Dois mil presépios em exposição nas Gaeiras no Convento de S. Miguel

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DSC_0602Cerca de 2000 presépios estão em exposição no Convento de S. Miguel, nas Gaeiras. A oitava exposição de presépios, organizada pela Junta de Freguesia, conta este ano com a participação de uma centena de artistas de todo o país, que representam a Sagrada Família em todo o tipo de materiais, desde os mais comuns, como a cerâmica, madeira ou ferro, aos mais arrojados, como é o caso da casca de ovo ou do sal de Rio Maior.
A mostra foi inaugurada na tarde de sábado, com a actuação do coro da Paróquia de Nossa Senhora da Ajuda. Presente na cerimónia, o presidente da Junta de Freguesia das Gaeiras, Luís do Coito, destacou que esta ocupa este ano o “espaço mais nobre” da freguesia, referindo-se ao convento de S. Miguel.
O autarca disse que os artesãos ficaram particularmente contentes com o local da exposição e houve alguns que criaram presépios de propósito para o local que lhes correspondia, como foi o caso de Mário Lopes e José Tanganho. A artesã Paula Clemente trabalhará, uma vez mais, ao vivo, durante o decorrer da mostra.
Luís do Coito destacou também o trabalho do anterior presidente de Junta, Eduardo Silva, que continua a colaborar na organização da mostra, agora como comissário, e realçou que é das pessoas que, no país, mais percebe de presépios. “É uma peça fundamental neste projecto”, disse.
DSC_0554Também apelidado de “pai da exposição” (uma vez que foi ele que a concebeu há sete anos), Eduardo Silva considera que esta é a “mais equilibrada”, tendo em conta o número de trabalhos e o espaço que a alberga.
O antigo presidente da Junta disse à Gazeta das Caldas que, com a passagem das empresas que estavam situadas no convento para o Parque Tecnológico de Óbidos (cujos edifícios centrais foram recentemente construídos) este espaço ficou agora livre. “Se não houver ninguém para aproveitar estas instalações, eu tenho condições para criar aqui o Museu do Presépio, que decerto seria auto-suficiente”, disse.
DSC_0588Nesta oitava edição, entre a centena de participantes estão 21 do concelho de Óbidos. Eduardo Silva lembra que começaram com apenas dois artesãos locais e que esta representatividade já merecia que a autarquia criasse um livro sobre o perfil de trabalho de cada um destes participantes obidenses. Por outro lado, lamenta que ainda não tenha sido pedida uma obra a Ferreira da Silva para figurar num espaço público. “Tenho muita pena, porque é um artista que vive há 25 anos nas Gaeiras, e ando a lutar há vários anos para que fique cá uma obra da sua autoria”,disse, referindo que nunca recebeu abertura da autarquia para essa realização. “É tempo de perceberem que a arte e a cultura têm um papel muito importante no país”, acrescentou.
DSC_0579O ex-autarca lembrou ainda que é importante que as pessoas percebam que é necessário criar oportunidades como esta para os artistas mostrarem o seu talento, sob pena de alguns passarem incógnitos.
O presidente da Câmara, Humberto Marques, disse que a sua estratégia passa por dar mais vida às aldeias e aproveitar as suas características únicas para atrair turistas.
No dia da inauguração já tinham sido vendidos 21 presépios e estão vários reservados. Neste momento a maior procura é para presentes de Natal, com preços a variar entre os cinco e os 20 euros, mas na mostra existem presépios a partir de um euro até aos 2000 euros.
A mostra, que se encontra patente até 6 de Janeiro, está integrada na Vila Natal e tem entradas livres. Poderá ser visitada diariamente das 14h30 às 18h00 (dias úteis) e das 14h30 às 20h00 (sábados, domingos e feriados).

Fátima Ferreira
fferreira@gazetadascaldas.pt