Algas na Lagoa de Óbidos são motivo de preocupação

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Entidades visitaram a lagoa numa bateira, degustaram iguarias e debateram soluções

As várias entidades reuniram no dia 24 de janeiro para procurar soluções e caminhos a seguir

O grande aumento das algas ostráceas na Lagoa de Óbidos nos últimos dois anos é um motivo de preocupação para os mariscadores, que colocaram, literalmente, no mesmo barco todas as entidades para conhecerem os problemas e para procurarem soluções.
Uma passa por um programa de monitorização liderado pelo Instituto Português do Mar e Atmosfera (IPMA) no âmbito de “uma candidatura ao Mar2030 cujo um dos objetos de estudo é a Lagoa de Óbidos”, onde o crescimento das algas ostráceas nos últimos dois anos será investigado. “É absolutamente fora do comum”, afirma José Guerreiro, presidente do IPMA, que conhece a Lagoa de Óbidos há 50 anos. A candidatura deverá ser apresentada até ao final de fevereiro para os vários sistemas lagunares a nível nacional, com uma dotação de 2 milhões de euros, realizando-se durante um ano (para cobrir um ciclo anual) e com início já na primavera.
“É preciso saber a origem, se é défice de água doce ou salgada, se foi algum nutriente que surgiu, é isso que é preciso dar resposta”, explicou. No caso da Lagoa de Óbidos vão “também estudar a dinâmica associada aos bivalves para que se faça uma melhor gestão dos stocks” e ainda a dinâmica do choco, que é aqui um recurso importante.
Sérgio Félix, presidente da Associação de Pescadores e Mariscadores Amigos da Lagoa de Óbidos (APMALO), explicou que depois da visita e da reunião “concluiu-se que o assoreamento da Lagoa é muito grande” e decidiram “avançar este ano com o processo para estudar a área a dragar”. Neste cenário, “sendo muito otimista, poderíamos ter dragagem em 2025”, afirma.
O mesmo responsável nota que atualmente existem dificuldades caso seja necessário entrar uma embarcação de socorro na Lagoa de Óbidos e explica que têm quatro (agora cinco) prioridades: a questão da “aberta”, o assoreamento, o rebaixamento do Cabeço do Areinho em 70 centímetros a 1 metro de profundidade numa extensão de 30 hectares (para não ficar seco na maré baixa) e a fiscalização e segurança, por um lado, para evitar o contrabando, porque “arrisco-me a dizer que mais de 50% do marisco retirado na Foz é vendido em contrabando”, e ao nível da segurança trabalham com as escolas de desportos náuticos para criarem condições propícias para todos usufruirem da lagoa. A quinta questão são as algas, que não estava inicialmente nos planos.
Filipe Daniel, presidente da Câmara de Óbidos, referiu que é preciso retomar estudos e recolher dados sobre a Lagoa de Óbidos, para debater as soluções, como a possibilidade de tornar a “aberta” fixa ou encontrar novas oportunidades. Já Vítor Marques, presidente da Câmara, fez notar que as algas são um novo problema que acresce aos já existentes e falou do projeto que têm para a frente costeira onde ficava o antigo cais, contando que a autarquia está a estudar a possibilidade de ter um cais provisório para pesca e atividades de turismo.
Teresa Lemos, que é secretária de Estado das Pescas, referiu que “temos as entidades todas unidas para tentar solucionar um problema que é de todos” e disse que terá que ser encontrada uma “solução com continuidade, que possa resolver os problemas da Lagoa”. A governante admitiu a urgência da questão. “Tanto que é urgente que estivemos no início de janeiro e nos dispusemos a regressar com as entidades todas, porque percebemos que é urgente”. Na visita esteve também o secretário de Estado do Ambiente, que não ficou para a reunião, onde esteve o presidente da Docapesca, o diretor geral dos Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos, assim como representantes da APA, além do presidente do IPMA, os autarcas e os mariscadores. ■