Caldense levou livros e material escolar para São Tomé e Príncipe

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A caldense Patrícia Oliveira com jovens apoiados pela ONG são tomense Arcar

A caldense Patrícia Oliveira, assistente social de profissão, foi a São Tomé e Príncipe doar livros e material escolar para crianças e jovens daquele país apoiados pela ONG Arcar. Esta foi uma iniciativa particular, na qual conseguiu juntar a colaboração do pediatra e escritor Mário Cordeiro e de duas editoras nacionais, que contribuíram com livros para uma biblioteca local.

atrícia Oliveira partiu para São Tomé e Príncipe no passado mês de Março e o que levou na bagagem cadernos, canetas, marcadores, lápis de cor, livros, mochilas, jogos didáticos, algum vestuário e calçado. Tudo isto oferecido pela própria e com o contributo de familiares, amigos e colegas de trabalho.
“O principal objetivo desta viagem foi poder contribuir para uma instituição da ilha, de modo a que chegasse às crianças e jovens”, contou Patrícia Oliveira à Gazeta das Caldas.
Não satisfeita com o que já tinha conseguido angariar, lançou um desafio a Mário Cordeiro, conhecido pediatra e autor, para que pudesse contribuir com algumas das suas obras infantis. O próprio médico fez chegar o apelo à Porto Editora e à Editorial Presença, que enviou alguns livros à biblioteca da capital São Tomé.
O material angariado foi entregue à ONG Arcar – Associação para a Reinserção de Crianças Abandonadas e em Situação de Risco, de São Tomé, na qual foi gravado o programa Príncipes do Nada para a RTP, em 2006, da autoria de Catarina Furtado.
“Foi realmente um privilégio contribuir de alguma forma para a melhoria da qualidade da aprendizagem destas crianças”, diz Patrícia Oliveira, que teve oportunidade de passar algum tempo com estes jovens e de conhecer a realidade de quem com eles trabalha diariamente.
A assistente social diz que a forma como os profissionais das instituições trabalham é extraordinária, sobretudo tendo em conta a escassez de recursos com que se debatem. “Não têm metade das políticas sociais que temos em Portugal, nem orçamentos sustentáveis que lhes permitam implementar tudo o que desejariam para atenuar a situação de exclusão e desigualdade social”, diz. Isto faz com que os profissionais destas ONG’s fiquem frequentemente à mercê de subsídios e de ajuda privada e a falta de recursos acaba por comprometer “as dimensões sócio-educativa e sócio-política, que são basilares num processo de intervenção social”.

UM PAÍS COM MUITAS CARÊNCIAS

Num país com muitas carências, até mesmo ao nível dos bens mais essenciais, como a alimentação e a água potável, Patrícia Oliveira realça que os constrangimentos são muitos. “Ainda não se conseguiu dar resposta a questões como a formação dos professores, a falta de infraestruturas e o elevado número de jovens no país, que segundo o Fundo de População das Nações Unidas representam quase metade da população”, observa. No entanto o trabalho de organizações como a Arcar tem permitido direccionar as crianças para as escolas.
A assistente social destaca neste âmbito os acordos de cooperação bilaterais com Portugal, através dos ministérios do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social e o do Emprego e Assuntos Sociais que abrange a proteção social e gestão do Centro de Formação Profissional de São Tomé.

As instalações da ONG que foi apoiada com a doação de diverso material escolar

Patrícia Oliveira diz que viveu uma experiência muito enriquecedora naquele país, tanto a nível pessoal, como profissional, “pela forma humilde e calorosa como as pessoas nos recebem e se relacionam connosco, são um povo extraordinário!”. E regressou a Portugal com a vontade de repetir a experiência.

VOLUNTÁRIA DESDE JOVEM

Desde jovem que Patrícia Oliveira se dedica ao voluntariado e às causas sociais. Quando frequentava a faculdade, em Coimbra, fez voluntariado durante dois anos no serviço de oncologia do Hospital Pediátrico daquela cidade. Também já teve experiências neste âmbito em instituições como a Cruz Vermelha Portuguesa e o Instituto Português da Juventude, e foi vice-presidente para a Infância e Juventude numa IPSS do concelho de Óbidos. Atualmente é voluntária na CRAPAA.
A assistente social vê o voluntariado como algo que deve ser “assumido com seriedade e responsabilidade” e diz que o que se recebe de volta é muito mais importante que uma remuneração: “é um sentimento de utilidade em prol de alguém, sem esperar nada em troca”.