Entidades assinaram compromisso de colaboração na área da toxicodependência

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As 17 entidades que assinaram o compromisso fazem parte do núcleo territorial, a instância de coordenação do PRI das Caldas

Dezassete entidades locais e regionais assinaram a 28 de Março o “Compromisso de Colaboração”, um documento que visa a implementação de uma rede de parceiros no âmbito do Plano Operacional de Respostas Integradas (PORI) do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT).
Desta rede fazem parte organismos como a PSP, a Câmara Municipal, as escolas, os bombeiros voluntários e o Centro da Juventude, entre outros.
A cerimónia de assinatura teve lugar na sede Junta de Nossa Senhora do Pópulo, uma freguesia que foi identificada como território prioritário na sequência de um diagnóstico realizado no concelho.
O PORI preconiza a implementação de um Programa de Respostas Integradas (PRI) em cada território, numa intervenção que integra respostas interdisciplinares, de acordo com os eixos definidos (prevenção, tratamento, redução de riscos e minimização de danos e reinserção).
Na região o IDT está representado pelo Centro de Respostas Integradas do Oeste, do qual fazem parte as Equipas de Tratamento (anteriormente conhecidas como CATs) de Caldas da Rainha, Peniche e Torres Vedras.
A partir da equipa de tratamento caldense foram contemplados dois projectos que arrancaram há um ano: o Gerações K e o Caldas Solidária.
O projecto Gerações K é desenvolvido pela delegação caldense da Cruz Vermelha e actua na área da prevenção e o Caldas Solidária, promovido pela associação Viagem de Volta, actua na área da redução de riscos e minimização de danos.
Carla Mingote, coordenadora da reinserção do CRI do Oest, destacou “a motivação, empenho, criatividade e persistência de todos os técnicos envolvidos nestes dois projectos”.
As 17 entidades que assinaram o compromisso fazem parte do núcleo territorial, a instância de coordenação do PRI, que tem como objectivos gerir, articular, monitorizar e avaliar as intervenções, assim como fazer a integração das respostas. “Esta prática do trabalho em rede é fundamental porque fortalece a colaboração dos parceiros. A participação comunitária é uma mais-valia para o desenvolvimento local”, afirmou Carla Mingote.
Para a coordenadora do programa, é importante que se consciencialize a população para a necessidade de partilhar a responsabilidade social das situações relacionadas com a toxicodependência.
Carla Mingote revelou que não gosta do facto deste género de projectos só terem uma vigência de dois anos. “É quando o projecto começa a sentir solidez nas respostas e ganhos nas mudanças de comportamentos que termina”, lamentou.
Tendo em conta o empenho e persistência necessários para intervir nos problemas relacionados com o consumo de droga, é preciso conseguir estabelecer laços entre os técnicos e os toxicodependentes.
Para Carla Mingote, os projectos que estão a ser apoiados pelo PRI têm possibilitado que “passássemos a ter utentes em tratamento que nunca viriam ao nosso encontro porque tinham perdido a esperança em tudo e em todos”.
Sónia David, coordenadora do projecto Caldas Solidária, contou que os primeiros meses foram árduos “para tentarmos ser aceites por esta população”. Principalmente “para que não nos vissem como mais uma instituição que está no terreno e depois vai acabar”.
Apesar das dificuldades iniciais, os resultados foram melhores do que esperavam. Actualmente apoiam diariamente 41 utentes, através da equipa de rua e no gabinete da associação. “A nossa intenção para este ano é a fazermos mais acções de sensibilização e educação para a saúde junto desta população”, disse.
Sónia David adiantou que a associação Viagem de Volta tem tentado ser interventiva na sociedade, não se limitando ao tratamento dos toxicodependentes.
Mafalda Silva, técnica do projecto Gerações K, revelou que a enfâse do trabalho realizado tem sido “na construção de uma relação de proximidade e de confiança com o público-alvo”.

“Diminuição drástica dos arrumadores”

A vereadora Maria da Conceição apelou ao bom senso e solidariedade dos caldenses para terem uma atitude diferente em relação aos toxicodependentes e às entidades que os apoiam. “Temos que pensar que poderiam ser nossos familiares”, afirmou.
Sem citar directamente o caso da associação Volta a Casa, para o qual deixaram de ceder as instalações que estavam a ser utilizadas para servir refeições, a vereadora explicou que em alguns casos tiveram de tomar medidas “para que se menorize os danos que estão a causar”.
Por outro lado, Maria da Conceição revelou que, segundo a monitorização que é feita pelos serviços da Câmara, houve “uma diminuição drástica dos arrumadores” nas Caldas.
A vereadora sublinhou ainda a importância da prevenção junto dos jovens, tendo em conta que as estatísticas apontam para que o consumo de drogas comecem mais cedo.

Pedro Antunes
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Equipa de tratamento das Caldas vai ser reduzida

Em Julho, quatro profissionais da equipa de tratamento das Caldas da Rainha, sedeada no Centro da Saúde, vão ser dispensados porque não será possível renovar os seus contratos de trabalho.
Estão em causa “a única assistente social, a única técnica com funções de reinserção e de prevenção e dois técnicos com funções nas áreas psicossocial e administrativa”, avisou Nuno Cotralha, director do CRI do Oeste, durante a cerimónia de assinatura do Compromisso de Colaboração.
Recentemente também saiu da equipa caldense um dos três enfermeiros existentes, tendo sido necessário recorrer às congéneres de Peniche e Torres Vedras, “o que agrava os equilíbrios precários que já existem”, comentou.
No total a equipa de tratamento tem 12 elementos, sendo que os profissionais que serão dispensados são “o rosto do serviço” porque fazem o primeiro atendimento e avaliação.
O responsável sublinhou o crescimento da procura deste serviço na região Oeste. Segundo Nuno Cotralha, em 2010 havia 430 utentes activos quando em 2007, o ano de arranque do CRI do Oeste, eram 221 utentes. Em relação ao número de consultas, em 2007 foram 3892 e em 2010 atingiram as 5798. Houve também um aumento de 142% do número de utentes em programa de manutenção com metadona (de 99 para 242 utentes em três anos).
Nuno Cotralha teme que o trabalho que tem sido feito nos últimos anos possa ser, em parte, perdido devido à insuficiência de recursos humanos.
A vereadora Maria da Conceição também disse estar preocupada com a situação, sublinhando que a Câmara está disponível para encontrar soluções.

P.A.