Câmara quer envolver comunidade nos 50 anos do 25 de Abril

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Responsáveis do executivo autárquico e também das juntas de freguesia juntos no descerrar das bandeiras que assinalaram o 49º aniversário da Revolução

A efeméride deverá também dar destaque ao 16 de março, acontecimento crucial para o êxito da revolução em 1974

Por volta das 11h00 decorreu em frente aos Paços do Concelho, a cerimónia que assinalou os 49 anos da Revolução de Abril. O presidente, Vítor Marques, que também participou nas cerimónias realizadas desde cedo nas três uniões de freguesia, salientou que querem assinalar o meio século da Democracia com várias iniciativas.
“Vamos continuar a ter momentos de celebração alusivas ao 25 de abril”, disse o edil caldense referindo-se também às várias iniciativas culturais e desportivas que assinalaram a efeméride. Frente à Câmara, acompanhados pela Fanfarra dos Bombeiros das Caldas e pelo libertar dos pombos, como símbolo da Liberdade, o executivo lembrou, uma vez mais, a revolução dos cravos.
Vítor Marques contou que já está a ser preparado o programa dos 50 anos de Abril, que vai envolver a autarquia, assembleias, juntas, os partidos políticos e também “a população, nomeadamente os jovens e as escolas”. Na sua opinião, valores como a Liberdade e a Democracia têm que ser cultivados, de modo a “ser preservados no futuro”.
Já há projetos para o lançamento de concursos de trabalhos de artes plásticas e também ligados à prosa e à poesia. “Vamos querer debater temas relevantes ligados à Revolução, pois houve um caminho que outros trilharam para chegarmos até aqui”, disse o presidente da Câmara.
Vítor Marques considera que este ano o 16 de março foi assinalado com mais atividades, como por exemplo um momento musical com músicos locais, que teve lugar no CCC. Foi mais uma forma de assinalar a efeméride, que se juntou à já habitual romagem ao monumento, de autoria de Santa-Bárbara. “Nós caldenses temos sempre que equiparar os festejos de abril com o 16 de março”, rematou o edil caldense.

“Democracia é uma flor”
O vereador Luís Patacho gostaria ainda que, às celebrações municipais, se juntasse “uma iniciativa da Assembleia Municipal, que é a casa da Democracia local”.
Na sua opinião, as comemorações do próximo ano são muito importantes pois “assinalam a maioridade do nosso sistema democrático”. Como tal, gostaria que os festejos fossem “mais aprofundados”, sobretudo numa altura em que as democracias da Europa e se vêem “acossadas por fenómenos populistas, sobretudo, de extrema direita”. “A Democracia é como uma flor que precisa de ser bem cuidada, e defendida todos os dias”, referiu o autarca.
Já para Tinta Ferreira não há dúvida que a vida há 49 anos atrás era muito diferente. “Hoje somos mais evoluídos e vivemos numa democracia madura, apesar de ainda estarmos distantes dos restantes países do Norte da Europa”, disse. Falta ainda ao país, entre tantos outros itens, “uma melhor organização, visão estratégica, uma melhor gestão política e das estruturas públicas”, concretizou.
Para o vereador do PSD, o 16 de março “corresponde ao fervilhar da Revolução” mas, na verdade, “só é celebrado nas Caldas”.
O anterior presidente da Câmara referiu também que foi no executivo social-democrata que foi construído o monumento que assinala o 16 de março, em frente ao quartel. Tinta Ferreira ainda relembrou que o Estado português “só enviou, em representação, um secretário de Estado”. Na sua opinião, agora que se vão celebrar os 50 anos do 16 de março e do 25 de abril, “espero que o Estado português dê o devido relevo aos dois acontecimentos e se faça representar com a presença dos mais altos dignitários nas comemorações que se vão realizar nas Caldas.

Associar o 16 março ao 25 abril
Também para o presidente da Assembleia Municipal, Lalanda Ribeiro, “é muito importante fazer a associação do 25 de Abril com o 16 de Março”. Para o autarca, se não tivesse acontecido a Intentona das Caldas “talvez a Revolução não tivesse acontecido da forma como foi com aquele êxito”. Concorda que para o próximo ano se aprofundem as celebrações da Revolução e espera que se possa “envolver a miudagem das escolas”.
Lalanda Ribeiro lembrou que há um livro de banda desenhada sobre as Caldas da Rainha, da autoria de José Ruy, que teve uma nova edição, destacando o 16 de Março, movimento percursor da Revolução. Esta obra pode servir de base para envolver as gerações mais novas, dando-lhes a conhecer como foi a tentativa de derrubar o regime, levada a cabo por um conjunto de militares do então RI5. Abril trouxe também algo que lhe é caro, a organização do poder local. ■