Caldas e Museu Bordalo Pinheiro querem trazer Jarra Beethoven

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A exposição dos trabalhos de Bordalo nas Caldas está patente até Setembro

Caldas e Lisboa querem apresentar no país uma das mais icónicas peças de cerâmica bordalianas e que está no Brasil

O Museu de Cerâmica das Caldas e o Museu Bordalo Pinheiro, em Lisboa, vão estreitar parcerias. Trazer do Brasil a Jarra Beethoven é um dos objetivos. A novidade foi dada por Maria da Conceição Pereira, vereadora da Cultura, a 20 de junho, durante a inauguração da exposição “O Traço Bordaliano”, que foi seguida de uma conferência que contou com as intervenções da livreira Isabel Castanheira e de João Alpuim Botelho, diretor do Museu Bordalo Pinheiro.
A parceria vai concretizar-se quando o museu das Caldas passar para a gestão do município, algo que acontecerá a curto prazo.“ Temos interesse em estabelecer um protocolo de divulgação, de troca de espólio e de património e que tem como principal objetivo valorizar Bordalo Pinheiro”, disse a autarca.
Uma das primeiras iniciativas conjuntas será a vinda a Portugal da Jarra Beethoven, peça que pertence ao Museu de Belas Artes do Rio de Janeiro. Só quem já se deslocou àquela cidade é que teve a oportunidade de contactar com a maior peça de cerâmica feita por Rafael Bordalo Pinheiro na fábrica das Caldas, em 1897.
A obra tem 2,30 metros de altura e, como ficou sem comprador dos dois lados do Atlântico, foi oferecida por Bordalo ao Presidente da República brasileiro, Campos Sales.
Maria da Conceição Pereira antevê que, para que a vinda da peça se concretize, além dos museus “será também necessária a intervenção do poder central”.
O diretor João Alpuim Botelho considera que “há uma ligação forte óbvia” entre o museu que dirige e as Caldas e está “à disposição para realizar iniciativas conjuntas”. A vinda da Jarra Beethoven é algo que “faz todo o sentido” para o diretor, que aproveitou a vinda para conhecer a nova estátua de Bordalo e Zé Povinho, que considerou “maravilhosa”. Apesar da ideia não ser nova, “foi muito bem aplicada”.
Na conversa sobre a obra bordaliana, Isabel Castanheira referiu-se à presença e às críticas que o artista fez nos jornais, às figuras e acontecimentos caldenses, enquanto por cá viveu em finais de oitocentos. Já João Alpuim Botelho focou-se nalgumas das críticas mais contundentes que Bordalo fez a figuras nacionais.
Aquela exposição, patente na Biblioteca das Caldas até setembro, contará com visitas guiadas. Em breve segue-se uma nova mostra de ilustrações bordalianas.