Cidadãos podem “criar” Centro de Interpretação para a Lagoa de Óbidos

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Gazeta das Caldas
Se o projecto for eleito, custará 104 mil euros | F. F.

O Conselho da Cidade propôs a criação de um Centro de Interpretação para a Lagoa de Óbidos ao Orçamento Participativo de Portugal (OPP). O projecto, no valor de 104 mil euros, foi um dos seleccionados na região Centro e agora está em votação pública até 10 de Setembro.
“É importantíssimo votar e pensar que a lagoa de Óbidos precisa de todos pois aqui podemos ter um papel activo”, diz Ana Costa Leal, presidente do Conselho da Cidade.

O projecto 268 prevê a criação de um centro interpretativo que, tendo a Lagoa de Óbidos como tema central, permita abordar, divulgar e estudar diversas áreas do conhecimento como a Ecologia, Biologia, História, Sociologia, Etnologia. A proposta inicial foi apresentada pelo Conselho da Cidade ao OPP, um orçamento participativo à escala nacional que se realiza este ano pela primeira vez. Para votar os cidadãos poderão aceder ao link opp.gov.pt/projetos/todos/268-centro-de-interpretacao para-a-lagoa-de-obidos, ou através de sms pelo nº 3838 e dar o seu número de cartão do cidadão.
A proposta salienta que a Lagoa de Óbidos constitui-se como “um museu em si próprio, resultado de uma evolução em que a presença humana convive com aspetos naturais desde há muito tempo”.
De acordo com o Conselho da Cidade, o Centro de Interpretação deverá ter um carácter inovador, fugindo ao tipo de concepção habitualmente associada a estas realizações. O objectivo é criar um equipamento mais dinâmico onde, para além de uma estrutura central, possam co-existir pólos temáticos disseminados pela área e indo ao encontro do visitante.
Esta proposta tem por base um projecto antigo de João Pedro Pina, que foi presidente da Associação Mar d’Água, mas que nunca se concretizou. Ana Costa Leal, presidente do Conselho da Cidade, considera que agora é a hipótese desta ideia se concretizar e uma oportunidade para dar mais visibilidade à Lagoa de Óbidos. “Se ganharmos, de certeza que terá uma repercussão muito grande e as problemáticas da lagoa chegarão a outro patamar de discussão”, acredita a responsável.
Ana Costa Leal realça ainda a importância da formação e educação para as temáticas ambientais. De acordo com o estudo “Percepção dos residentes sobre impactos e políticas turísticas: o caso do ecossistema lagunar da Lagoa de Óbidos” de Rafaela Duque Elias, os resultados demonstraram que os indivíduos com maior nível de formação académico, em especial secundário e superior, “revelaram maior consciência sobre a temática abordada, assim como nas medidas a implementar ao nível da preservação e conservação do local”, refere o estudo.
A proposta foi uma das 309 seleccionadas entre mais de 500 na região Centro. A análise técnica do OPP determinou que para a concretização deste projecto serão necessários 104 mil euros, perto de um terço do valor total destinados à região Centro (375 mil euros).
O centro de interpretação está classificado na área da Ciência e caberá a um organismo do Estado ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior realizar o projecto, executá-lo e geri-lo. As câmaras terão apenas que disponibilizar um espaço para a instalação do equipamento. A autarquia caldense já mostrou disponibilidade para colaborar e o Conselho da Cidade pretende agora contar também com a colaboração da associação Pato na componente mais técnica.
Neste primeiro ano de funcionamento, o OPP permite aos cidadãos decidir como investir três milhões de euros nas áreas da cultura, ciência, educação e formação de adultos e agricultura. Nas regiões autónomas da Madeira e dos Açores, só podem decidir nas áreas da justiça e administração interna.
Ao todo, existem 1021 propostas a votação.