Deputados municipais conhecem proposta para criação do Parque das Termas

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Documento destaca a dimensão do Parque, no centro da cidade, e propõe a interligação e articulação dos vários espaços naturais e culturais existentes na zona, criando uma identidade única. Deputados destacaram a sua importância, mas querem debatê-lo ao pormenor em sede de comissão.

A estratégia municipal de intervenção para a constituição do Parque das Termas das Caldas da Rainha foi apresentada aos deputados municipais a 16 de abril. Partindo da ideia central da criação de um grande parque no centro da cidade, que agregue o parque D. Carlos I, Mata Rainha D. Leonor, Quinta da Boneca, centro histórico, Centro de Artes e Museu da Cerâmica, pretende-se evidenciar uma “centralidade cultural, de saúde e bem-estar”, com impactos positivos na qualidade de vida urbana e, também por isso, atrair visitantes e turistas e fixar novos residentes, refere o relatório final, coordenado pelo arquiteto Bruno Soares.
Ou seja, a proposta passa pela interligação e articulação dos vários espaços criando uma identidade única. “Não há nenhuma cidade média em Portugal que tenha no seu centro um parque desta dimensão, com 30 hectares de espaço verde público, e que pode chegar aos 40 hectares quando a Quinta da Boneca também for integrada”, referiu Bruno Soares, dando ainda nota da componente histórica e cultural daquela zona.
O documento identifica 24 fichas de ação, com informações sistematizadas que permitem identificar objetivos e caracterizar conteúdos para cada ação, assim como as condições da sua implementação e execução, metas temporais e interdependência com outras ações. As ações motoras, que são 11 e consideradas fundamentais para levar a cabo a estratégia de intervenção, passam pela denominação do novo parque, refuncionalização do Hospital Termal e Balneário Novo, construção do novo balneário, reabilitação dos Pavilhões do Parque para hotel-Spa, dinamização do Centro de Artes e renovação do Museu da Cerâmica. É também considerado essencial a instalação do percurso pedonal estruturante transversal, instalação do percurso histórico, instalação do percurso pedonal que liga ao novo balneário, alteração da circulação automóvel e estacionamento e a Definição do modelo e da nova estrutura de gestão integrada do “Parque das Caldas da Rainha”.
A criação de um novo balneário é “essencial” para o processo de revalorização e relançamento da atividade termal das Caldas e apresentou-se como um “desafio enorme” para a equipa. De acordo com o documento, tendo em conta a área necessária, este deverá ficar localizado no terreno da compostagem de resíduos vegetais da Mata e terrenos privados da Quinta da Boneca, ou na área atual do Centro Hospitalar do Oeste, tendo em conta a construção de um novo Hospital. A construção do novo balneário, juntamente com a reabilitação dos pavilhões do Parque para um hotel de 5 estrelas e o parque verde “estão no centro deste grande parque e fazem uma estância termal que pensamos que será competitiva e que se distanciará de muitas outras no país”, concretizou o arquiteto Bruno Soares.
O estudo não apresenta um programa financeiro, referindo apenas que este deverá ser elaborado após a validação desta estratégia municipal e do seu programa de execução pelos órgãos autárquicos. Apresenta, no entanto, três metas temporais num horizonte de uma década: 2025, que coincide com o final do presente mandato municipal; 2027, ano em que se assinala o centenário da elevação de Caldas da Rainha a cidade e 2033, reportando-se aos mandatos municipais seguintes.
“O nosso esforço foi de tentar construir um documento de apoio às decisões políticas mas que tenha um quadro e condições para ser efetivado”, salientou Bruno Soares, deixando o repto aos deputados para que possa haver um “compromisso de cidade” para atingir os objetivos plasmados no plano. O documento, que viria a baixar à segunda comissão para ser analisado em pormenor, mereceu o comentário de vários deputados. Jaime Neto (PS) corroborou da proposta de ligação entre todo aquele património natural e cultural e considerou o plano um “elemento estratégico muito relevante, do ponto de vista político, para a afirmação das Caldas e da sua atratividade”.
Para o deputado do PSD, Paulo Espírito Santo, só após o plano financeiro é que o documento estará fechado, pois permitirá saber de que forma será executado. Partilhou também a sua preocupação com a “visão” do município para o futuro sobre o termalismo, nomeadamente como é que este entende que deve de ser usada a água termal, assim como sobre o futuro dos Pavilhões do Parque.
Eduardo Matos (VM) manifestou tratar-se de um “instrumento brilhante”, que “obriga a quem vier para o poder, no futuro, a ter de se engajar com ele”. Por outro lado, defendeu que tem de haver, por parte do atual elenco camarário, um “cronograma” financeiro e a definição de como vai ser implementado, para ser depois acompanhado pela Assembleia Municipal.
Em resposta à situação dos Pavilhões do Parque, que foram alvo de um novo incêndio há duas semanas, o presidente da Câmara, explicou tratar-se de um imóvel que é responsabilidade da Visabeira (que detém a sua concessão) e que as obras para a requalificação do telhado que ardeu irão começar em breve. “Esperamos que seja um trabalho de continuidade”, disse o autarca, acrescentando que a empresa aguarda por fundos do quadro comunitário 2030.
Relativamente ao local para a construção do novo balneário, Vítor Marques salientou que é preciso perceber que tipo de estância termal se consegue implementar naquele espaço. Também é preciso “tirar partido” da oferta museológica que a cidade tem e que a negociação com o Estado chegue a bom porto para a intervenção no Museu da Cerâmica e o processo de descentralização nesta área, acrescentou.
“A Marca Caldas da Rainha é forte e não temos tido a capacidade de a saber vender, mas ela tem peso e já existe”, disse o autarca, que acredita que a visão estratégica do maspterplan irá contribuir para esse objetivo. “O termalismo não se confina só na saúde e bem-estar, extravasa para a todas as áreas e envolve o que será o futuro da cidade e do concelho”, concretizou.
Vitor Marques deu conta do pacote de fundos comunitários, que a Câmara quer candidatar-se para concretizar algumas das propostas do masterplan. No primeiro trimestre o termalismo caldense registou uma subida de 58% em relação ao ano passado, mas o autarca considera que ainda é “muito pouco”, tendo em conta que a capacidade instalada é para cerca de dois mil aquistas e têm de trabalhar para uma capacidade de mais de 20 mil.

Unanimidade nas medalhas de honra
Os deputados municipais aprovaram por unanimidade a atribuição da medalha de honra do Dia da Cidade às Forças Armadas (pelo papel que tiveram no 16 de Março e 25 de Abril de 1974), ao médico e ex- diretor do Hospital Distrital e do Hospital Termal, Mário Gonçalves, e ao historiador e professor João Serra (ambos a título póstumo).
O deputado do VM, António Curado, partilhou que um grupo de cidadãos mobilizou-se para prestar homenagem a Mário Gonçalves, a 10 de maio no Hospital Termal, e deixou a proposta ao executivo para que possa dar o seu nome a uma sala no Hospital Termal e incluí-lo na lista para a toponímia caldense. ■