Estudo sobre termas destaca investimento do hospital caldense

0
463
Diversos profissionais falaram sobre o “estado da arte” do termalismo em Portugal

O Hospital Termal caldense é uma referência e um exemplo das boas práticas. Quem o diz é o presidente do Centro Tecnológico das Instalações e dos Equipamentos da Saúde, Fernando Silva, que está também a coordenar um projecto piloto sobre o termalismo em Portugal. O projecto, com uma duração de 15 meses, irá terminar no final deste ano e, durante este período, os responsáveis irão também divulgá-lo pelas localidades que possuem termas, como é o caso das Caldas da Rainha.

A jornada técnica decorreu no passado dia 18 e reuniu como oradores, no auditório da ETEO, representantes do Centro Tecnológico, médicos e professores universitários. Envolvendo, de forma voluntária, 11 das 38 termas existentes no país, este estudo piloto pretende fazer o “estado da arte” em que se encontra o património termal, desde as instalações (equipamentos) até à essência do termalismo, que é a sua água mineral. Há ainda o objectivo de que o termalismo apareça associado ao spa e à talassoterapia, diz Fernando Silva, destacando a importância da água como elemento diferenciador. “Portugal tem a virtude de ter águas qualificadas há dezenas e até centenas de anos, como é o caso das Caldas, e temos que fazer valer isso”, diz, destacando o potencial económico deste sector. O projecto é apoiado por fundos comunitários, não envolvendo custos para as entidades aderentes. No final ficarão com um diagnóstico da sua situação actual, desde instalações eléctricas, acessibilidades, protecção contra incêndios, ambiente térmico, higiene e segurança. “A ideia desta missão é que o termalismo em Portugal se dignifique, prestigie e que se coloque ao nível do padrão europeu”, resume Fernando Silva, lembrando que Portugal é um dos países da Europa com uma grande tradição termal a par de Espanha, Itália e Alemanha e países de Leste. Este tema teve uma época “de grande projecção” antes do 25 de Abril, mas depois registou um declínio, até que recentemente passou a ser encarado como um património endógeno, que permite alavancar a economia nacional. “Há regiões no nosso país em que as estâncias termais são o único factor de desenvolvimento”, disse, dando o exemplo das localidades do interior, como Chaves ou Nisa. Sem querer adiantar o resultado final do estudo, o seu coordenador afirma que o sector termal em Portugal “recomenda-se”, dando nota do esforço que os donos deste património (Estado, autarquias e particulares) têm feito para o dotar de recursos. “Nos últimos dois anos tem havido um enorme esforço. Estamos a fazer uma peregrinação no sentido em que haja qualidade, higiene, segurança e que haja oferta”, explicou. Referindo-se ao caso caldense Fernando Silva reconheceu não ser fácil falar sobre um hospital com cinco séculos, que “é um exemplo no mundo pela sua continuidade”. Considera que se trata de uma unidade diferenciada e sofisticada e realça a sua aposta “notável” ao nível da higiene e saúde ocupacional. “A administração e os seus responsáveis implementaram a tempo as medidas necessárias, que foram investimento, modernização, formação dos quadros e formação pessoal”, concluiu o responsável.