Caldas da Rainha: Uma homenagem aos combatentes… com 100 anos

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A 9 de abril de 1926 a Gazeta traz um número dedicado à Guerra

Quase um século depois, desenho oferecido por Eduardo Mafra Elias para homenagear os combatentes será materializado em painel de azulejos

Foi em 1926 que Eduardo Mafra Elias ofereceu ao Núcleo das Caldas da Rainha da Liga dos Combatentes um desenho de um painel de azulejos que pretendia homenagear os combatentes da grande guerra e que, por isso mesmo, deveria, depois de produzida, ser colocada na Rua… Heróis da Grande Guerra.
“Ao soldado desconhecido, comemorando os mortos deste concelho na Grande Guerra. Último culto da villa de Caldas da Rainha”, lê-se no painel, com vários elementos identitários.
Quase um século passou e, no dia 18 de novembro, às 11h00, será descerrado o painel no cruzamento daquela rua com a chamada Rua das Montras, numa iniciativa que une a Câmara das Caldas, o Museu de Ciclismo, a Gazeta das Caldas e, claro, o Núcleo das Caldas da Liga dos Combatentes. O descerrar do painel contará com uma Guarda de Honra da Escola de Sargentos do Exército aos combatentes falecidos.
No atelier de Ana Catarina Realinho, nas Caldas, o painel foi produzido e será, finalmente, prestada homenagem aos combatentes e ao autor que teve esta iniciativa.
Mas para que esta homenagem seja possível, quase 100 anos após a intenção há um nome que é incontornável: Mário Lino, que no âmbito do seu trabalho no Museu de Ciclismo, na preparação da exposição “Memórias de Outros Tempos”, em 2008, quis fazer uma listagem dos caldenses que tinham perdido a vida no conflito. Começou pelos jornais Círculo das Caldas e Gazeta das Caldas,este último que havia sido fundado em 1925 e que, no segundo ano de existência, a 9 de abril, assinalando La Lys, apresenta na primeira página um quadro com os oficiais e praças do RI5 mortos em campanha. Uma particularidade é que a Gazeta das Caldas estava sedeada nos Pavilhões do Parque, que era a casa do Batalhão de Ciclistas nº2, criado onde antes estava o RI5 e para onde voltou depois da curta existência do BC2 na cidade termal. Mais, é que era na biblioteca do BC2 que ficava sedeado… o Núcleo das Caldas da Liga dos Combatentes!
Na sua pesquisa, que o levou ao Arquivo Histórico-Militar, Mário Lino acabou por encontrar o desenho. Nas atas encontrou a localização para a qual se destinava e, há cerca de três anos, propôs a criação do painel. Tanto a autarquia, como a Liga agarraram a ideia, só que veio a pandemia, a mudança de executivo na Câmara e a guerra na Ucrânia, que levaram a um adiamento para a data do centenário da criação da Liga dos Combatentes (nas Caldas foi criada um ano depois). ■