoa ralada, whisky, licor de avelã, xarope de mel, frangélico, canadian club e clara de ovo.
Já o vinho da Madeira foi aperitivo e foi usado como redução na sobremesa. Apesar de não se saber com precisão quando foram plantadas as primeiras vinhas na ilha, há registos históricos que comprovam que 25 anos depois da colonização, já em meados do século XV, se exportava vinho da Madeira.
O vinho ganha notoriedade internacional e é mencionado em vários casos caricatos, como uma história que envolve o irmão do rei inglês Eduardo IV, que ao ser condenado à morte, escolheu ser afogado num tonel de vinho Malvasia.
Nos Estados Unidos da América a celebração da Declaração de Independência, pelo primeiro presidente, George Washington, foi brindada com um cálice de Vinho da Madeira.
Há também uma história que envolve a passagem de Napoleão pela Madeira a caminho do exílio na Ilha de Santa Helena. Napoleão terá recusado um tonel de Malvasia, oferecido por Henry Veitch, que retornou à origem, sendo engarrafado e, mais tarde, bebido, entre outros, por Winston Churchill, de passagem pela ilha.
A entrada, vieiras com caldo rabo de boi e cenouras, foi apresentada na própria concha destes moluscos. O prato principal foi frango recheado com alheira.
O almoço contou com a presença dos convidados David Murta e Abílio Guerreiro, respectivamente director e formador da EHT de Vila Real de Santo António.