Bastonário pede “medidas urgentes” para atrair médicos de família

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O bastonário Carlos Cortes e o presidente da sub-região Oeste, António Curado Foto: Francisco

Carlos Cortes defende que é necessário investir em melhores condições de trabalho no SNS e que a construção do novo Hospital já devia ter sido iniciada

A região do Oeste é das mais deficitárias em termos de cuidados de saúde primários, como comprova o facto de num concelho como as Caldas da Rainha, com cerca de 64 mil habitantes, cerca de 20 mil pessoas não terem acesso direto a médico de família. As palavras são do bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, que defende “medidas urgentes e muito concretas” para atrair mais médicos de família, em particular em zonas mais carenciadas em termos de profissionais de saúde, como é a região Oeste.
O responsável esteve nas Caldas da Rainha, na passada sexta-feira, a visitar a Unidade de Saúde Familiar (USF) D. Leonor, no âmbito da Semana do Médico de Família, promovida pela Ordem dos Médicos a propósito do Dia Mundial do Médico de Família, que se celebra a 19 de maio. Embora tenha encontrado “médicos empenhados e comprometidos com os seus utentes, como em tantas outras regiões do país”, Carlos Cortes considera que é necessário investir em melhores condições de trabalho no SNS, em particular horários mais flexíveis que permitam conciliar a vida pessoal, familiar e profissional. “Só assim será possível dar resposta às pessoas que esperam, e desesperam, por ter um médico de família”, referiu à Gazeta das Caldas.

Unidades do CHO sem Cuidados Intensivos
Em relação à construção de um novo equipamento, a Ordem dos Médicos espera que o Ministério da Saúde olhe para a região Oeste de “forma integrada e, rapidamente, avance com a construção do novo hospital, que, aliás, já devia ter sido iniciada”. As atuais unidades hospitalares que integram a Unidade Local de Saúde do Oeste (ULSO), além de dispersas geograficamente, precisam de obras e de recursos, com a agravante de nenhuma das unidades ter Cuidados Intensivos. Este novo hospital será, por isso, “fundamental para responder às necessidades e anseios antigos das populações locais e oferecer melhores condições aos profissionais de saúde, nomeadamente aos médicos”, complementa.
Antes, o bastonário reuniu, no Inatel, na Foz do Arelho, com os dirigentes regionais da Ordem dos Médicos para discutir os principais pontos da agenda atual da Ordem. O encontro organizado pelo presidente do Conselho da Sub-Região Oeste da Ordem dos Médicos, António Curado, contou com a presença dos Presidentes das Secções Regionais do Sul (Lisboa) e Centro (Coimbra), bem como de mais 10 Secções Sub-Regionais (Viana do Castelo, Braga, Vila Real, Guarda, Viseu, Caldas da Rainha, Portalegre, Castelo Branco, Évora e Setúbal). ■

A visita foi guiada pela coordenadora da USF Rainha D. Leonor, Isabel Ramos I Foto: Francisco