CLDS 4G da Santa Casa da Misericórdia chegou ao fim

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Open Days do emprego foram um dos vários projetos e atividades desenvolvidos no âmbito do CLDS

Após dezenas de atividades e centenas de pessoas apoiadas, o CLDS, que teve a duração de três anos e que contou com diversas parcerias, terminou e ainda ninguém sabe se haverá projeto semelhante

O Contrato Local de Desenvolvimento Social (CLDS) 4G da Santa Casa da Misericórdia das Caldas, que nasceu a meio da pandemia, chegou ao fim. O projeto, que teve uma duração de três anos e um financiamento comunitário de 350 mil euros, atingiu os seus objetivos, que passavam pelo reforço da coesão social, com uma intervenção nos grupos populacionais que evidenciam fragilidades mais significativas.
Em três anos prestou apoio a mais de 2000 pessoas em diversas áreas dentro de dois eixos: o emprego, formação e qualificação e o envelhecimento ativo e apoio à população idosa. No primeiro houve apoio na criação e renovação de currículos, na procura de emprego, no auxílio ao empreendedorismo, no encaminhamento para a qualificação, entre outras. No segundo, o combate à solidão e ao isolamento foi uma grande preocupação. Para tal foram realizadas tertúlias mensais sobre diferentes temas (ansiedade, fotografia, segurança, entre outros), bem como o ciclo de cinema sénior em parceria com a Biblioteca Municipal. A Feira da Saúde, em parceria com a autarquia, foi outro exemplo. Nesse campo destaca-se o projeto Bom Dia, em que voluntários contactavam telefonicamente os idosos para colmatar a solidão e ainda o Bom Dia Mais Perto, que fazia o mesmo, mas presencialmente.
Outro eixo importante foi a intervenção familiar e parental, focado na parentalidade consciente.
Com uma equipa de quatro pessoas – uma coordenadora e três técnicas – o projeto teve uma abrangência muito grande, desde a infância à velhice. Exemplos de iniciativas desenvolvidas não faltam. Desde as aulas de literacia e alfabetização (todas as quintas-feiras com uma voluntária) para pessoas que não saibam ler ou escrever ou que tenham algumas dificuldades. “É uma mais-valia, tanto que o projeto terminou a 31 de março e houve um pedido à direção para haver uma continuação, pelo menos, até ao final do ano letivo, em junho”, revela Catarina Carvalho, a coordenadora do CLDS. O pedido foi afirmativamente acolhido. “É um exemplo de algo que foi criado no CLDS, mas que corre tão bem e é tão necessário, porque não conhecemos nenhuma outra possibilidade destas, que vá continuar fora do projeto”.
A Horta Campo Verde, no terreno ao redor da antiga Universidade Católica, é outro projeto, onde quatro pessoas cultivam os seus alimentos. “A Dona Carminda foi-nos mostrar as suas favas ao gabinete”, conta. “Temos roupa, acessórios e ferramentas, tudo ao dispor”. O Atreve-te, um programa de férias empreendedoras (gratuitas) para adolescentes, foi outra iniciativa, que se prendia com um dos grandes objetivos: alcançar os jovens que não estudam nem trabalham, mas outros haveriam para falar. “Conseguimos alcançar todos os nossos objetivos, sentimos que fazemos um bom trabalho junto da comunidade e que é uma mais-valia estarmos cá”, resume.
Já desde 2009 que existe o projeto CLDS nas Caldas, mas atualmente ninguém sabe se irá ou não haver um 5G, o que gera críticas da instituição. Entre o final do 3G e o início do 4G passaram praticamente dois anos. “Já no último houve um hiato largo, é algo que não está dependente de nós, nem da autarquia, mas sim do Estado Central e infelizmente, quando estão todos a terminar, não há ainda uma resposta, é pena”, refere a provedora Maria da Conceição Pereira, notando que “há processos que estão a ser acompanhados e que se quebram, porque apesar de tentarmos manter algum acompanhamento, não podemos manter os técnicos, a instituição, sozinha, não consegue suportar” e que “estamos a tratar de projetos que envolvem pessoas e que, apesar de nunca fecharmos a porta, não conseguimos manter a mesma resposta”.
Este é “um projeto para a comunidade”, afirma, explicando que a instituição “sente que deve prestar serviços além dos clássicos à comunidade, como o Serviço de Apoio Social, a Loja Social, o POAMC (cabazes), a cantina social e este projeto”. A provedora revelou que já demonstraram “por escrito, junto da autarquia e da rede social”, a importância de continuar a existir, caso haja possibilidade, um CLDS nas Caldas, apresentando um novo projeto, talvez focado em áreas diferentes, porque a sociedade evolui.
Na opinião de Catarina Carvalho era importante que um 5G “abrangesse freguesias rurais do concelho” e também a psicologia, tal como acontecia no 3G. “Consideramos importante porque os psicólogos são caros e há cada vez mais necessidade, sentimos essa lacuna”. ■