Batalha da fruta – dois chefs de renome a cozinhar fruta oestina

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A Frutalvor recebe 10 mil toneladas de fruta por ano, das quais 60% são para exportação | Isaque Vicente

Na passada sexta-feira, depois de uma visita técnica à Frutalvor, em Alvorninha, realizou-se no espaço da EHTO na Feira dos Frutos, a “Batalha da Fruta”, que colocou lado a lado os chefs André Magalhães e Miguel Laffan. Ao contrário das expectativas de Miguel Araújo, cantor que naquela noite iria actuar no festival e que apresentou esta iniciativa, a batalha não envolveu o arremesso de dióspiros e laranjas podres.

O conceito é simples. Existem dois chefes, uma cozinha e um cabaz surpresa, cujo conteúdo ambos desconhecem. Depois têm de o abrir e confeccionar uma receita à sua escolha.
Neste caso, os dois chefs sabiam que, obviamente, o cabaz teria… fruta.
André Magalhães cozinhou codorniz desossada, recheada com morango envolto em presunto e acompanhada de salada de couve crua com Pêra Rocha do Oeste e milho doce.
Já Miguel Laffan apresentou canapés de codorniz com chutney de fruta. Era suposto serem três diferentes sabores (Pêra Rocha do Oeste, Maçã de Alcobaça e morango), mas devido aos constantes cortes de energia acabou por apenas fazer um.
No final os dois pratos, de louça da Fábrica Bordalo Pinheiro, primavam pela apresentação e – disse quem provou – que estavam bastante saborosos.
Os chefs elogiaram a iniciativa, bem como a qualidade da fruta da região, que é reconhecida um pouco por todo o país. André Magalhães é o chef da Taberna da Rua das Flores, em Lisboa. Miguel Laffan é o chef do L’And and Vineyards (em Montemor-o-Novo) e tem também o seu espaço no Mercado da Ribeira (Lisboa), o Chicken All Around, que proporciona a degustação de frango na brasa com sabores de várias cozinhas internacionais (Argentina, Índia ou Tailândia, por exemplo).

O PROCESSO DE PRODUÇÃO DA FRUTA

Antes do showcooking realizou-se uma visita técnica à Frutalvor, em Alvorninha, para se conhecer a cooperativa e os seus processos de trabalho.
A fruta chega ali em caixas de plástico e é mergulhada em água para ser lavada. Daí passa por um calibrador, que mede e pesa os frutos e os divide por calibre. Seguem depois para o armazém, onde os trabalhadores a vão escolhendo e embalando. Já embalada, a fruta segue para o cais de descarga, que se situa numa câmara frigorífica.
A Frutalvor é uma cooperativa que conta com 25 cooperadores. Em média recebe 10 mil toneladas de fruta por ano, das quais seis mil de pêra e as restantes quatro mil de maçã. Exporta cerca de 60% da sua produção e os restantes 40% são absorvidos pelo mercado interno. Dentro do mercado interno destacam-se as grandes superfícies que consomem 30% da produção, seguindo-se os grossistas e a indústria de concentrados.
Conta com 31 câmaras de frio, das quais apenas oito não têm atmosfera controlada e tendo 12 de atmosfera controlada dinâmica.
Este ano a colheita de fruta está atrasada, entre duas a três semanas, prevendo-se menos maçã e menos pêra do que em 2015. Em termos de açúcares, a previsão é de que sejam frutos doces, mas de calibre mais pequeno.
Por esta altura já é possível verificar a colocação de vários anúncios a pedir colaboradores para a colheita, que deverá ter começado ainda esta semana.
Este ano há a possibilidade de a Pêra Rocha ser apanhada por mondas, como acontece com a maçã. Quer isto dizer que é feita uma primeira apanha, deixando nas árvores os frutos que ainda não atingiram o calibre ou a maturação ideal para serem, posteriormente, apanhados.
Em relação aos novos pomares plantados na região, nota-se uma maior aposta na maçã, numa proporção de 8 em cada 10, sendo os restantes dois dedicados à Pêra Rocha.
A Pêra Rocha do Oeste é única e se isso lhe traz grandes benefícios, também traz grandes desafios. Por exemplo, não há um preço definido, é a oferta que determina o valor.