Apresentação pública do Plano Estratégico para as Caldas não suscitou nenhuma pergunta

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Gazeta das Caldas
A consultora Vânia Rosa apresentou publicamente o plano estratégico | F.F.

O Plano Estratégico para as Caldas até 2030 não suscitou qualquer questão por parte das mais de 70 pessoas que assistiram à sua apresentação pública no CCC. O presidente da Câmara, Tinta Ferreira, perguntou à audiência, em dois momentos distintos, se havia perguntas ou comentários às intervenções, mas tudo o que ouviu da parte da plateia foi silêncio.

 

O Plano Estratégico para as Caldas foi apresentado por Vânia Rosa, da empresa Augusto Mateus Associados, a 24 de Julho, e contempla 32 objectivos gerais e 111 iniciativas para serem concretizadas nos próximos 13 anos. A consultora disse que o documento apresenta uma visão ambiciosa e realista. “Caldas da Rainha de 2030 proporciona vida aprazível em continuidade, num território que atualiza os seus emblemas de atratividade e se adapta aos ciclos de competitividade”, apresentou como visão do concelho.
O termalismo e a cerâmica foram olhados como grandes emblemas de uma cidade que se quer afirmar termal e criativa. A responsável fez um resumo dos projectos estruturantes para as Caldas (e que a Gazeta das Caldas já publicou em edições anteriores), mas destacou que o sucesso do plano não se mede por verificar quantos são concretizados até 2030. “Dita um caminho, mas não é exaustivo. O sucesso de um plano mede-se pelo consenso e actuação conjunta”, disse Vânia Rosa.
Presente na apresentação, Ana Abrunhosa, presidente da CCDR do Centro, realçou que o plano não se esgota no actual quadro comunitário e informou que haverão outros quadros financeiros para “dar apoio a estes sonhos e ambições que são tão legítimos”. A responsável reconheceu que os problemas das cidades são grandes e que as suas políticas têm que abranger desde as comunidades menos favorecidas, a uma maior atractividade e qualidade de vida e estímulo das actividades económicas.
De acordo com Ana Abrunhosa, as Caldas tem sido um bom executor dos fundos comunitários, pelo que acredita que também os projectos inseridos no Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano “serão bem conseguidos”.
A responsável pediu às pessoas para que se apropriem do plano, pois só sentindo como se fosse delas é que exigirão a sua concretização. Acrescentou que, muito provavelmente, dentro de cinco anos, o documento terá que ser revisto, pois haverá alterações não só legislativas, mas também por parte da vontade dos cidadãos.

Duas revisões em 13 anos

Mais pragmático, João Teixeira, da CCDR de Lisboa e Vale do Tejo, considera que o plano de acção para 13 anos terá, pelo menos, duas revisões. Por isso, entende que é importante a autarquia preparar uma estrutura para “o fazer acontecer e ir apontando as alterações à medida que essas se verifiquem necessárias”.
João Teixeira frisou ainda que este é o primeiro de muitos passos e que o “mais difícil a um plano estratégico não é fazê-lo, mas fazer acontecer”. Lembrou que nos últimos 13 anos verificaram-se muitas alterações no concelho, a sua maioria provocada por variáveis exógenas. O futuro ainda será muito mais imprevisível e contará com mais externalidades, acrescentou o orador, referindo-se à economia circular, alteração da matriz do carbono, combate às alterações climáticas, mas também à alteração do conceito de família.
João Teixeira salientou ainda que a atractividade dos jovens é essencial para o desenvolvimento dos concelhos e que, por outro lado, é preciso preparar estes lugares para a idade sénior. E esta adequação não passa apenas pela adaptação de passeios, transportes ou serviços de saúde, mas também, por exemplo, por dietas adaptadas nos restaurantes, ou com o auxílio aos comerciantes com mais de 60 anos, para continuarem a trabalhar na sua mercearia.
O presidente da Câmara, Tinta Ferreira, pediu uma política de clarificação de competências, tendo em conta que os autarcas são chamados a intervir mais, mas sem que haja uma descentralização das competências. “Com orçamentos cada vez mais limitados há uma grande dificuldade em fazer cumprir o desiderato de ter uma intervenção social maior”, exemplificou.