Gazeta das Caldas - CHO
Alexandre Valentim Lourenço falou da disponibilidade da Ordem para apoiar na formação de especialidades no CHO
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Nuno Santa Clara diz que se está a “inverter um trajecto de degradação” que se viveu no CHO
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Miguel Guimarães sublinhou a falta de médicos do hospital das Caldas
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“Os médicos só se cativam com desafios, condições de trabalho, segurança e projectos”, diz Joana Louro

25 Em 2017 contratou cerca de 200 mil horas em serviços externos, explicou o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, à saída de uma reunião com o Conselho de Administração do CHO, que decorreu nas Caldas da Rainha no passado dia 16 de Janeiro.
A Ordem dos Médicos vai agora apresentar um relatório à ministra da Saúde com a informação recolhida a apelar à resolução das situações mais prementes.

Em 2017 o CHO gastou 5,2 milhões de euros em contratação de serviços externos, “um valor que dava para contratar centenas de médicos”, disse o bastonário da Ordem dos Médicos, acrescentando que nesse mesmo ano os médicos deste centro hospitalar fizeram mais de 73 mil horas de trabalho suplementar. “Há uma deficiência marcada de capital humano no CHO e, no caso concreto, do hospital caldense”, disse Miguel Guimarães, referindo que este centro hospitalar é a terceira entidade do país com maior volume de horas contratadas a médicos em regime de prestação de serviços, apenas ultrapassada pelo Centro Hospitalar do Médio Tejo e a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo.
As especialidades onde se regista uma maior carência de profissionais são a Anestesiologia (que condiciona a actividade cirúrgica), Pediatria, Obstetrícia, Oncologia Médica, Radiologia e a Urologia. No caso da Anatomia Patológica, apesar de terem dois médicos contratados, o CHO não tem um laboratório para estes trabalharem.
Nuno Santa Clara, presidente do Conselho da Sub-Região do Oeste (que inclui o CHO), diz que parece haver uma vontade por parte de todos os profissionais e do seu conselho de administração, em “inverter um trajecto de degradação” que o CHO vem vivendo nos últimos anos. Este centro hospitalar bate-se com a falta de recursos humanos, a dificuldade em assegurar a renovação de equipamentos e a diferenciação dos serviços, além da acumulação dos doentes no Serviço de Urgência, resultado da falta de vagas no internamento ou a falta de resposta das Unidades de Cuidados Continuados.
A fusão “correu mal”

Este responsável salienta também que o CHO tem características “muito particulares”, ao ser formado por duas unidades de dimensão semelhante e separadas por 50 quilómetros e integrando também o Hospital de Peniche que tem o seu mapa de pessoal reduzido. “Essa dispersão de valências e de instituições cria problemas de comunicação e de colaboração”, disse, realçando que a fusão entre o centro hospitalar de Torres Vedras e o do Oeste Norte, “em muitos aspectos, correu mal”.
Nuno Santa Clara reforçou a falta de médicos no quadro do centro hospitalar. Dos 362 médicos que o CHO possui apenas 170 fazem parte do mapa de pessoal, 90 são prestadores de serviço e os restantes são internos. Defende que há necessidade de fixar os médicos à instituição, o que pode ser feito dando-lhes condições de trabalho gratificantes, projectos em que possam estar empenhados e nos quais vejam um futuro de diferenciação.
Joana Louro, da Assembleia de Representantes, revela que aquilo que actualmente os jovens médicos pretendem da carreira é diferente do que acontecia há uns anos e que o SNS e o hospital caldense terão que reorganizar-se com esta nova realidade. “Os médicos só se cativam com desafios, condições de trabalho, segurança e projectos”, disse a também médica.
A Ordem dos Médicos está disponível para apoiar na formação de especialidades no CHO. “Isso é o que dá o salto nas instituições e a Ordem está disposta a apoiar, ajudando a fixar cada vez mais e melhores profissionais”, disse Alexandre Valentim Lourenço, presidente do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos, também presente na reunião.
O bastonário visitou a Unidade de Saúde Familiar Rainha D. Leonor, para perceber porque muitos médicos de família, alguns ali formados, optam por ir trabalhar para outros locais. “Cerca de 16% da população do Agrupamento de Centros de Saúde do Oeste Norte ainda não tem médico de família atribuído”, disse Miguel Guimarães.
A Ordem dos Médicos vai agora apresentar um relatório à ministra da Saúde com a informação recolhida durante a visita e a apelar ao seu sentido de solidariedade dentro do SNS para resolver as situações mais prementes.