Enterro do entrudo da Monte Olivett atrai cada vez mais pessoas

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Noticias das Caldas
Centenas de pessoas quiseram participar neste ritual que a associação Monte Olivett organiza há sete anos | D.R

Dia 1 de Março, quarta-feira de cinzas. Perto das 21h30, à Rua Maestro Carlos Silva, vão chegando cada vez mais pessoas que acompanharão o cortejo do enterro do entrudo, organizado pela ACDR Sto. Onofre Monte Olivett. Já cá estão o padre e os seus acólitos, os coveiros e o defunto que leva bem erguido “um das Caldas” e será transportado no carro da agência funerária Kat-espero. Atrás seguirão as chorosas e desgostosas viúvas, que gritam em uníssono “Ai! Ai! pobre do meu homem, que vai ser de mim sem ele?”. Vestem-se de preto, trazem véu e uma vela na mão.

O arranque é dado pelo bombo e o cortejo inicia-se com quase 100 pessoas, às quais se vão juntando muitas mais à medida que o desfile avança pelas ruas da cidade. Chegam a ser mais de 300.
O barulho dos tambores também chama a atenção das pessoas que estão dentro de casa e vêm às janelas e varandas espreitar o acontecimento. Em todas as ruas há alguém que sobe os estores e pega no telemóvel para tirar fotografias. O desfile passa em frente da ETEO, sobe em direcção à rotunda da Rainha e faz a primeira paragem na Praça da Fruta. A segunda dar-se-á no largo do Bairro da Ponte, já o cortejo passou pela Rua das Montras, Rua Raul Proença e pelo túnel da Fonte Luminosa, onde o barulho das viúvas sobe de tom devido ao eco.
Após mais de uma hora a andar, a cremação do boneco que simboliza o Entrudo faz-se junto à Escola de Hotelaria e Turismo do Oeste. Ajoelham-se as viúvas que gritam desesperadas numa última despedida.
“Uma boa viúva deve ser bem comportada e chorar muito pelo seu marido”, diz Anabela Alves, que há cinco anos vem ao enterro. “Já o meu pai participava e chegou a ser preso por isso, na altura da PIDE, em que este tipo de festas era proibido e os homens não podiam mascarar-se de mulher”, acrescenta. A viúva realça ainda o facto desta ser uma tradição em que têm vindo a participar cada vez mais pessoas, entre muitos jovens.
Um deles é Miguel Ribeiro, natural de Bragança mas que actualmente estuda na EHTO, escola que fica precisamente ao lado do local onde estão a enterrar o entrudo. “É a primeira vez que participo e estou a gostar muito, é um momento de convívio e diversão. Vamos puxando uns pelos outros!”, diz o jovem, afirmando que para vestir o papel de viúva basta entrar no espírito e perder a vergonha.

TUDO COMEÇOU COM UMA BRINCADEIRA NO BAIRRO

Há sete anos que a ACDR Sto. Onofre Monte Olivett organiza o Enterro do Entrudo, mas a iniciativa que hoje atrai centenas de pessoas começou por ser apenas uma brincadeira de bairro, entre os membros da associação. “Quisemos recuperar um ritual que em tempos foi muito conhecido nas Caldas, mas estava parado e esquecido”, contou João Pina, presidente da assembleia, salientando que do boneco que é queimado se retiram a cabeça e o falo, para que sejam reaproveitados para o ano seguinte. Já Gabriela Pato, presidente da Monte Olivett, frisou que a tradição se mantém porque “continuam a existir meia dúzia de carolas que gostam disto”, mas que a colectividade necessita de mais pessoas, principalmente jovens, com vontade de dinamizarem actividades que ponham a cidade a mexer.
A ACDR Monte Olivett também organiza a Festa do Bom Verão, no próximo mês, e a Festa das Marchas Populares, em Junho.

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|B.R

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