Cirurgia de Ambulatório do CHON concentrada em Alcobaça

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notícias das CaldasA esmagadora maioria das cirurgias de ambulatório do Centro Hospitalar Oeste Norte (CHON) vão passar a ser feitas no Hospital de Alcobaça. No passado dia 31 de Outubro foi inaugurada a Unidade de Cirurgia de Ambulatório, pensada especificamente para as pequenas intervenções cirúrgicas que não carecem de internamento do paciente. Um espaço tornado possível, depois de obras de adaptação e compra de diverso equipamento, num investimento global de 70 mil euros, dos quais 20 mil foram oferecidos por diversos mecenas da região.

Com um bloco operatório e uma sala preparada para intervenções mais pequenas, como a remoção de um quisto, a Unidade de Cirurgia de Ambulatório do CHON tem capacidade para acolher oito pacientes, que ali deverão ficar em recobro apenas algumas horas. Ortopedia, Urologia e cirurgia geral são algumas das especialidades que vão usar, desde já, esta unidade. No futuro também as pequenas intervenções da área de Ginecologia deverão ser feitas ali.
De acordo com o director do serviço de Cirurgia do CHON, Pedro Coito, esta unidade era “uma grande aspiração” que os profissionais de saúde do centro hospitalar acalentavam há algum tempo, e que agora foi finalmente concretizada. “Temos pouco dinheiro, mas muita vontade, empenho e entusiasmo”, garante o responsável, que acredita que com este novo espaço “o CHON ganha uma alma nova”.
“Tratar os doentes com qualidade e em maior quantidade” é o que se pretende com a unidade, que deverá permitir uma redução significativa do número de doentes em lista de espera, que neste momento são cerca de 600. Um passo importante num centro hospitalar onde as cirurgias de ambulatório eram condicionadas pela utilização do bloco operatório, o que impedia a sua realização todos os dias.
Para o presidente do Conselho de Administração do CHON, Carlos Sá, a abertura do novo espaço vai permitir melhorar a qualidade e as condições em que são prestados os cuidados de saúde. O administrador salientou ainda a abertura da sociedade civil neste investimento, que “demonstra aquilo que é possível fazer, apesar das condicionantes e do momento em que vivemos”.
Realçando que a Unidade de Cirurgia de Ambulatório é parte da “consolidação de um projecto que visa essencialmente melhorar as condições dos utentes do CHON”, Carlos Sá garantiu que a nova valência “tem tudo para correr bem”, nomeadamente o “empenho visível de todos os colaboradores do centro hospitalar”.
Quem também marcou presença na cerimónia de inauguração foi o presidente da Câmara de Alcobaça, Paulo Inácio. “No que diz respeito aos serviços de saúde há entre os alcobacenses o sentimento de serem preteridos em relação a outros”, disse o edil.
Paulo Inácio referiu ainda que a ausência de estabilidade no corpo de profissionais de saúde impede que os utentes se sintam seguros. E relembrou ainda a vontade de ver em Alcobaça um novo hospital que venha resolver os problemas estruturais da actual unidade, propriedade da Santa Casa da Misericórdia local.

“A CONCENTRAÇÃO É AMIGA DA QUALIDADE”

Na resposta, o recentemente empossado presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, Luís Cunha Ribeiro, defendeu que “a concentração é amiga da qualidade”.
Ciente de que o CHON “abrange hoje uma área de utentes muito mais alargada que o inicialmente previsto”, e de que há falta de médicos, Luís Cunha Ribeiro considerou que “temos que transformar a crise em oportunidades, até porque não temos alternativa”. Garantindo que não pode fazer milagres, apenas trabalhar com rigor, o responsável disse que nos dias que correm “temos que distinguir o sonho da realidade”.
“Ver a região Oeste como um todo” e envolver cada vez mais a comunidade nas unidades hospitalares, que são “estruturas comunitárias”, são posturas que o responsável considerou essenciais para que os serviços de saúde sejam prestados com a melhor qualidade possível até à altura em que existam médicos suficientes no país, o que só deverá acontecer “dentro de alguns anos”.
Cunha Ribeiro considerou ainda que a cirurgia de ambulatório é “melhor para o utente, para a estrutura e para o Estado”, permitindo uma recuperação mais cómoda para quem sofre a intervenção e uma melhor gestão dos recursos públicos. Uma opinião partilhada pelo presidente da Associação Nacional de Cirurgia Ambulatória, que defendeu que este tipo de cirurgia “tem muito potencial para crescer”.
Presente na inauguração esteve ainda João Carreira, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Alcobaça, proprietária do edifício onde funciona o Hospital local, que deixou expressa a vontade que os serviços de saúde “evoluam de uma maneira muito positiva e as pessoas usufruam” dessa evolução. A cerimónia foi ainda acompanhada pelos profissionais que vão trabalhar na unidade, manifestamente satisfeitos com a “humanização dois cuidados de saúde” que o novo espaço facilita.

 

1 COMENTÁRIO

  1. A Cirurgia de Ambulatório de Alcobaça foi a expensas do abate da Cirurgia do Hospital de Peniche e com o óptimo e moderno recheio do Bloco Operatório de Peniche, as obras foram feitas provàvelmente com o dinheiro destinado ao hospital de Peniche. Tirou-se do Hospital mais seguro do CHON para o mais inseguro, porque o hospital de Peniche é do SNS e o de Alcobaça é da SCMA, e quando for devolvido ao seu proprietário será o “Montepio” de Alcobaça onde o lobby cirúrgico de Caldas irá operar no pós-laboral e no pós-aposentação a quem tiver dinheiro para pagar cirurgias particulares. Paga contribuinte ! Grande feito: abate-se um barco que ia a navegar e bem para ressuscitar um que estava para abate. Por isso é que o CHON falhou, alicerçou-se em interesses, hipóteses, esbanjamentos e mentiras nunca na boa gestão dos recursos disponíveis.