Dia da Espiga continua a ser celebrado na Fanadia

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Notícias das Caldas Fanadia, 9 de Maio de 2003. O dia nasceu cinzento e assim se manteve para a tarde, mas isso não demoveu o grupo de 50 pessoas que, pelas 15h00, fez uma caminhada pelos campos em redor da aldeia, onde apanharam papoilas, malmequeres brancos e amarelos, troncos de oliveira e alecrim.
Este ano, como havia dificuldade em encontrar espigas de trigo, Alice Jerónimo, a dinamizadora do convívio, foi de véspera procurá-las para comporem os ramos da espiga.
O final da tarde e noite é passado em convívio, com sardinhada, doces e muita animação junto ao café Fanatequilla, no centro da aldeia.
O mau tempo fez algumas pessoas desistir, mas Ana Caramuge não foi uma delas. Juntamente com o marido fez mais de 100 quilómetros para se juntar à amiga de infância e participar na iniciativa. “Acho que é óptimo podermos estar todos juntos e de forma alegre”, conta a participante, acrescentando que adorou voltar a apanhar a espiga. “É como voltar atrás, aos tempos da minha infância”, em que vivia no Coto.

Na Fanadia, o hábito de um grupo se organizar e ir ao campo apanhar a espiga começou há 18 anos quando Alice Gregório foi para lá morar, vinda de França, onde esteve 27 anos emigrada. Natural das Caldas da Rainha, lembra que em criança costumava assinalar a data e, regressada ao seu país, quis dar continuidade à tradição.
Nesse primeiro ano participaram apenas quatro amigos que, depois de apanharem a espiga, regressaram ao café de Alice Gregório onde esta lhes ofereceu o lanche.
A ideia pegou e agora todos os anos existe lanche e animação noite fora. Nos anos seguintes o grupo foi aumentando e chegaram a ser 130 pessoas a apanhar a espiga, quando a data coincidiu com o fim-de-semana.
Alice Gregório quer manter viva esta tradição. “O Dia da Espiga tem qualquer coisa de especial, e quero continuar a celebrá-lo”, disse à Gazeta das Caldas. Deixa o convite a todos os que queiram participar nesta tradição que se juntem ao grupo no próximo ano. F.F.